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A cidade de Milão vive o segundo lockdown com a nova onda do coronavírus na Itália A cidade de Milão vive o segundo lockdown com a nova onda do coronavírus na Itália  (AFP or licensors)

Novas medidas anti-Covid na Itália: a preocupação de representantes cristãos dos trabalhadores

Quatro regiões italianas foram classificadas como “zonas vermelhas” na Itália com restrições de lockdown para conter a segunda onda da pandemia. As Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (Acli) lançam 8 pedidos para modificar características da Renda de Cidadania – uma espécie de bolsa-família do governo italiano – diante das atuais repercussões das medidas anti-Covid.

Marco Guerra, Benedetta Capelli, Andressa Collet - Vatican News

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No último final de semana, a Itália passou de meio milhão de casos ativos de coronavírus. Para tentar conter a segunda onda de casos de Covid-19 no país, o governo lançou um novo decreto que divide as regiões em quatro faixas de risco: verde (nenhuma se enquadra no momento), amarela, laranja e vermelha. Em cada uma, e seguindo o quadro epidemiológico local, os moradores devem se adaptar a um aumento gradativo das medidas de restrição. Lombardia, Piemonte, Calábria e Vale de Aosta, por exemplo, já estão vivendo um segundo lockdown por terem sido classificadas como “zonas vermelhas”.

O decreto Ristori Bis

Diante de protestos de muitas categorias após as novas medidas sanitárias do governo italiano, o Conselho de Ministros aprovou um decreto para ajudar as famílias e os setores da economia mais afetados, chamado de “Ristori Bis”. São 2 bilhões e meio de euros para financiar licenças, bônus baby sitter, benefícios fiscais e subsídios não reembolsáveis para atividades comerciais que ficam nas zonas vermelhas, que serão submetidos a rígidos controles anti-mafia. Para os setores da agricultura, pesca e aquicultura serão destinados 340 milhões de euros.

O peso da Covid sobre as famílias

De acordo com um estudo feito pela Associação Artesãos e Pequenas Empresas de Mestre (Cgia), o coronavírus fará com que cada italiano perca em média 2.484 euros. A região sul da Itália verá o próprio PIB cair para o mesmo nível de 1989, com uma previsão de queda próxima aos 10%.

O presidente das Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (Acli), Roberto Rossini, demonstra preocupação com a situação dos empregos e também das escolas, com repercussões inevitáveis sobre as famílias já que "o fechamento combinado ao problema do transporte público é um grave dano para todo o país”:

“Com as crianças em casa também muda o tema do trabalho. Há estudos financeiros que dizem que o fechamento de um período de quatro meses pode afetar até um ponto por ano do PIB para os próximos 40 anos e até 5 pontos por ano sobre a renda do trabalhador individual. Portanto, isso significa que fechar a escola não é apenas um fato cultural, mas também um fato econômico"”

As propostas da Acli

O presidente também lança 8 pedidos para modificar características da Renda de Cidadania – uma espécie de bolsa-família do governo italiano – diante das atuais repercussões das medidas anti-Covid: “o aumento do valor médio do benefício anual para a família, a redução das condições para poder acessá-la, a possibilidade de usar o atual Indicador de Situação Econômica Equivalente (ISEE) e concordamos que a renda de emergência deve ser estendida”.

A outra emergência destacada pelo presidente é a formação profissional que deveria começar imediatamente, imaginando os cenários subsequentes da pós-pandemia. Um investimento no futuro, protegendo as faixas mais frágeis, antecipando as mudanças que estão marcando uma nova maneira de fazer economia:

“Deveríamos ser capazes de lançar um programa de formação profissional para permitir às pessoas que não têm mais o emprego que tinham antes, que sejam recuperadas e que possam trabalhar em um cenário diferente.”

09 novembro 2020, 12:29