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De acordo com as Nações Unidas, o agravamento das condições de trabalho e outros fatores causaram insegurança alimentar aguda para 33 milhões de pessoas no sul e sudeste da Ásia desde fevereiro passado. De acordo com as Nações Unidas, o agravamento das condições de trabalho e outros fatores causaram insegurança alimentar aguda para 33 milhões de pessoas no sul e sudeste da Ásia desde fevereiro passado.  (AFP or licensors)

Combater o vírus da pobreza, exorta cardeal Charles Bo

O purpurado birmanês também fez referência aos dados da Oxfam, segundo os quais pelo menos 12.000 pessoas por dia morrerão de fome caso o contágio continuar, enquanto o vírus mata entre 6.000 e 9.000 a cada dia.

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"Não é apenas o coronavírus que está devastando a humanidade hoje. Há também o vírus da ganância, da exploração, da fome e da opressão."

São fortes as palavras usadas pelo cardeal Charles Bo, arcebispo de Yangon, Mianmar, e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC) na Missa do último domingo. Na homilia - relata a agência Uca News - o purpurado expressou grande preocupação pelo impacto das restrições anti-contágio sobre os mais pobres, privados dos meios de subsistência, com destaque para os dados relativos à fome no mundo que a pandemia está destinada a agravar. Números alarmantes.

De acordo com o recente relatório da FAO sobre o estado da segurança e nutrição alimentar no mundo, publicado em junho, 690 milhões de pessoas sofreram de fome em 2019 (das quais 144 milhões são crianças), 10 milhões a mais que em 2018.

Neste ano, de acordo com as estimativas da organização, somam-se a este número pelo menos outros 130 milhões de famintos, elevando o total para mais de 820 milhões.  Números estes - os 130 milhões - que podem quase dobrar até o final do ano devido à Covid-19.

 

O cardeal Bo também citou dados da Oxfam, segundo os quais pelo menos 12.000 pessoas por dia morrerão de fome caso o contágio continuar, enquanto o vírus mata entre 6.000 e 9.000 a cada dia.

É “um genocídio silencioso, mas que assusta como o número das vítimas da guerra mundial”, comentou o arcebispo de Yangon. "Não é falta de comida, mas de justiça".

Um dos continentes mais afetados e expostos às consequências econômicas da pandemia é precisamente a Ásia, onde já se registra o maior número de pessoas que enfrentam escassez dramática de alimentos.

 Somente no sudeste da Ásia, 61 milhões de pessoas estão sofrendo de desnutrição, número que deve aumentar com o coronavírus. De acordo com as Nações Unidas, o agravamento das condições de trabalho e outros fatores causaram insegurança alimentar aguda para 33 milhões de pessoas no sul e sudeste da Ásia desde fevereiro passado.

Entre os 11 países da região, o mais afetado pela Covid-19 é atualmente a Indonésia, com 5.452 mortes e 116.871 casos positivos, seguido pelas Filipinas, com 2.123 mortes e 115.980 infecções, e a Malásia, com 125 óbitos e 9.023 casos, enquanto no Camboja, Laos e Timor-Leste não foram registradas mortes.

Referindo-se ao sudeste da Ásia, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, enfatizou em 30 de julho que na atual emergência sanitária é essencial que esses países enfrentem o problema das desigualdades sociais, tornem suas economias mais ecológicas e promovam os direitos humanos.

Vatican News Service - LZ

06 agosto 2020, 07:43