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Menina síria em campo de refugiados no Vale de Bekaa Menina síria em campo de refugiados no Vale de Bekaa  (AFP or licensors)

Projetos da AIS levam esperança à população libanesa atingida pela Covid-19

As explosões no porto de Beirute em 4 de agosto trouxeram mais dor e sofrimento ao Líbano, mas não se deve esquecer a dor e o sofrimento que já estavam presentes no país devido à epidemia de Covid-19 que também empobreceu a população.

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A Fundação de direito pontifício Ajuda à Igreja que Sofre (ACS, sigla em italiano) não esquece dos cristãos do Líbano que se encontram em situação de grande dificuldade e aprova três projetos de ajuda em resposta à emergência vivida pelas famílias mais vulneráveis ​​e refugiados na região de Zahleh e no Vale Bekaa.

Permanecer ao lado da população

 

A Igreja no Líbano sempre desempenhou um papel vital na resposta às exigências sociais, econômicas e políticas de sua população. “Hoje, todo o nosso povo está lutando para obter o pão de cada dia. Continuaremos fazendo tudo o que está em nosso poder para estar ao seu lado nestes tempos difíceis”, disse o arcebispo grego-melquita Issam John Darwish, de Zaleh, a principal cidade do governatorado de Bekaa, no Líbano.

Dois desses projetos tem por finalidade fornecer bens de primeira necessidade às famílias mais vulneráveis, incluindo alimentos e artigos de higiene. O arcebispo Darwish pediu fundos para dois mil pacotes de alimentos básicos para aliviar o sofrimento de tantas famílias da cidade e do Vale do Bekaa. A situação atual é tão grave, devido à crise do coronavirus, que muitas dessas famílias não conseguem nem mesmo sair em busca de suprimentos para atender suas necessidades básicas.

Um raio de sol que traz esperança

 

Um segundo projeto, por outro lado, ajudará cem famílias nas paróquias da Diocese maronita de Baalbek e Deir el-Ahmar, ao norte do Vale do Bekaa. Graças a essa ajuda, as famílias que vivem abaixo da linha de pobreza terão pelo menos um pouco de segurança nos próximos três meses.

 

“A vossa ajuda financeira é da maior importância e chegou justamente quando era mais necessária - afirma Mireille Bechara, diretora de projetos da Diocese maronita de Baalbek, que agradece ao arcebispo Darwish. Essa ajuda terá um impacto real e ajudará um grande número de pessoas necessitadas. Não temos palavras para expressar nossa gratidão. São esses gestos maravilhosos de outros que nos fazem seguir em frente quase todos os dias. Isso é de grande ajuda para nós em um momento muito difícil, um raio de sol que nos traz um pouco de esperança".

Centro de testes para Covid-19

 

Além desses dois projetos, e dado o número crescente de contágios por Covid-19 e a falta de capacidade de testes no país, a ACS apoia a criação de um centro de teste Covid-19 no Hospital Tel Chiha em Zaleh, um hospital criado pela Arquidiocese melquita de Zaleh e Furzal para a cidade e região em torno do Bekaa e um elemento indispensável na luta para aliviar a situação crítica que enfrenta a população.

O hospital está localizado em uma das regiões mais pobres do Líbano e o número de pacientes com Covid-19 aumentou significativamente, especialmente na área próxima à fronteira com a Síria. O único hospital estatal que realiza exames Covid-19, de fato, envolveu-se em um escândalo ao fornecer resultados falsos e ao descobrir que o médico responsável pelo laboratório de análises trabalhava com diploma falsificado.

Caos e medo

 

"As pessoas em Zahleh e no Vale do Bekaa vivem em uma situação de caos e medo. Nas últimas duas semanas, o número de pacientes aumentou dramaticamente em todas as regiões, especialmente em Zaleh e no Vale do Bekaa, e nosso sistema de saúde está prestes a atingir a sua capacidade máxima”, explica o arcebispo Darwish, o que motivou a criação de um centro dentro do hospital católico, para prestar assistência à população local que chega a cerca de 150 mil pessoas, incluindo refugiados.

“Temos a vida das pessoas nas mãos - continua o arcebispo - e devemos oferecer a elas um hospital em que possam confiar. No momento, as pessoas da região não têm sequer certeza de que os resultados dos testes estejam corretos, então há uma necessidade urgente de voltar e refazer os testes, para que eles possam rastrear o vírus mais de perto."

As explosões no porto de Beirute em 4 de agosto trouxeram mais dor e sofrimento ao Líbano, mas não se deve esquecer a dor e o sofrimento que já estavam presentes no país devido à epidemia de Covid-19 que também empobreceu a população.

Presença de cristãos no País dos Cedros

 

Em se tratando de população, não é realizado um censo no Líbano desde 1932; no entanto, o último estudo conduzido pela Statistics Lebanon estima que a percentagem de cristãos no país gire em torno dos 44% da população total. Mas a grave crise econômica e política, há muitos anos leva muitos cristãos a emigrar, cansados ​​da corrupção, da falta de confiança no governo e nos políticos.

De acordo com o último relatório da Ajuda à Igreja que Sofre sobre liberdade religiosa no mundo, no entanto, a porcentagem de cristãos pode ter caído para cerca de 32,2% da população total. São cerca de 6 milhões de libaneses, aos quais se somam cerca de um milhão de refugiados, a maioria deles muçulmanos sunitas, fugidos da guerra na Síria.

Apesar dessa imigração, o Líbano ainda é o país do Oriente Médio com o maior percentual de cristãos entre a população total e um dos poucos onde não sofrem problemas de discriminação social ou política: muitos cristãos iraquianos e sírios, de fato, buscaram refúgio no País dos Cedros após anos de perseguição e guerra nos próprios países.

Vatican News Service - RB

27 agosto 2020, 12:07