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Conferência das Igrejas Europeias: juntos, testemunhas de esperança

O fortalecimento da paz, da justiça e da reconciliação na Europa; o fortalecimento da fraternidade ecumênica e a promoção da missão da Igreja; a difusão da voz das Igrejas na Europa e nas instituições europeias. “Todavia, o trabalho realizado em 2019 disse respeito também a temas muito concretos, como as migrações, os direitos humanos, a bioética e a proteção do ambiente.” O relatório anual 2019 e o plano estratégico adotado para o período 2019-2023

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“Juntos, testemunhas de esperança”, esta é a palavra de ordem que o Conselho de direção da Conferência das Igrejas Europeias escolheu para guiar o plano estratégico adotado para o período 2019-2023.

“Uma palavra que evoca os princípios fundamentais que inspiram a ação da Conferência das Igrejas Europeias que já tem sessenta anos de existência: o aprofundamento dos laços intereclesiais; a cooperação ecumênica na Europa; a vontade de testemunhar o Evangelho no coração da sociedade, não somente através de uma pregação do Cristo que reconcilia o mundo através de sua obra de paz e de justiça, mas também graças a presença e a palavra da Igreja no coração das cidades e nos desafios do mundo.”

São as palavras introdutórias do relatório anual da Conferência das Igrejas Europeias referente a 2019, expressas por seu presidente, o pastor francês Christian Krieger.

Promoção da paz e da reconciliação

“Desde a sua fundação em 1959 – recorda –, a Conferência das Igrejas Europeias jamais cessou de promover a paz e a reconciliação numa Europa ferida e devastada por dois grandes conflitos, mas as numerosas e profundas transformações permanentes de nossas sociedades neste Séc. XI tornam mais do que nunca necessárias a presença e a palavra da Igreja junto às instituições europeias hoje em busca de refundação; uma palavra que a Conferência das Igrejas Europeias traz consigo e busca fazer de modo que se possa ouvir em meio à agitação do mundo”.

O relatório é subdividido em três partes, que correspondem às três temáticas contidas no plano estratégico para o período 2019-2023, definido – recorda o secretário geral Jørgen Skov Sørensen – durante a assembleia geral de 2018, realizada em Novi Sad, na Sérvia: o fortalecimento da paz, da justiça e da reconciliação na Europa; o fortalecimento da fraternidade ecumênica e a promoção da missão da Igreja; a difusão da voz das Igrejas na Europa e nas instituições europeias.

“Todavia – ressalta –, o trabalho realizado em 2019 disse respeito também a temas muito concretos, como as migrações, os direitos humanos, a bioética e a proteção do ambiente.”

Diálogo com a União Europeia e o Conselho da Europa

Entre os eventos principais de 2019, a conferência sobre a paz organizada em Paris pela Conferência das Igrejas Europeias. Conferencistas de várias confissões cristãs, bem como de tradição judaica ou muçulmana, refletiram juntos sobre o tema, avaliando as repercussões dos tratados de paz assinados em Versalhes em 1919.

A Conferência das Igrejas Europeias evocou também o diálogo entre as Igrejas históricas e as Igrejas dos “migrantes” e das “minorias étnicas”. Esse tema foi desenvolvido por teólogos e líderes ecumênicos numa reunião da Conferência realizada na Finlândia.

A presença da Conferência das Igrejas Europeias em Bruxelas e Estrasburgo, ressalta o relatório, permite às Igrejas dialogar com as instituições, em particular com a União Europeia (UE) e o Conselho da Europa.

Valores comuns que modelam o futuro da Europa

Em 2019, por ocasião da Festa da Europa, celebrada em 9 de maio, os responsáveis pela Conferência das Igrejas Europeias se expressaram diante dos líderes europeus reunidos em Sibiu, na Romênia, no encontro UE sobre o futuro do continente, aproveitando a ocasião para proclamar os valores comuns que modelam o futuro da Europa e capazes de reunir as nações do Velho Continente para uma paz duradoura.

A sexta edição da universidade de verão sobre os direitos humanos, realizada em Lisboa, abordou a questão da liberdade de expressão durante este período de crescente populismo.

Liberdade de expressão e contraste a discursos de ódio

Mais de 60 participantes provenientes de várias nações, etnias e religiões identificaram juntos os vários modos para defender a liberdade de expressão e contrastar os discursos de ódio e os crimes de ódio, em particular nos contextos religiosos. As questões do populismo e dos direitos humanos foram objeto de um simpósio da Conferência das Igrejas Europeias realizado em Málaga, na Espanha.

No relatório recorda-se também o simpósio intitulado “A contribuição das Igrejas para uma sociedade sustentável. Entre desespero e esperança: o que deve ser feito e como fazê-lo?”, organizado de 25 a 28 de maio em Oslo pela Igreja da Noruega em colaboração com a Rede cristã europeia para o ambiente (Ecen).

Por fim, ao longo do ano a Comissão das Igrejas para os migrantes na Europa (Ceme) continuou dando forte apoio à proteção dos refugiados, formulando em particular recomendações no que diz respeito à Diretriz da Comissão Europeia sobre os repatriamentos.

(L’Osservatore Romano)

22 julho 2020, 09:08