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Sexta-feira da Paixão em Sydney, em março de 2018 Sexta-feira da Paixão em Sydney, em março de 2018  (AFP or licensors)

Prosseguem preparativos para V Concílio Plenário da Igreja na Austrália

Os Concílios podem ser Provinciais, Plenários ou Ecumênicos. Os Provinciais destinam-se às dioceses da mesma Província Eclesiástica; os Plenários abrangem as dioceses da mesma Conferência Episcopal; os Ecumênicos são universaos. O primeiro foi o de Niceia, em 325, convocado e presidido pelo imperador Constantino, e o último o Concílio Vaticano II.

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Estão em andamento os preparativos para o quinto Concílio da Igreja Católica na Austrália, programado para se realizar de 2 a 10 de outubro, em Adelaide. Na quinta-feira, 25, foi apresentado o Instrumentum Laboris que servirá como base de discussão para os mais de 250 delegados esperados na sessão prevista em parte presencial e em parte na modalidade on-line, devido à emergência do Covid-19.

Intitulado Continuing the Journey ("Continuando a Caminhada", em tradução livre), o documento de 76 páginas sintetiza as contribuições recolhidas nas duas fases de discussão e discernimento que marcaram o caminho de preparação iniciado em 2018.

Trata-se de “um passo em frente entusiasmante que estamos dando juntos, em um momento de grandes mudanças - afirmou o arcebispo Timothy John Costelloe, presidente do Conselho Plenário -. Mais de 220.000 pessoas participaram nas fases iniciais de escuta e diálogo e suas vozes ressoam claramente neste documento de trabalho”.

“Para a sua elaboração - explicou o prelado na apresentação – nos inspiramos nas Escrituras, nos escritos e ensinamentos da Igreja, incluindo os documentos do Concílio Vaticano II, as Encíclicas e Exortações pontifícias, as Cartas pastorais dos bispos australianos, entre outras".

O Concílio Plenário representa o encontro nacional mais importante depois daquele convocado em 1937: a comunidade católica australiana, de fato, é chamada a debater e refletir sobre o futuro da missão evangelizadora da Igreja no país, especialmente diante dos desafios de época contemporânea.

A motivar os bispos, a consciência das profundas transformações ocorridas na sociedade australiana nos últimos 80 anos e o desejo de seguir a abordagem pastoral e dialógica do Papa Francisco, para enfrentar esses novos desafios. Uma exigência que se tornou ainda mais premente após a publicação em 2017 do Relatório final da Royal Comission, a Comissão Federal sobre as respostas das instituições aos abusos sexuais contra menores, que destacou a urgência de uma profunda reforma da governança da Igreja no país.

O processo de preparação teve início em 2018 com o lançamento dos encontros de "Escuta e Diálogo" realizados em todas as dioceses australianas, nos quais foram apresentadas 17.000 contribuições sobre a realidade da Igreja na Austrália hoje e sobre as esperanças das comunidades de fiéis. Concluída esta fase, iniciou-se em junho de 2019 a segunda fase, a de “Escuta e do discernimento”, para identificar as temáticas a serem colocadas na agenda do Concílio.

O Instrumentum laboris está subdividido em quatro seções, mais um capítulo introdutório que ilustra seus objetivos e um capítulo conclusivo. O primeiro capítulo repassa as etapas do caminho preparatório e traça um panorama da realidade pastoral na Austrália. O segundo enfoca os aspectos teológicos, enquanto o terceiro e o quarto fazem uma análise inicial das seis áreas temáticas identificadas para o Concílio.

Entre os temas-chave examinados está a renovação da Igreja centrada em Cristo que cura as feridas; o fortalecimento da sinodalidade e do discernimento pastoral e o chamado à corresponsabilidade na missão e na governança da Igreja.

Em primeiro plano, também a resposta da Igreja às recomendações da Royal Comission para a luta contra os abusos; a renovada solidariedade da Igreja na Austrália com os aborígenes e marginalizados e a promoção da ecologia integral proposta pelo Papa Francisco na Laudato si.

Outros temas importantes para a atenção do Instrumentum laboris são a renovação e apoio aos ministérios ordenados, a promoção do discipulado nas paróquias, nas famílias e entre os jovens; a formação de comunidades orantes e centradas na Eucaristia, desejosas de empenhar-se na sociedade a serviço de todos e o anúncio do Evangelho no contexto das mudanças de época ocorridas no contexto da crise de Covid-19.

Juntamente com o Instrumentum Laboris, a comissão organizadora disponibilizou também um Guia de Reflexão para acompanhar os fiéis no caminho de preparação. “Nesta fase de profundas mudanças nas normas sociais e na nova realidade de vida do pós-Covid-19, é importante a máxima participação possível neste processo de discernimento contínuo”, sublinhou Lana Turvey-Collins, que assessora Dom Costelloe como um “facilitador” do Conselho.

Anunciado em 2016 e aprovado pelo Papa Francisco em 2018, o quinto Concílio Plenário da Austrália será articulado em duas sessões plenárias que deveriam ter ocorrido respectivamente em outubro passado em Adelaide e em julho próximo em Sydney, mas, devido à pandemia, foram adiadas exatamente em um ano, para outubro de 2021 e julho de 2022.

Vatican News Service – LZ

26 fevereiro 2021, 15:55