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Inglaterra. Líderes religiosos unidos no sinal da "Laudato si'"; urgente salvar o planeta

No quinto aniversário Laudato si’, os líderes religiosos britânicos lembram a urgência de uma mudança; para promover uma visão da terra como casa comum a ser compartilhada igualmente; para proteger a biodiversidade e recuperar os ecossistemas; trabalhar juntos para reduzir substancialmente as emissões de carbono e a trabalhar em rede com outras organizações para diminuir o impacto das mudanças climáticas sobre os mais pobres e vulneráveis

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Assegurar uma estratégia de retomada pós-Covid com o objetivo prioritário de reduzir o impacto catastrófico das mudanças climáticas no planeta; implementar políticas que tornem todos os setores da economia ecologicamente sustentáveis; assumir sua parte de responsabilidade no apoio a uma transição ecológica global e justa, inclusive através de uma abordagem diferente nas políticas comerciais, nos investimentos e nas ajudas a outros países; usar a presidência britânica da próxima Cop 26 em Glasgow, na Escócia, para alcançar os objetivos estabelecidos pelo acordo climático de Paris e, desse modo, proteger a biodiversidade e recuperar o ecossistema.

Estes são os cinco pedidos formulados por líderes religiosos britânicos numa carta aberta ao governo Johnson por ocasião da "!London Climate Action Week", a Semana de Ação pelo Clima promovida com o patrocínio do prefeito de Londres Sadiq Aman Khan.

Agora em sua segunda edição, este ano, devido à emergência Covid-19, a semana se desenvolve em duas fases: uma, que acaba de se realizar, com cerca de setenta compromissos e debates on-line, e outra, em novembro, para chamar novamente a atenção sobre a emergência climática em vista da 26ª Conferência da ONU sobre o clima que se realizará no próximo ano em Glasgow.

Estreita relação entre as emergências climáticas e ambiental

A carta, que traz como primeira assinatura a do responsável pelas questões ambientais na Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales (Cbcew), dom John Arnold, e que também é assinada pelos responsáveis de várias organizações inter-religiosas comprometidas com o meio ambiente, é um forte apelo ao governo britânico a desenvolver no pós-Covid-19 uma nova “visão” compartilhada pela casa comum que se baseia na “sustentabilidade e respeito pela natureza” e seus recursos limitados, bem como “nos princípios da justiça e da responsabilidade”.

“Segundo os líderes religiosos, a emergência Covid-19 ensinou muito neste sentido: nos fez compreender como estamos interligados e a estreita relação entre a emergência sanitária e a emergência ambiental e mostrou 'mais uma vez que em tempos de crise a injustiça se torna mais evidente, e que são os pobres e os mais vulneráveis' os que mais sofrem.”

“Tudo isso nos mostra como nossos ‘negócios como sempre’ eram precários do ponto de vista social, econômico, ecológico e espiritual”, sublinha a carta. E mesmo assim, a humanidade soube também demonstrar sua capacidade de adaptação às novas realidades: “Muitas pessoas descobriram um profundo senso de espiritualidade. Vimos a possibilidade de criar uma sociedade mais sustentável e generosa, na qual nos preocupamos mais profundamente uns com os outros e com o mundo”, observam os líderes religiosos.

A urgência de uma mudança

Aproveitar a oportunidade única e imperdível desta crise para “desenvolver uma nova visão compartilhada para o futuro", baseada no reconhecimento de nossas limitações “num ecossistema do qual somos apenas uma parte”: é este, portanto, o convite dirigido aos atores políticos, mas também sociais, pelos líderes religiosos britânicos que lembram que todas as religiões ensinam que “o planeta e seus recursos nos foram dados apenas por empréstimo” e que, por conseguinte, “somos responsáveis não somente diante Deus, mas também perante nossos filhos e o próprio futuro da humanidade”.

No ano em que se celebra o quinto aniversário da Carta encíclica do Papa Francis Laudato si’, os líderes religiosos britânicos renovam, por sua vez, o compromisso de fazer ouvir suas vozes para lembrar a urgência de uma mudança; para promover uma visão da terra como casa comum a ser compartilhada igualmente; para proteger a biodiversidade e recuperar os ecossistemas; trabalhar juntos para reduzir substancialmente as emissões de carbono e a trabalhar em rede com outras organizações para diminuir o impacto das mudanças climáticas sobre os mais pobres e vulneráveis; e, por fim, para aumentar a conscientização entre suas respectivas comunidades de fé.

Vatican News – LZ/RL

13 julho 2020, 13:58