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Padre Nuno Westood com o Santíssimo Sacramento abençoa moradores em Oeiras Padre Nuno Westood com o Santíssimo Sacramento abençoa moradores em Oeiras  (AFP or licensors)

Os desafios da comunicação em tempo de pandemia

Na pandemia do novo coronavírus cresceu a importância da comunicação. Apresentamos aqui os exemplos da Rádio Renascença e da Agência Ecclesia em Portugal.

Rui Saraiva

No tempo de pandemia que estamos a viver e que nos acompanhará nos próximos meses, ganham espaço no coração de cada um de nós preocupações e incertezas em relação ao futuro. Passadas algumas semanas de desconfinamento, ressurgiram em Portugal novos focos de contágio. Até mesmo no Santuário de Fátima.

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Em toda esta situação continua a crescer a importância da informação e da comunicação. A calamidade causada pelo novo coronavírus aumentou a responsabilidade de quem tem que gerir a estratégia, o processo, os tempos, os canais e as mensagens da comunicação.

A Missa na Rádio Renascença

 

Na primeira reação à declaração de estado de emergência em Portugal, a Rádio Renascença tomou a iniciativa de transmitir diariamente a Eucaristia.  A emissora católica, na reorganização da sua produção devido ao imperativo das razões sanitárias, decidiu que era essencial a presença da Missa no quotidiano da sua emissão. Uma decisão que se revelou essencial para muitas pessoas para quem o contacto com a Rádio Renascença assume um papel estruturante nas suas vidas.

A Eucaristia diária foi muitas vezes presidida pelo próprio Presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença Multimédia e também bispo auxiliar de Lisboa, D. Américo Aguiar. Uma Missa que, em tempo de confinamento, procurava todos acolher num ambiente simples e familiar. Apresentando intenções de oração num ritmo global de transmissão.

A transmissão da Eucaristia diária na Rádio Renascença foi, entretanto, descontinuada, quando foi iniciado o desconfinamento. Mas, o Grupo Renascença Multimédia, neste tempo de pandemia, continua a reforçar, nos seus vários canais e iniciativas, a criatividade dos seus programas e a credibilidade e a responsabilidade da sua informação.

As “Conversas na Ecclesia”

 

Por sua vez, a Ecclesia, agência de notícias da Igreja Católica em Portugal, para além de ter também assumido a transmissão de várias Eucaristias e atos religiosos no seu portal, introduziu uma novidade na sua programação com a iniciativa “Conversas na Ecclesia”. Um espaço para diálogos e partilhas sobre os jovens, a solidariedade, as comunidades digitais, o Papa Francisco e sobre perspetivas culturais.

Em declarações ao programa radiofónico da Ecclesia transmitido pelo canal publico Antena 1, o diretor da Agência Ecclesia, Paulo Rocha, sublinha que iniciar este projeto foi importante por dois motivos: o envolvimento dos jornalistas pelo método da conversa e a manutenção de uma ligação através da palavra.

Curiosamente, foi um comentário do Cardeal Tolentino Mendonça que confirmou ser este o momento para avançar com o projeto “Conversas na Ecclesia”.

Aquando da gravação das reflexões, do arquivista e bibliotecário do Vaticano, para a Semana Santa, que foram publicadas pela Agência Ecclesia, o arcebispo português sublinhou que seria importante investir na palavra.

“Invistam na palavra. Invistam na conversa que têm sobre assuntos que são destes dias” – disse o Cardeal Tolentino a Paulo Rocha.

A ideia foi depois amadurecida e organizada em redação e surgiram, assim, as “Conversas na Ecclesia”, num formato que por ser em videoconferência permite uma participação muito mais diversificada geograficamente “porque a ligação é a mesma para a porta do lado ou para a diocese mais distante” – diz o diretor da Agência Ecclesia.

Respirar a verdade das histórias

 

A propósito da missão de informar, recordemos o que nos diz o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia mundial das Comunicações Sociais neste ano de 2020. Francisco considera ser necessário “respirar a verdade das histórias boas”, aquelas que não desejam destruir, mas edificar. “Uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura” – escreve o Papa recusando uma informação baseada em bisbilhotices, intrigas, violência e falsidades.

Francisco lembra que o “próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias”.

Segundo o Papa através das parábolas e narrativas de Jesus “a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a”.

Francisco, na sua Mensagem, exorta os jornalistas e profissionais de comunicação a usarem de amor e misericórdia no exercício da sua missão, sublinhando a dignidade de cada história humana.

Laudetur Iesus Christus

25 junho 2020, 09:42