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África, Dia do Secam. Ouédraogo: "Devemos ser guardiões um do outro"

É vergonhoso e deplorável que nem mesmo a "Covid-19 tenha desencorajado a violência e o terrorismo em alguns países da África; continuamos nos matando todos os dias. Unamos nossas vozes ao Santo Padre, o Papa Francisco, e a outros líderes mundiais no apelo em favor do fim imediato da violência em toda a África e no restante do mundo”: afirma o cardeal burquinense Ouédraogo em mensagem em vista do Dia do Secam, a ser celebrado este ano em 2 de agosto

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“A Covid-19 evidenciou o quanto somos vulneráveis, independentemente da cor ou do status, e que o que acontece num país afeta as pessoas em outro. Na verdade, mostrou que somos um só povo e que devemos ser os guardiões um do outro.”

Assim se expressa o arcebispo de Uagadugu, em Burkina Fasso, e presidente do Secam, o Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar, cardeal Philippe Ouédraogo, em sua mensagem difundida para o Dia do Secam – instituído em 2014 por ocasião do 45º aniversário de sua fundação – que é celebrado em 29 de julho de cada ano.

Este ano, o Dia do Secam será celebrado em 2 de agosto

Este dia é uma oportunidade para falar sobre o Simpósio – formado por 37 Conferências episcopais nacionais e 8 Conferências regionais africanas – para permitir aos católicos de todo o continente e das ilhas serem mais bem informados sobre sua existência, seu trabalho e missão, e para convidá-los a apoiá-lo.

Para tal, quando o dia 29 de julho cai em um dia da semana, a celebração é transferida para o domingo sucessivo. Portanto, este ano o Dia do Secam será celebrado em 2 de agosto e, devido à emergência do coronavírus, não será acompanhado pela coleta especial, destinada a apoiar as atividades do Simpósio.

Em sua mensagem, o cardeal Ouédraogo quis enfatizar como, infelizmente, um ano após o Jubileu de Ouro do Secam, celebrado em Campala, Uganda, onde se reuniu pela primeira vez por ocasião da visita do Papa Paulo VI, em 1969, a situação na África e nas ilhas vizinhas não mudou, dentro e fora da Igreja, aliás, se agravou por causa da pandemia do coronavírus que criou caos em todos os lugares.

África, continente mais afetado pelos efeitos do coronavírus

De fato, explica o purpurado, um relatório recente da Caritas Internacional mostrou que a África é o continente mais afetado pelos efeitos da Covid-19. Nesta situação, o arcebispo de Ouagadougou convida seus irmãos e irmãs africanos a ter coragem, a não ceder ao desespero, a continuar rezando e esperando o tempo de Deus.

“Este é um momento em que todos os povos africanos devem dar novamente valor à solidariedade que plasmou nossa visão de mundo e a nossa sociedade tradicional.”

“Desta forma, seremos capazes de enfrentar melhor o impacto da pandemia e fazer com que nossas economias se transformem, contando com o poder do Espírito Santo, que nos dá a graça de amar e ser compassivos. Neste tempo em que muitos se encontram necessitados, vamos ajudá-los a experimentar o amor de Deus.”

Indignação diante da violência e do terrorismo

Em seguida, o cardeal manifesta sua indignação diante da violência e do terrorismo que ainda ensanguentam alguns países africanos.

“É vergonhoso e deplorável que nem mesmo a mortal Covid-19 tenha desencorajado a violência e o terrorismo em alguns países da África; continuamos nos matando todos os dias. Unamos nossas vozes ao Santo Padre, o Papa Francisco, e a outros líderes mundiais no apelo em favor do fim imediato da violência em toda a África e no restante do mundo”, escreve.

Também momentos de alegria durante o ano que passou

No entanto, apesar dos muitos momentos de tristeza, também houve momentos de alegria durante o ano passado, ressalta o cardeal, agradecendo a Deus por suas bênçãos.

O purpurado agradece aos bispos, clero, religiosos e leigos por seu compromisso com a evangelização, apesar dos desafios atuais; aos governos por seus esforços para conter a propagação do coronavírus no continente e encoraja os líderes a continuar protegendo a saúde da população; e aos profissionais da saúde, incluindo as irmãs religiosas que demonstraram extraordinária dedicação na tentativa de aliviar o sofrimento dos doentes.

Por fim, para concluir, o presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar quis agradecer àqueles que trabalham para o Secam e àqueles que, dentro e fora da África e Madagascar, apoiaram o organismo durante o ano que passou.

Vatican News Service –AP/RL

28 julho 2020, 13:59