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Inglaterra. Bispos de Southwark: "Não há lugar para o racismo"

Nossa fé não se limita a condenar o racismo, mas nos chama também a desafiá-lo, a eliminar as causas e a curar as feridas que provoca. Todos temos nisso um papel a desenvolver, ressaltam os bispos de Southwark. “Não podemos silenciar sobre o racismo”, acrescentam, reconhecendo, em primeiro lugar, que existe: nos indivíduos, nos grupos, nas organizações e na sociedade. Portanto, “é preciso contestá-lo” e superá-lo, sabendo que a violência nunca resolve nada

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“O racismo é incompatível com a  fé católica. Quer se expresse através das atitudes ou comportamento de um indivíduo, ou o comportamento de um grupo, ou através de estruturas injustas na sociedade que excluem e discriminam, não há lugar para o racismo em nenhum momento e em nenhum espaço. E o afirmamos mais uma vez: não há lugar para o racismo.”

Assim se expressam os bispos de Southwark, na Inglaterra, guiados pelo arcebispo John Wilson, numa mensagem enviada na quarta-feira (17/06) aos jovens das escolas católicas da arquidiocese, que cobre todo o sul de Londres, o Kent e a Autoridade unitária de Medway, na qual se comprometem a fazer com que suas paróquias, escolas e comunidades sejam lugares onde todos são acolhidos, onde todos se afirmam, onde todos são encorajados e onde todos são respeitados.

Realidade do racismo na sociedade

Após a morte do afro-americano George Floyd, em 25 de maio passado, por ação de um policial de Minneapolis, que causou indignação e revolta não somente nos EUA, mas também nas cidades do mundo inteiro, incluindo Londres, os prelados, refletindo sobre a realidade do racismo na sociedade e sabendo quantas pessoas são sensíveis a essas questões importantes, sobretudo os jovens, decidiram escrever a todos os estudantes da Arquidiocese de Southwark.

Toda vida humana é sagrada

“Unimo-nos a vocês em pedir justiça e igualdade para toda e qualquer pessoa, independentemente da cor da pele. Nós acreditamos que toda vida humana é sagrada, desde seu início até seu fim natural”, como ensina também o Catecismo da Igreja Católica (CIC), afirmam.

Nossa fé não se limita a condenar o racismo, mas nos chama também a desafiar o racismo, a eliminar as causas e a curar as feridas que provoca. Todos temos nisso um papel a desenvolver. Todos devemos defender os direitos, a igualdade e a santidade de toda vida humana e afirmar que a vida de cada pessoa conta e que a vida de cada negro conta, ressaltam.

Em primeiro lugar, reconhecer que o racismo existe

“Não podemos silenciar sobre o racismo”, acrescentam, reconhecendo, em primeiro lugar, que existe: nos indivíduos, nos grupos, nas organizações e na sociedade. Portanto, “é preciso contestá-lo” e superá-lo, sabendo que a violência nunca resolve nada.

Exemplo de Santa Bakhita

Concluindo, os bispos propõem inspirar-se naquelas pessoas na Igreja que se expressaram contra a escravidão e que batalharam para superar os sofrimentos dos escravos, como Josefina Bakhita, um sudanesa vendida como escrava, levada para Roma e assistida por uma comunidade de irmãs. Declarada Santa no ano 2000, é hoje um exemplo extraordinário daquilo que significa ser cristãos.

Vatican News – AP/RL

18 junho 2020, 12:16