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Filipinos acompanham pronunciamento do presidente Duterte Filipinos acompanham pronunciamento do presidente Duterte 

É preciso agir contra as injustiças sociais, defendem bispos filipinos

O administrador apostólico de Manila exortou os católicos a "falar em nome da verdade, porque a justiça deve prevalecer", transformando "os sistemas injustos". O compromisso dos católicos é necessário para levar a reconciliação a todo o país. Após o pronunciamento do presidente filipino ao país, também bispos se manifestaram.

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Não devemos ter medo de falar e agir contra as injustiças sociais: este é o encorajamento dirigido aos fiéis pelo arcebispo Broderick Pabillo, administrador apostólico da Arquidiocese de Manila, nas Filipinas, durante a celebração de uma Missa "pela justiça e pela paz" no dia 27 de julho, na igreja de Quiapo.  Dom Pabillo está em quarentena depois de ter testado positivo para aCovid-19. Sua homilia foi lida pelo reitor da igreja de Quiapo, monsenhor Hernando Coronel, que oficiou o rito litúrgico.

Em particular, o administrador apostólico de Manila exortou os católicos a "falar em nome da verdade, porque a justiça deve prevalecer", transformando "os sistemas injustos". O compromisso dos católicos - acrescentou ele - é necessário para levar a reconciliação a todo o país.

Em sua reflexão, o administrador apostólico de Manila fez votos que o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, possa colocar em prática "soluções concretas" para o país, sobretudo diante do "impacto socioeconômico" que a pandemia de coronavírus teve e está tendo na população.

“Não é o momento de se vangloriar dos resultados, nem de criticar ou lisonjear as pessoas. Queremos a verdade, reiterou Dom Pabillo. Neste sentido, um ulterior convite aos fiéis para "ouvir atentamente e analisar conscientemente" o que é dito pelas autoridades estatais, porque "não é automático que seja tudo credível e verdadeiro". Esse trabalho crítico é essencial porque - concluiu o prelado filipino - "não se pode ser bons cristãos se não se é bons cidadãos”.

A homilia de Dom Pabillo foi lida pouco antes de Duterte fazer seu "Discurso à nação" em que, entre outras coisas, voltou a insistir na necessidade de pena de morte para os traficantes de drogas, sublinhando como a introdução desta medida é dissuasiva para os criminosos.

A resposta da Igreja Católica foi imediata: o presidente da Comissão Episcopal para a pastoral penitenciária, Dom Joey Baylon, enfatizou que "o alegado efeito dissuasor da pena de morte foi repetidamente negado em vários estudos". E não só: um recente relatório das Nações Unidas destacou como a guerra ao tráfico de drogas desencadeada por Duterte, de fato, aumentou o número de homicídios em um contexto de "quase total impunidade".

Disto, o chamado de Dom Baylon para escolher, antes, "justiça regenerativa", pois "mais digna" para a vida humana. De fato, com a pena capital, a justiça se torna apenas "uma punição" que não ajuda o culpado a "mudar".

Na mesma linha o bispo de Balanga, Dom Ruperto Santos, que também alertou para o mesmo risco: a introdução da pena de morte nas Filipinas acabaria por enfraquecer os pedidos do Estado para salvar os filipinos detidos no corredor da morte em países estrangeiros.

"Com a pena de morte - explicou o prelado -, perdemos a autoridade moral e a credibilidade necessárias para salvar a vida de nossos compatriotas no exterior".

Por fim, o diretor da Caritas nacional, Dom José Colin Bagaforo, exortou o governo à unidade antes que ao poder pessoal, em nome do bem comum do país, especialmente neste período de pandemia de coronavírus.

Os casos de contágio, de fato, não mostram sinais de diminuir; o que é necessário, portanto, é "um plano concreto para melhorar o sistema nacional de saúde e a prestação de serviços públicos às áreas mais vulneráveis ​​da população".

Vatican News Service - IP

29 julho 2020, 07:22