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Igreja na Austrália dedica Domingo da Justiça Social à saúde mental

O presidente da Conferência Episcopal Australiana, dom Coleridge, lembra que o distúrbio mental pode afetar qualquer pessoa a qualquer momento e que neste período de emergência sanitária está destinado a piorar devido à perda de empregos e renda, insegurança, mas também devido à violência doméstica e às tensões familiares que o isolamento social tem aumentado

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Fazer da saúde mental uma prioridade política e social, sobretudo neste tempo de emergência sanitária da Covid-19, trabalhando ativamente contra a exclusão e o estigma e apoiando as pessoas afetadas.

Este é o convite de fundo dirigido às comunidades e instituições no documento pastoral dos bispos australianos “To Live Life to the Full: Mental health in Australia today” (“Viver a vida em sua plenitude: a saúde mental na Austrália hoje”).

No próximo 30 de agosto, Domingo da Justiça Social

O texto, de 20 páginas, foi publicado no site da Conferência Episcopal Australiana (Acbc) em vista do Domingo da Justiça Social, que será celebrado no próximo 30 de agosto e que este ano é dedicado ao distúrbio mental.

No prefácio, o arcebispo de Brisbane e presidente da Conferência episcopal, dom Mark Coleridge, lembra que o distúrbio mental pode afetar qualquer pessoa a qualquer momento e que neste período de emergência sanitária está destinado a piorar devido à perda de empregos e renda, insegurança, mas também devido à violência doméstica e às tensões familiares que o isolamento social tem aumentado.

Também Jesus foi rotulado como “louco”

“O distúrbio mental não é um fracasso moral, o resultado de uma falta de fé ou fraqueza”, adverte dom Coleridge. “Jesus também foi rotulado como 'louco' e, como nós, sofreu estresse psicológico. As pessoas que são afetadas não são 'outras', somos 'nós' e precisam de nossa compreensão e apoio”, enfatiza o presidente dos bispos australianos.

“O documento chama a atenção em particular para as pessoas mais vulneráveis da sociedade australiana e mais expostas ao distúrbio mental devido à pobreza, condições de vida e de insegurança: as comunidades aborígines, os requerentes de asilo e refugiados, sem-teto, prisioneiros, idosos.”

Quanto às respostas que a sociedade é chamada a dar a este problema social, os bispos saúdam os processos de de-institucionalização no campo da saúde psiquiátrica na Austrália, mas ao mesmo tempo apontam que ainda há uma falta de serviços de higiene mental adequadamente financiados cobrindo não apenas os casos mais agudos. Criou-se, desse modo, um fosso no sistema “em que as pessoas continuam caindo”.

Promessa de Jesus de plenitude é para todos

O problema subjacente é a tendência da sociedade “de remover ou afastar aqueles que nos forçam a enfrentar nossas fragilidades e limitações”, evidencia a Igreja australiana.

Isto “em total contraste com a história de Jesus” que “assume sobre si a fragilidade da condição humana” e “se aproxima dos doentes, dos deficientes, dos marginalizados ou dos renegados”.

“As pessoas que vivem com problemas de saúde mental – ressaltam – fazem parte do Corpo de Cristo e compartilham da mesma forma a promessa de Jesus da plenitude da vida (Jo 10,10).”

Paróquias devem ser lugares de acolhida, cuidado e cura

Daí, o convite às paróquias e comunidades locais a rejeitar o estigma, a intervir ativamente nas causas sociais do distúrbio mental e também a solicitar políticas e serviços que respondam às exigências dos membros mais pobres e marginalizados da sociedade.

“Nossas paróquias, organizações e comunidades devem ser lugares de acolhida, cuidado e cura, não de rejeição ou julgamento.”

Além disso, como constantemente nos lembra o Papa Francisco, “devemos tomar a iniciativa de sair ao encontro daqueles que foram empurrados para as margens da sociedade, em vez de esperar que eles venham até nós em busca de acolhida.

Vatican News Service – LZ/RL

04 agosto 2020, 14:44