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Cemitério de Tuam, onde os corpos de 796 bebês foram descobertos no local de um antigo lar católico para mães solteiras e seus filhos. Cemitério de Tuam, onde os corpos de 796 bebês foram descobertos no local de um antigo lar católico para mães solteiras e seus filhos.  (AFP or licensors)

Irlanda: acontecimentos na Casa da Mãe e da Criança são "motivo de vergonha", diz bispo de Tuam

O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, se desculpou formalmente pelo tratamento dado às mães solteiras e seus bebês em casas administradas pelo governo e pela Igreja. Cerca de 9.000 crianças morreram ao longo de décadas nas "Casas da Mãe e da Criança", como eram conhecidas na Irlanda, onde mães solteiras eram rotineiramente separadas de seus filhos, de acordo com um relatório oficial publicado na terça-feira.

 Isabella Piro  - Vatican News

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“Humildemente reconheço e peço perdão pelo fracasso da Igreja e pela dor e sofrimentos infligidos às mulheres e seus filhos nas Casas da Mãe e da Criança em todo o país”. Por meio de um comunicado, assim o arcebispo de Tuam, na Irlanda, Dom Michael Neary, comenta a publicação pelo Ministério da Infância, do Relatório da Comissão de Investigação sobre as estruturas para mães solteiras e mulheres grávidas em condições de penúria. O relatório indica que, em tais centro administrados pela Igreja na Irlanda, foram perpetrados vários abusos ao longo do século XX.

Dom Neary reitera que tais acontecimentos "são motivo de vergonha, porque nos deparamos, em um período histórico muito recente, com a forma escandalosa como mulheres e crianças vulneráveis ​​em nossa sociedade eram privadas de cuidado e dignidade e submetidas à humilhação".

A Igreja “tem como objetivo levar esperança e cura – observa o prelado - e ao invés disso causou danos e sofrimentos a muitas pessoas” que se sentiram “traídas e desiludidas”. “A Igreja – afirmou o arcebispo - falhou em sua responsabilidade de amar e cuidar daqueles que estavam tão indefesos”, e quando “a Igreja não se coloca a serviço do homem com compaixão, então ela está falhando”. Neste sentido, Dom Neary reitera: "Lamento sinceramente e peço desculpas sem reservas".

O arcebispo também recorda que a "Casa das Crianças" de Tuam pertencia ao Conselho do Condado de Galway e era gerida pelas "Irmãs do Bom Socorro". A diocese, portanto, “nunca teve um papel administrativo na gestão da estrutura, mas sim pastoral”, visto que “os sacerdotes da paróquia de Tuam ali serviram como capelães”.

Ao mesmo tempo, o prelado exorta à compreensão pela “dor e dano psicológico” sofridos pelas mulheres e crianças acolhidas na Casa, bem como chama à responsabilidade “os homens que geraram esses filhos”, destacando que “a Igreja deveria ter sido mais sincera em reconhecer tal responsabilidade”.

Dom Neary também se diz "horrorizado" pelo fato que, em 2017, no sítio de Tuam, "terem sido descobertos restos humanos correspondentes, temporalmente, às atividades da Casa", uma descoberta que revela "o enorme sofrimento e dor das crianças e de suas mães”.

Trata-se, entre outros, de sepultamentos que não constam no “Registo Oficial de Mortos”, uma discrepância que “compreensivelmente causou maior indignação”. Por isso, o arcebispo exorta a dar todos os passos necessários para chegar à “descoberta da verdade”, para que “sejam tomadas as medidas adequadas para curar as feridas do passado e avançar juntos”.

Prestando então homenagem a todos aqueles que trabalharam na realização do Relatório de Investigação, oferecendo "dignidade, justiça e verdade aos falecidos e suas famílias", o arcebispo irlandês espera que "tais atrocidades nunca voltem a acontecer" e que se trabalhe mais “a serviço do bem comum”.

Vatican News Service - IP

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Santuário em Tuam, erguido em memória às centenas de bebês sepultados no local da antiga Casa para mães solteiras
15 janeiro 2021, 08:00