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Bispos das Antilhas: em tempo de coronavírus, um apelo à esperança

Devemos conservar a certeza de que na fé, na esperança e no amor também esta crise regional e global não nos destruirá, aliás, nos oferecerá um momento de graça convidando-nos a encontrar novos caminhos para participar e viver na Igreja de hoje, exortam os bispos, que se dizem “profundamente conscientes do enorme impacto que a pandemia teve sobre todas as pessoas” nas Antilhas

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“Mensagem de esperança”: assim se intitula a nota que a Conferência Episcopal das Antilhas, no Caribe, difundiu dias atrás após sua 64ª Assembleia Plenária, realizada de forma digital, mediante a plataforma Zoom, por causa da pandemia do coronavírus.

Um convite à reflexão

A abertura do documento foi dedicada propriamente às consequências da emergência, convidando a refletir sobre os “desafios” que o povo caribenho teve que enfrentar: “A perda do emprego, especialmente após o colapso da indústria turística, as medidas de isolamento forçado nas habitações para contrastar a difusão do vírus e o fechamento das igrejas, vez que a aglomeração de fiéis poderia representar um eventual perigo”.

Os bispos se dizem “profundamente conscientes do enorme impacto que a pandemia teve sobre todas as pessoas” nas Antilhas. “Muitas delas, emotivamente e espiritualmente esgotadas, explicitaram sua pobreza, fraqueza e vulnerabilidade”, escrevem na mensagem.

Construção criativa das infraestruturas e das relações sociais

“Durante muitos anos tivemos que enfrentar numerosas catástrofes. Toda estação de furacões é o início de um ciclo de ansiedade, desastres e resiliência”, prossegue a mensagem dos bispos.

Responder a tais desafios requer da parte do povo caribenho “uma avaliação realística do que aconteceu” e “um apoio recíproco” que cada um saberá dar “na construção criativa das infraestruturas e das relações sociais.

Novos caminhos para participar e viver na Igreja de hoje

Devemos conservar a certeza de que na fé, na esperança e no amor também esta crise regional e global não nos destruirá, aliás, nos oferecerá um momento de graça convidando-nos a encontrar novos caminhos para participar e viver na Igreja de hoje. Já fomos testemunhas de exemplos, entre casais, famílias e comunidades, desse “novo modo” de ser Igreja”, reitera o episcopado.

Em seguida, os bispos dirigem um forte apelo a todos os líderes políticos locais, a fim de que cooperem unidos, sem ceder à “tentação mesquinha de seguir adiante cada um pelo próprio caminho” para pedir ajudas externas, porque “também os principais benfeitores foram duramente atingidos pela Covid-19. Não é somente o momento de buscar faixas para nossas feridas, afirmam.

Unidade para superar juntos os grandes desafios

Segundo o episcopado das Antilhas, é chegado “o momento de buscar no profundo de nossas consciências e realizar aquela unidade que nos permite superar juntos os grandes desafios”, e “isso é verdadeiro sobretudo no âmbito da segurança alimentar”.

“Nós podemos e devemos ser autônomos” neste setor, reiteram os prelados, manifestando seu apoio àquelas iniciativas que buscam “corrigir as injustiças inerentes aos sistemas globais”.

Ademais, a Conferência Episcopal das Antilhas divulgou quatro prioridades pastorais determinadas pela assembleia plenária: Igreja doméstica, desempregados (sobretudo aqueles que perderam o trabalho por causa da pandemia), adolescentes e jovens adultos, e salvaguarda da criação.

“Querida Amazonia” e “Laudato si’” do Papa Francisco

Prioridades a serem levadas adiante, prossegue a mensagem, no seguimento do que escreveu o Papa na exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazonia: “A autêntica opção pelos mais pobres e abandonados, ao mesmo tempo que nos impele a libertá-los da miséria material e defender os seus direitos, implica propor-lhes a amizade com o Senhor que os promove e dignifica” (n. 63).

Ao mesmo tempo, por ocasião do quinto aniversário da publicação da encíclica do Santo Padre Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum, os bispos das Antilhas afirmam: “Somos profundamente conscientes de que Deus julgará nossa liderança moral e espiritual segundo nosso cuidado para com os fracos e vulneráveis, o sentido de responsabilidade em relação à criação e nossa efetiva unidade diante das dificuldades”.

Mídias sociais: colaboração, comunidade e comunhão

Por fim, um particular apreço ao mundo das mídias sociais que, no tempo da pandemia, foi e é “um instrumento-chave para transmitir mensagens de esperança”. Efetivamente, as redes sociais ajudaram as famílias, as comunidades, as empresas e os amigos a “manter as relações e a construir comunidade” nesta emergência sanitária.

Por conseguinte, os votos dos bispos são de que “o ambiente digital seja usado para construir colaboração, comunidade e comunhão”, prestando atenção particular a “encontrar o modo de incluir também aqueles que estão fora. Este é um momento de provação, não de desespero, Deus é o nosso futuro”, exortam.

Daí, o entregar-se confiantemente à Virgem Maria, a fim de que através da sua intercessão a Igreja possa tornar-se cada vez mais “um apelo à esperança”, conclui a mensagem episcopal.

(L’Osservatore Romano)

05 junho 2020, 09:51