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Cristo Redentor iluminado - Cristo Redentor iluminado -   (@TODAY PRODUCOES)

Um tempo de reflexão e solidariedade com os cristãos perseguidos

Na última quarta-feira, 25 de novembro aconteceu a Red Wednesday, um evento internacional idealizado pela AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), que visa aumentar a conscientização sobre a perseguição aos cristãos em todo o mundo e a questão da liberdade religiosa em geral.

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Centenas de edifícios e monumentos importantes no Brasil, Austrália, Canadá, Colômbia, República Tcheca, Polônia, Holanda, Áustria, Eslováquia, Filipinas, Irlanda e Reino Unido, para citar apenas alguns países, estavam iluminados em vermelho para este fim. Entre eles estavam o Cristo Redentor no Brasil, as catedrais de Montreal e Toronto no Canadá, Manila nas Filipinas e Armagh na Irlanda, a Ponte Elizabeth em Budapeste, Hungria, a Ponte da Revolta Nacional Eslovaca e o castelo em Bratislava.

No Brasil, a Red Wednesday foi promovida com a iluminação do Cristo Redentor em vermelho com transmissão ao vivo pelo canal da AIS Brasil no Youtube e Facebook. Frei Rogério Lima, assistente eclesiástico da ACN Brasil, iniciou a live orando por todos os cristãos que sofrem perseguição e também, de maneira especial, pelas vítimas da situação de guerra vivida na Província de Cabo Delgado, Moçambique. Também foram apresentadas as principais conclusões do relatório ‘Presos em Nome da Fé’ e uma entrevista com Dom Luiz Fernando Lisboa, o brasileiro que é bispo de Pemba, Moçambique. A AIS convidou todos a rezarem uma dezena do Terço, momentos antes do Cristo Redentor ser iluminado de vermelho.

Na Holanda, um total de 119 edifícios estiveram envolvidos na campanha. Peter Broeders, o diretor nacional da AIS Holanda, explicou que esses números "refletem uma preocupação crescente com o que estamos vendo em todo o mundo", onde "governos autoritários, terroristas e grupos radicais estão atacando minorias religiosas" e onde um "número crescente de pessoas são discriminadas, perseguidas e presas por causa de sua fé”.

No Reino Unido, em Londres, uma das vítimas de perseguição, Maira Shahbaz, uma menina cristã de 14 anos do Paquistão, cujo caso é descrito no relatório, deu seu testemunho pessoal via link de vídeo. Ela descreveu como foi sequestrada, convertida à força e obrigada a casar contra sua vontade, além de ter sido “chantageada, torturada e maltratada”. Tendo escapado de seu sequestrador, ela agora vive escondida: “A minha vida e a de minha família estão em risco no Paquistão. Estamos constantemente recebendo ameaças de morte. Estamos extremamente assustados e preocupados com nossa segurança.”

Padre James Channan, diretor do Centro de Paz em Lahore, Paquistão, também falou sobre a discriminação enfrentada pelos cristãos em seu país no evento online Red Wednesday no Canadá. “Os cristãos geralmente pertencem às classes mais pobres”, observou ele. "Muitas vezes enfrentamos discriminação por parte das autoridades e no local de trabalho." O Padre Channan também falou sobre as notórias leis de blasfêmia do país: “Esse medo de ser falsamente acusado de blasfêmia é uma constante entre os cristãos”, disse ele.

Em vários países, a Red Wednesday também chamou a atenção para a situação preocupante dos cristãos na Nigéria. O Arcebispo Ignatius Kaigama, de Abuja, a capital federal, pediu orações por um de seus padres, o Padre Dajo Matthew, que havia sido sequestrado apenas dois dias antes. Dom Kaigama também recordou as muitas outras vítimas de sequestros entre membros da comunidade cristã. Ele enfatizou em particular o caso de Leah Sharibu, que foi sequestrada pelo grupo terrorista Boko Haram e cuja história também está incluída no relatório ‘Presos em Nome da Fé’. Leah é um exemplo brilhante de coragem em face da adversidade, disse ele. Ele também pediu para não esquecer as 112 meninas raptadas de sua escola em Chibok, no norte do país, em 2014, que permanecem desaparecidas até hoje. O Arcebispo Kaigama falou ainda sobre os conflitos entre os pastores fulani e as comunidades agrícolas cristãs, que estão crescendo em intensidade. ‘‘Pastores militantes têm continuamente causado estragos, matando pessoas e queimando casas e fazendas durante a noite, especialmente no sul de Kaduna, onde há uma população predominantemente cristã; os bandidos têm aterrorizado cristãos e não-cristãos, e os sequestradores ainda são uma ameaça.’’

Thomas Heine-Geldern, presidente executivo da AIS, participou juntamente com o presidente do Parlamento Austríaco, Wolfgang Sobotka, na Red Wednesday de Viena. Lá, a Igreja de São Carlos, no coração da cidade, e o parlamento no Imperial Palace foram iluminados em vermelho. O Ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, expressou seu apoio à iniciativa: “Ao participar desta campanha, estamos enviando uma mensagem clara de solidariedade aos cristãos perseguidos em todo o mundo”. Ele acrescentou: “Para nós, o livre exercício da religião é um dos pilares da democracia liberal. Toda forma de discriminação baseada na afiliação religiosa deve ser rejeitada de forma decisiva.”

Fonte: AIS - Rodrigo Arantes

Foto: Today Produções

Sobre a AIS (Ajuda à Igreja que Sofre)

A AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) é uma Fundação Pontifícia que auxilia a Igreja por meio de informações, orações e projetos de ajuda a pessoas ou grupos que sofrem perseguição e opressão religiosa e social ou que estejam em necessidade. Fundada no Natal de 1947, a AIS tornou-se uma Fundação Pontifícia da Igreja em 2011. Todos os anos, a instituição atende mais de 5.000 pedidos de ajuda de bispos e superiores religiosos em cerca de 140 países, incluindo: formação de seminaristas, impressão de Bíblias e literatura religiosa - incluindo a Bíblia da Criança da AIS com mais de 51 milhões de exemplares impressos em mais de 180 línguas; apoia padres e religiosos em missões e situações críticas; construção e restauração de igrejas e demais instalações eclesiais; programas religiosos de comunicação; e ajuda aos refugiados e vítimas de conflitos.

 

28 novembro 2020, 09:10