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Bispos mexicanos: a pandemia mostrou a fragilidade das estruturas do país

A mensagem final da assembleia plenária revela as falhas de uma democracia incompleta e um ressentimento social que aumenta em meio à emergência de saúde. Mas também revela sinais de esperança que encorajam a unidade e a solidariedade, superando o egoísmo e a desconfiança.

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“Uma economia em declínio e muitas empresas em falência, o sistema de saúde com poucos recursos, com sérias deficiências, a realidade política de uma democracia incompleta, com ressentimento social, um sistema de educação fraco, e a violência que aumentou.” É assim que os bispos mexicanos descrevem as consequências da profunda crise causada pela pandemia da Covid-19, que chegou de maneira inesperadamente, “mostrando a fragilidade das estruturas do país”.

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Na mensagem publicada, nesta quinta-feira (12/11), no final da 109ª Assembleia Plenária, os bispos lamentam que depois de meses de provação, quando o pior parecia ter acabado, a cada dia aumenta o número de contágios e mortes, e enquanto “o cansaço, a solidão e o desespero aumentam devido à falta de alimentos e remédios”, as ações do tráfico de drogas e do crime organizado se multiplicam.

Estabelecer tarefas específicas no campo social

“É urgente estabelecer tarefas específicas no campo social: para os pobres e com os pobres, com o mundo do trabalho, com os empresários, para a promoção do desenvolvimento sustentável e socialmente responsável”, advertem os bispos.

A mensagem também lembra que, em meados do próximo ano, serão realizadas as eleições federais para escolher os 500 membros da Câmara dos Deputados. Por isso, os bispos convidam a conhecer e analisar as propostas dos candidatos a cargos públicos e a participar com responsabilidade. Neste contexto, os prelados recordam as palavras do Papa Francisco na Encíclica “Fratelli tutti” onde reitera que “a política é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”.

Boa parte do documento do episcopado é dedicada aos sinais de esperança que surgiram das sombras da crise, começando pelos agentes de saúde, os cuidadores, voluntários, famílias, sacerdotes e religiosos, entre muitas outras pessoas que, mesmo em circunstâncias de risco e medo, prestaram um serviço generoso: “São manifestações da consciência de sermos família, comunidade, de estarmos no mesmo barco e de nos ajudarmos uns aos outros”.

Trabalhar pela unidade e concórdia

Como pastores renovam sua proximidade ao Povo de Deus, oferecem uma palavra de esperança com os olhos fixos na Virgem de Guadalupe: “Sigamos em frente edificando a ‘Casita Sagrada’ de nossa identidade como Povo de Deus em nossa Pátria, em toda a América e em todo o mundo, descobrindo e valorizando-nos como filhos do mesmo Pai, favorecendo o encontro, o diálogo, a convivência e a solidariedade em atitudes fraternas marcadas pelo perdão, o amor, a justiça e a paz.”

A mensagem lembra as palavras do Papa que, referindo-se à pandemia, disse: “Não saímos de uma crise da mesma maneira: ou saímos melhores ou saímos piores.” Neste espírito, os bispos mexicanos exortam os fiéis a prepararem o futuro com esperança, gerando novos processos, superando o egoísmo, a desconfiança e a desqualificação, e trabalhando pela unidade e concórdia. “Com nossa palavra de conforto, esperança e encorajamento, sejamos “Igreja em saída”, concluem os prelados mexicanos.

Vatican News Service - ATD/MJ

13 novembro 2020, 11:22