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Foto by Francesco Alesi (Save the Children) Foto by Francesco Alesi (Save the Children) 

De prisão na Itália, máscaras para crianças em Uganda

"Estamos acostumados a testemunhos de solidariedade, mas nunca teríamos imaginado que tivessem essa grandeza e essa proveniência", declarou comovido aos microfones da Rádio Itália do Vaticano, "I Cellanti", padre Canovi.

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A solidariedade que você não espera, vinda de um ambiente notoriamente hostil: a prisão. O testemunho vem de Karamoja, no nordeste de Uganda, onde em uma região semiárida habitada principalmente por uma comunidade dedicada ao pastoreio, vive e exerce sua missão o comboniano padre Marco Canovi.

Nos últimos dias foi anunciado ao religioso que vive em Uganda há cinquenta anos, que os detentos da prisão da região italiana da Reggio Emilia estão fazendo máscaras para as crianças da missão em Apeitolim.

A ideia partiu de Anna Protopapa, da Associação Gens Nova, que depois de entrar em contato com a realidade da prisão em meio à emergência de saúde de Covid-19, não parou de trabalhar na criação de redes de solidariedade que envolvem também os prisioneiros.

Imediata a adesão do diretor da casa de detenção da região Reggio Emilia, Gianluca Candiano, da comissária-chefe em exercício Rosa Cucca, e sobretudo dos presos. As máquinas de costura foram fornecidas por algumas paróquias da região, enquanto os materiais foram doados por empresas.

"Estamos acostumados a testemunhos de solidariedade, mas nunca teríamos imaginado que tivessem essa grandeza e essa proveniência", declarou comovido aos microfones da Rádio Vaticana Italia, "I Cellanti", padre Canovi. 

“Obrigado em nome das minhas crianças e de seus pais. O governo de Uganda pediu a algumas empresas que fizessem máscaras, mas depois de três meses ainda não recebemos nada. O fato de os prisioneiros na Reggio Emilia pensarem nessa comunidade é realmente algo incrível."

O missionário comboniano revela que o coronavírus não atingiu com violência o país, ao menos por enquanto. "Não temos óbitos, graças a Deus. Mas as restrições aumentaram a taxa de pobreza e houve um aumento nos casos de cólera. Para sobreviver, eles colocam de tudo na boca”, relatou o sacerdote.

"Esta é uma população nômade que perdeu todo o seu gado e para sobreviver, tiveram que optar pela agricultura. Mas não é fácil. Em função da cultura e da história pessoal, eles não estão familiarizados com a enxada e o arado".

Mas pelo menos a pandemia, graças à solidariedade dos presos da Reggio Emilia, não os pegará despreparados. As máscaras para as crianças da missão de Apeitolim chegarão em breve e são feitas de tecidos com desenhos coloridos.

"É um testemunho que encoraja e dá esperança. O egoísmo que muitas vezes caracteriza nossa existência foi superado por um gesto de ternura que comove aqueles que dele tomam ciência", conclui o padre Canovi.

Vatican News – DD

22 junho 2020, 11:50