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XII Encontro Nacional para Juristas em Fátima XII Encontro Nacional para Juristas em Fátima 

“Ideologia do género quer excluir aquilo que é para nós a família”

XII Encontro Nacional para Juristas organizado pela Associação Portuguesa de Canonistas debateu em Fátima as questões da ideologia do género a partir da antropologia cristã.

Domingos Pinto - Lisboa

"A coerência em primeiro lugar; depois a afirmação dos nossos valores”.

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O desafio é lançado em entrevista à VATICAN NEWS pelo padre Manuel Joaquim Estevão da Rocha, Presidente da Associação Portuguesa de Canonistas no contexto do XII Encontro Nacional para Juristas que teve lugar de 2 a 5 de setembro em Fátima.

«Homem e Mulher os criou» - foi o tema de fundo do encontro inspirado no documento da Congregação para Educação Católica lançado em fevereiro sobre este tema, uma reflexão que remete desde logo para “esta questão da ideologia do género”, sublinha o sacerdote.

A ideologia do género tem estado em foco em Portugal em virtude de alguns episódios recentes, como o caso de uma família de Famalicão, dois irmãos que, por opção dos pais, não assistiriam às aulas da disciplina de ‘Educação para a Cidadania’.

Surgiu neste contexto um manifesto ‘em defesa das liberdades de educação’, assinado por uma centena de personalidades da sociedade portuguesa, entre as quais o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e o bispo de Aveiro e presidente da Comissão Episcopal Educação Cristã e Doutrina da Fé, D. António Moiteiro.

No documento, os subscritores consideram “imperativo” que as políticas públicas de educação, em Portugal, “respeitem sempre escrupulosamente a prioridade do direito e do dever das mães e pais de escolherem «o género de educação a dar aos seus filhos»”, como se lê na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Sabíamos o que é que se estava a passar nas escolas através dessa tal disciplina, sabíamos algumas reações que íamos encontrando, e, portanto, esse foi o pano de fundo”, diz ao portal da Santa Sé o Presidente da Associação Portuguesa de Canonistas que dá um exemplo das dificuldades criadas pela ideologia do género.

“Vamos supor um caso concreto, pedir o crisma de uma rapariga batizada como Maria e agora é um João que vem pedir para celebrar o sacramento do crisma. Como é que respondemos?”

“A ideologia do género pretende excluir aquilo que é para nós a família”, sublinha o padre Manuel Joaquim Estevão da Rocha que considera essencial afirmar “a nossa antropologia e à luz dela perceber estas questões sobre a ideologia do género”.

O sacerdote realça a intervenção no encontro de D. António Couto, bispo de Lamego, segundo o qual “estamos numa sociedade onde vale tudo e tudo vale o mesmo. Uma sociedade sem umbigo, sem mãe”.

Para o Vigário Geral da Diocese de Aveiro, “a ideologia do género não é uma questão de sexualidade, mas é uma forma de organização da sociedade em que as palavras usadas servem para camuflar a realidade”.

“A ideologia do género pretende excluir aquilo que é para nós a família”, acrescenta o sacerdote que considera que “temos de ser coerentes com a nossa fé e com os nossos valores.”.

“Ser só do contra não resolve. Ostracizar só por ostracizar, não resolve”, alerta o Presidente da Associação Portuguesa de Canonistas que deixa um desafio: “Temos de voltar a falar de Deus. Ele é a notícia para o mundo de hoje”.

  

14 setembro 2020, 10:42