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D. José Augusto Traquina Maria, Bispo de Santarém, em Portugal  D. José Augusto Traquina Maria, Bispo de Santarém, em Portugal  

Portugal/ pandemia: “Que nos consideremos mais fraternalmente”

Entrevista à VATICAN NEWS de D. José Traquina, bispo de Santarém e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, da Conferência Episcopal Portuguesa.

Domingos Pinto – Lisboa

 “É, de facto, um momento para darmos graças a Deus pelo mundo, pelo que temos, isto é, pelo Planeta Terra, pela criação que nos envolve e da qual nós fazemos parte. Nós somos como que responsáveis, guardadores, cuidadores desta criação, que é, existe, e se mantém por nós e por causa de nós.

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É desta forma que D. José Traquina, bispo de Santarém e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana evoca a importância do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação que hoje se assinala.

É neste contexto que surge a nota divulgada por aquele organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, na qual se refere que este tempo da pandemia originada pelo coronavírus Covid-19 também tem sido “marcado pelo cuidado com os mais frágeis” e são “tantos exemplos” que se conhecem, direta ou indiretamente.

“Temos o desafio de olharmos com responsabilidade para este Planeta, o desafio de construir uma sociedade mais justa, e temos o desafio de deixar o mundo melhor do que encontrámos”, diz o bispo de Santarém numa referência à encíclica ‘Laudato Si´, assinada pelo Papa Francisco há cinco anos.

Para D. José Traquina, “temos de nos interrogar que tipo de mundo queremos deixar a quem vem suceder-nos”.

“Não simplesmente uma fruição desenfreada e consciente desta responsabilidade, mas criar um novo estilo de vida, uma forma de estar, uma consciência de estar uns com os outros em que seja possível uma dimensão de bem comum, de fraternidade, de convivência social, de respeitabilidade, onde o respeito pela criação e o respeito pelo nosso próximo cresçam a par”, sublinha.

D. José Traquina sublinha depois uma grande preocupação com “o desemprego da juventude”, e ainda “o desemprego global que vai aumentar como resultado desta pandemia”.

O bispo de Santarém reafirma aqui preocupações com “os mais fragilizados da sociedade, os mais pobres, e também o cuidado que devemos ter com os estrangeiros, os migrantes, não só os portugueses que vivem no estrangeiro, e são muitos, mas também os estrangeiros que vivem em Portugal”.

“Esta é uma realidade que não podemos deixar de ter em conta quando falamos de justiça social,  quando falamos de igualdade de oportunidade dos mais vulneráveis”, refere o prelado  que lembra propostas da ‘Laudato SI`, como “o diálogo sobre o meio ambiente, o diálogo sobre a política e a economia, o diálogo a nível internacional, o diálogo e transparência nos processos decisórios”.

“Aquilo que mais desejamos como efeito desta pandemia é que nos consideremos mais fraternalmente,” conclui D. José Traquina que espera que haja “capacidade de olhar o mundo de outra maneira, olhar o mundo como esperança”.

 

01 setembro 2020, 12:49