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Vista de Aleppo Vista de Aleppo  (AFP or licensors)

Dois franciscanos morrem de Covid-19 em Aleppo

De cinco sacerdotes franciscanos, quatro contraíram o vírus e dois morreram. No auge da emergência, até 10 cristãos chegaram a ser sepultados a cada dia. As sanções internacionais impedem o envio de testes e remédios para conter a pandemia. Muitos dizem que erraram em não terem fugido do país.

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No pior momento da pandemia, “somente como comunidade cristã, chegamos a sepultar 10 vítimas por dia”, embora agora “o índice de mortalidade parece ter diminuído e o número continua a cair”. O novo coronavírus também atingiu Aleppo, conforme confirmado à Asia News pelo vigário apostólico dos latinos, Dom Georges Abou Khazen, que relata a morte por Covid-19 de dois dos cinco frades franciscanos presentes na cidade: “Infelizmente - diz ele - morreram dois frades que estavam no colégio da Terra Santa. Trata-se de padre Edward Tamer, de 82 anos, mas em boas condições, e do padre Firas Hejazin. Uma tragédia!".

Na metrópole econômica e comercial da Síria, o vírus atingiu de forma generalizada, mas o número de contágios e vítimas permanece incerto, quer pela falta de testes como pelos números parciais fornecidos pelas autoridades. O certo, é que de cinco padres franciscanos, pelo menos quatro contraíram o vírus e dois morreram; o único que até agora foi poupado é pe. Ibrahim Alsabagh, da paróquia latina, que em carta denuncia “o estado de precariedade e a falta de hospitais, remédios, médicos e enfermeiras”.

 

Para o sacerdote, o percentual de padres contagiados pelo coronavírus pode ser aplicado à população para se ter uma ideia da incidência da pandemia, embora não existam dados precisos. Numa carta enviada à Crux, o religioso descreve o trabalho de sensibilização que procurou promover entre os paroquianos e por toda a cidade, desde o distanciamento social ao uso de máscaras, para "evitar uma catástrofe ainda maior".

De acordo com alguns cálculos, no pior momento da pandemia, haveria centenas (até 800) vítimas por dia de Covid-19. “A circulação do vírus - confirma à Asia News Dom Abou Khazen - foi enorme, embora agora a situação tenha melhorado um pouco. Da obrigatoriedade de máscaras ao distanciamento, à proibição de aglomerações e de grandes eventos, as regras têm ajudado em uma ótica de contenção. Hoje a circulação foi retomada, as escolas reabriram em 13 de setembro e vamos ver quais serão os efeitos”.

O balanço oficial da Síria fala de 3.700 contágios e 162 mortes, mas está claro que o número está muito subestimado. “Faltam meios - explica o prelado - e só recentemente foi aberto um centro em Aleppo e Damasco para analisar testes. Este é o efeito das sanções internacionais contra a Síria, que mais uma vez atingiram os setores mais frágeis da população”. Em relação aos contágios e ao número de vítimas, continua, “o pior momento foi entre junho e agosto”, tanto que “tivemos que fechar as igrejas e celebrar Missas pela internet”.

Há quatro semanas "retomamos as celebrações presenciais", relata Dom Abou Khazen, mas “com todas as precauções possíveis: os funerais são celebrados nos cemitérios, batismos e casamentos são limitados em número e reservados para familiares próximos.

“Aqui as pessoas dizem que era melhor na época da guerra, porque hoje temos que lutar contra o vírus, contra a inflação, contra o custo de vida. Para abastecer, você tem que ficar três ou quatro dias nas filas. Para conseguir um pouco de pão, tem que ficar horas na fila... A nossa, é uma tragédia dentro de uma tragédia ”.

Às vezes - conclui o prelado - “até nós, líderes cristãos, não sabemos o que dizer, mas tentamos ficar com eles e ajudar na medida do possível. As sanções internacionais atingem também a nós e nossa capacidade de operar com a assistência e as ajudas. Ouvimos cada vez mais pessoas dizendo que erraram em não fugir. E com este vírus está cada vez mais difícil conseguir levar a nossa solidariedade às famílias e isso faz com que as pessoas sofram ainda mais”.

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