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Padre Alfredo De Marsico com o Papa João Paulo II Padre Alfredo De Marsico com o Papa João Paulo II 

Missões, o testemunho de um sacerdote: sair e evangelizar com os leigos

O testemunho do padre Alfredo De Marsico, fidei donum no México, que mostra a riqueza de uma vida passada nas periferias para anunciar o amor de Deus. A vigília de oração especial com o Cardeal Vigário Angelo De Donatis que entregou o mandato aos missionários que partirão para levar o Evangelho ao mundo.

Debora Donnini – Vatican News

Levar o Evangelho ao mundo, como sinal concreto da misericórdia de Deus. Este é o mandato que o Cardeal Vigário Angelo De Donatis entregou a seis irmãos e irmãs da diocese de Roma, que partirão para a missão ad gentes logo que for possível. A cerimônia foi durante uma Vigília de Oração na Basílica de São João de Latrão, durante a qual o Pe. Alfredo De Marsico, sacerdote da diocese de Roma fidei donum no México, traz seu testemunho.

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Tecelões de fraternidade

“Tecelões de fraternidade. Eis-me aqui, envia-me!” foi o tema da Vigília de Oração. Um convite, uma descoberta vocacional, que encontra sua origem na mensagem enviada pelo Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões", explica o padre Michele Caiafa, do Centro de Cooperação Missionária entre as Igrejas da diocese de Roma. De alguma forma, continua, "propomos unir as duas grandes mensagens contidas no título". "Aqui estou eu, envia-me" é a proposta de Isaías ao Senhor. Mas para fazer o que? Ser 'tecelão de fraternidade' é a resposta, ou seja, um compromisso renovado que todos nós cristãos devemos assumir".

Sacerdotes visitam os lares

Palavras que ecoam na experiência vivida pelo padre Alfredo De Marsico, 58 anos de idade. "A missão não pode ser feita esperando que as pessoas venham na paróquia ", recorda na entrevista, mas devemos sair e evangelizar as famílias com seus filhos mesmo porque o mundo é secularizado. De fato, após o Concílio Vaticano II, muitos movimentos leigos apontam o quanto o é importante que os padres visitem os lares, visitem as pessoas, afirma o padre Alfredo. No México, um país considerado muito religioso até pouco tempo atrás, nos últimos 10 anos a secularização, especialmente nas cidades, não tanto nas áreas rurais, avançou de forma impressionante". Por isso, a presença de jovens na Igreja é muito baixa.

A descoberta do amor de Deus

Sobre os desafios atuais para os missionários, Padre De Marsico lembra que o isolamento para os padres pode ser um perigo, ou seja, serem atingidos pelo desencorajamento.  Daí a importância, também nos seminários, de acompanhá-los com experiências de evangelização e conhecimento de novas realidades. Com relação à formação, Pe. Alfredo destacou a importância de amar Jesus Cristo, porque isto leva à missão, a sair e procurar os outros. E, acrescenta, em relação a este tempo de pandemia, as pessoas conheceram a solidão por isso deve-se "fazer com que descubram que se encontrarem o amor de Cristo nunca estarão sozinhas".

Na entrevista, o padre Alfredo fala sobre sua experiência de vida, desde um menino burguês que morava em um bairro de classe alta em Roma, até se tornar um padre missionário. Lembra que em sua família nunca lhe foi ensinado "classismo" e que sempre teve essa sensibilidade de estar com as pessoas mais frágeis, nos subúrbios, nunca muito longe dos necessitados... Depois, à medida que foi crescendo, afastou-se da fé com as tentações normais da adolescência, até que graças a um padre e seu testemunho, ouviu a catequese do Caminho Neocatecumenal e "lá - ele recorda - descobri a vocação, no sentido de descobrir quão longe eu estava de Deus, quanto Ele me amava mesmo sendo pecador e verdadeiramente experimentei o amor de Deus não só em uma dimensão vertical, mas também horizontalmente, em meus irmãos".

Uma vida “normal” próxima das pessoas

Durante estes anos de sacerdócio, Dom Alfredo esteve em uma paróquia em Roma, como vigário, vivendo sempre como uma missão, indo às casas, ao mercado, vivendo uma vida normal, conhecendo o povo, os comerciantes. Lembra que era tão conhecido no bairro, que as pessoas iram procurá-lo com frequência quando tinham qualquer tipo de problema. Depois foi para um seminário na França e lá costumava enviar os jovens em missão aos domingos ao Santuário de Lourdes para ajudar os peregrinos: experiências diferentes para ver a riqueza da Igreja. Em seguida ficou dois meses na África e hoje, há cinco anos, está no México.

30 outubro 2020, 09:06