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Os religiosos sempre estiveram integrados na comunidade para testemunhar o seu amor gratuito – oferecendo de todas as formas ajuda de maneira simples e humilde – desejando ser simplesmente cristãos entre os muçulmanos, ao lado dos vizinhos, dos jovens dos idosos ou dos mais necessitados. Os religiosos sempre estiveram integrados na comunidade para testemunhar o seu amor gratuito, desejando ser simplesmente cristãos entre os muçulmanos, ao lado dos vizinhos, dos jovens dos idosos ou dos mais necessitados.   (ANSA)

No Marrocos, oração em memória dos mártires beatificados na Argélia em 2018

Os anos do terrorismo na Argélia foram marcados por atentados e combates entre as forças armadas do governo e fundamentalistas islâmicos,. Cerca de 150 mil pessoas morreram vítimas dos combates e da violência, incluindo os 19 mártires - 13 religiosos, entre os quais um bispo, e 6 religiosa - beatificados em 8 de dezembro de 2018 em Oran.

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Teve início na Diocese de Rabat, Marrocos, a novena em memória dos 19 mártires da Argélia, beatificados em 8 de dezembro de 2018 no Santuário Nossa Senhora de Santa Cruz, em Oran. A novena terminará em 8 de maio, dia em que a Igreja recorda Dom Pierre Claverie e companheiros, assassinados na década de 1990, quando uma onda de terrorismo varreu a Argélia.

"Foram os mártires do maior amor – lê-se no opúsculo da novena, redigido por uma equipe dos Padres Brancos do Magrebe -. Nesta novena, pedimos que eles intercedam para que o amor e a unidade entre as pessoas cresçam, sem nenhum tipo de distinção."

A novena propõe a cada dia um versículo de João 15, 9-17, a apresentação de um dos beatos, a meditação de seus pensamentos ou testemunhos e a oração aos 19 beatos. O oitavo dia propõe a história da beatificação dos mártires da Argélia e uma meditação sobre o significado da palavra beato.

Por fim, no nono dia, é sugerida a "Oração aos nossos beatos", composta por Dom Paul Desfarges, arcebispo de Argel.

Anos sombrios

 

Os anos do terrorismo na Argélia, de 1991 até 2002, foram marcados por atentados e combates cruéis entre as forças armadas do governo - instituído depois de um golpe de Estado - e fundamentalistas islâmicos, que tinham vencido as eleições mas foram impedidos de assumir o poder.

 

Cerca de 150 mil pessoas morreram vítimas dos combates e da violência, incluindo os 19 mártires (13 religiosos, entre os quais um bispo, e 6 religiosas) que foram beatificados em 8 de dezembro em Oran, na Igreja Nossa Senhora da Santa Cruz.

Os religiosos sempre estiveram integrados na comunidade para testemunhar o seu amor gratuito – oferecendo de diversas formas, ajuda de maneira simples e humilde – desejando ser simplesmente cristãos entre os muçulmanos, ao lado dos vizinhos, dos jovens dos idosos ou dos mais necessitados. O Grupo Islâmico Armado (GIA), considerou-os inimigos do islã, motivo pelo qual foram martirizados.

Os quatro Padres Brancos de Tizi Ouzou

 

Em 27 de dezembro de 1994, em Tizi Ouzou quatro Padres Brancos, incluindo três cidadãos franceses foram mortos por um grupo de homens armados: os franceses padre Jean Chevillard, padre Alain Dieulangard, e o padre Christian Chessel, e um belga, padre Charles Deckers: “Sei que posso morrer assassinado – dizia padre jean enquanto a violência se espalhava na Argélia. A nossa vocação é testemunhar a fé cristã em terras muçulmanas. Por isso ‘Inch Allah!’”.

 

Eles muito conhecidos em Tizi Ouzou. Padre Alain era missionário há muitos anos e era professor; padre Christian criou uma biblioteca para estudantes e padre Charles sabia falar bérbere e dirigia um centro para a juventude. Centenas de muçulmanos participaram do sepultamento dos sacerdotes.

Irmã Bibiane Leclercq e Irmã Angèle-Marie Littlejohn

 

Em 3 de setembro de 1995, foram assassinadas enquanto voltavam da Missa em Belouizda as Irmãs Angèle-Marie Littlejohn, religiosa francesa das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos e a Irmã Bibiane Leclercq, das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos.

As religiosas trabalhavam no orfanato e na escola da Congregação para meninas. Ministravam cursos de corte e costura e bordado e ajudavam as famílias em suas necessidades. “São as próprias pessoas que pedem pelas irmãs”, dizia irmã Bibiane, quando perguntavam se permanecia ou não na Argélia.

Dois meses mais tarde foi morta Irmã Odette Prévost, religiosa francesa das Pequenas Irmãs do Sagrado Coração. Foi missionária em várias cidades do Magreb e para compreender o islã – a religião das pessoas ao seu redor – lia o Alcorão e participava de grupos de oração de cristãos e muçulmanos. Sabia que a sua vida corria perigo e definia o contexto sócio-político em que se encontrava como um “momento privilegiado para viver com mais verdade, fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho”.

Fr. Jean-Pierre, o único sobrevivente do massacre dos monges de Tibhirine
Fr. Jean-Pierre, o único sobrevivente do massacre dos monges de Tibhirine

A história dos sete monges de Tibhirine

 

Sete monges de Tibhirine foram sequestrados em 26 de março de 1996 no Mosteiro de Nossa Senhora de Atlas, a 60 quilômetros de Argel. Somente dois meses mais tarde suas cabeças foram nas proximidades de Medéia.

Irmão Luc Dochier, Irmão Christophe Lebreton, Irmão Michel Fleury, padre Bruno Lemarchand, padre Célestin Ringeard, irmão Paul Favre-Miville e padre Christian de Chergé foram sepultados no cemitério de seu mosteiro em 4 de junho. A história dos monges foi para as telas no filme “Homens e Deuses” de 2010.

Depois de muita reflexão e a decisão de compartilhar a dor, decidiram permanecer na Argélia, apesar do crescente clima de terror. Seu gesto exprimia a vontade de estar junto com as pessoas – que eles consideravam amigos – e de compartilhar, principalmente com os mais pobres, os perigos de violência. Mesmo com diferenças existentes, os religiosos de Tibhirine eram unidos pelo amor ao povo argelino, pelo respeito ao islã e pelo desejo de pobreza.

Dom Pierre Claverie, bispo de Oran

 

Um dos últimos mártires cristãos da Argélia é o bispo Dom Pierre Claverie, religioso dominicano. Foi assassinado diante da Cúria da diocese  em 1º de agosto de 1996, junto com seu motorista e o amigo muçulmano Mohammed Bouchikhi.

Não se cansava de exortar a todos para uma convivência pacífica no respeito mútuo e dedicava sua vida ao compromisso em favor do diálogo. No ícone da Beatificação dos 19 mártires da Argélia Mohammed está presente pois decidira içar ao lado de dom Claverie colocando a própria vida em perigo.

Este é um modo de recordar que na década sombria na Argélia, cristãos e muçulmanos morreram pela mesma causa. Não queriam que o terror predominasse na vida de todos os dias e desejavam testemunhar para um possível diálogo.

Dom Claverie dizia: “Devemos tomar parte do sofrimento e da esperança da Argélia, com amor, respeito, paciência e lucidez”. E ainda: “O martírio é o maior testemunho do amor”

"Não se trata de correr para a morte, nem buscar o sofrimento pelo sofrimento… mas é derramando o próprio sangue que se aproxima de Deus”.

03 maio 2020, 08:00