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Via-Sacra nas pegadas do Beato Carlo Acutis

Padre Michele Munno, pároco de Trebisacce, em Cosenza, diz que o Beato Carlo Acutis era “um gigante no amor pelo Senhor e um apaixonado pelo próximo, sobretudo, pelos mais pobres”. A história deste jovem, apaixonado por Cristo, inspirou as suas meditações para a Via-Sacra.

Benedetta Capelli/Manoel Tavares - Vatican News

Padre Michele Munno, jovem pároco da igreja "São Vicente Ferrer", em Trebisacce, na província de Cosenza, no sul da Itália, presidiu, nesta segunda sexta-feira da Quaresma (26/02), a celebração da Via-Sacra nas pegadas do Beato Carlo Acutis. O sacerdote escreveu as meditações das 14 estações, deixando-se iluminar pela figura deste garoto de quinze anos, que o Papa Francisco beatificou, em outubro de 2020, como modelo de Cristo Vivo, "que transmitiu o Evangelho e comunicou os valores e beleza da vida".

Na sequela de Jesus

Via caritatis: Via Sacra com o Beato Carlo Acutis" é o título do opúsculo que o Padre Michele deu às suas reflexões, muito apreciadas pelos jovens, mas também pelos sacerdotes, que as pretendem propor aos seus paroquianos. Este seu “caminho para o céu” deve ser percorrido. Trata-se de um caminho composto de quedas, altos e baixos e abandono total a Jesus; um testemunho claro de que, ainda hoje, o caminho da santidade é possível, apesar das tentações mundanas.

Padre Michele Munno narra assim a origem da sua Via-Sacra:

«Pessoalmente, sempre estive ligado à celebração da Via Sacra, porque, em nossa diocese, é uma das práticas que, durante a Quaresma, conta com uma grande participação de fiéis. Este foi um primeiro elemento que levei em consideração. Depois, após a Beatificação de Carlo Acutis, em outubro do ano passado, mantive maior contato com a sua família, que já conhecia desde 2007, porque a figura de Carlo sempre me encantou. Então, perguntei à sua mãe, dona Antônia Salzano, se podia elaborar uma Via-Sacra sobre a vida do seu filho. Depois de alguns dias, ela me fez a proposta de eu mesmo escrever as meditações. Quando acabei, mandei o texto completa para ela: após ter avaliado e apreciado o conteúdo, deu-me o aval para publicá-lo, Assim, nasceu o livrinho da Via Sacra».

Quais as estações que, em sua opinião, representam melhor a vida terrena de Carlo e, depois, seu "caminho para o céu?

«A primeira estação foi a minha preferida: na proposta de Pilatos de escolher Jesus ou Barrabás, Carlo escolheu, decididamente, Jesus e seu programa de vida; e décima quarta e última estação, onde havia a tendência para a eternidade. Carlo faleceu ciente de que a sua vida tinha sido uma dádiva, de não ter perdido nem mesmo um minuto e de ter dado tudo. De fato, dizia: “Ofereço a minha vida pelo Papa e pela Igreja, para não merecer o Purgatório, mas ir diretamente para o Céu”».

Como seus fiéis e os jovens acolheram a Via Sacra, uma vez que Carlo era um jovem do nosso tempo...?

«Os jovens aceitaram, imediatamente, a Via-Sacra com alegria, tanto que foram os primeiros a propô-la à comunidade paroquial nas sextas-feiras da Quaresma. Também por parte dos fiéis houve grande aceitação: todos queriam o livrinho, até mesmo os coirmãos da minha Congregação. Para mim foi uma surpresa, pois queriam propor as meditações também aos jovens das suas paróquias».

As meditações da Via-Sacra inspiradas na vida do Beato Acutis
As meditações da Via-Sacra inspiradas na vida do Beato Acutis

As meditações da Via-Sacra foram inspiradas na vida do Beato Acutis e o prefácio do livrinho foi escrito pelo Bispo da diocese de Cassano allo Jonio, Dom Francesco Savino, que contou também com a contribuição de dona Antônia, mãe de Carlo Acutis.

«Dona Antônia ressalta a amizade que nos une, desde 2007. A seguir, conta sobre a sua intuição de reler a Via-Sacra, a partir da experiência de vida de Carlo, que apreciou muito. De fato, disse que a Via-Sacra é um caminho da manifestação plena e perfeita do amor de Deus. Esta Via-Sacra representa a vida de Carlo, porque descobriu que o mistério da Cruz de Jesus está representado, plenamente, na Eucaristia, que ele escolheu como seu verdadeiro caminho».

Por que a figura de Carlo Acutis atraiu tanto a sua atenção?

«Após a sua morte, em 2006, li em uma revista um artigo inesperado sobre a figura de Carlo: uma história que logo me encantou, sobretudo pela sua participação diária da Santa Missa. Por isso, entrei em contato com sua mãe e, por meio de telefonemas, consegui obter mais notícias sobre ele. Sempre o considerei como um irmão, que me ajudou e me ajuda no meu caminho de encontro com o Senhor Jesus; como um irmão mais novo, mas um gigante apaixonado pelo Senhor e pelo próximo, sobretudo os mais pobres. Este aspecto chamou a atenção de muitos jovens e me encantou também, a ponto de propô-lo aos jovens da minha paróquia. Ele era um garoto apaixonado pela vida, fazia todas as coisas que os jovens gostam, mas com uma grandíssima paixão pelo Senhor Jesus e pelos outros».

Entre as muitas frases de Carlo Acutis, há alguma que o senhor gostou mais ou que, de certa forma, o iluminou na elaboração das meditações da Via-Sacra?

«Certamente “não eu, mas Deus”, que é a síntese da proposta que Jesus faz aos seus discípulos: “Quem quiser vir após mim, renegue a si mesmo, tome a sua cruz, todos os dias, e siga-me”».

27 fevereiro 2021, 13:39