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D. Manuel Vieira Pinto em visita à Comunidade de Nampula, Moçambique D. Manuel Vieira Pinto em visita à Comunidade de Nampula, Moçambique 

D. Manuel Vieira Pinto: por uma Igreja mais profética

Faleceu com 96 anos, no passado dia 30 de abril, o arcebispo emérito de Nampula. Deixa um legado cheio de futuro como recordamos neste último excerto da entrevista a Manuel Vilas Boas em 2002 para a TSF.

Rui Saraiva

D. Manuel Vieira Pinto, nasceu em Aboim, Amarante, a 9 de dezembro de 1923 e faleceu no Porto a 30 de abril de 2020. Como arcebispo de Nampula, em Moçambique, deixou saudades e o povo não o esqueceu. Na celebração exequial na sua terra natal os moçambicanos fizeram-se presentes através de uma carta do Município de Nampula.

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D. Manuel Vieira Pinto, foi nomeado bispo de Nampula em 1967 e arcebispo a 4 de junho de 1984. Exerceu esse múnus episcopal em Moçambique em nome da liberdade e dos direitos humanos. Criticou o sistema colonialista e assumiu posições antifascistas. Foi perseguido pela polícia política da Ditadura (PIDE).

Após a independência condenou os campos de reeducação e alertou para os abusos da guerra civil entre a Frelimo e a Renamo. Procurou sempre lançar pontes de diálogo. Em 1992 foi condecorado pelo presidente português Mário Soares com a Ordem da Liberdade.

Neste último excerto da entrevista a Manuel Vilas Boas, em março de 2002, D. Manuel Vieira Pinto afirma que gostava de ver uma Igreja muito mais profética.

O jornalista português da Rádio TSF cedeu, amavelmente, este registo áudio ao Vatican News do qual publicamos aqui estes últimos momentos. Um testemunho livre e sem filtros, para memória futura.

O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, aquando do falecimento do arcebispo emérito de Nampula, em abril último, apresentou as suas condolências à Igreja Católica e à família de D. Manuel Vieira Pinto, sublinhando recordar com saudade os contactos pessoais que manteve com ele. 

Afirmou que D. Manuel era um “conhecedor e defensor das aspirações do povo irmão moçambicano” tendo exercido “o seu múnus sacerdotal durante longos anos após a independência”.

Laudetur Iesus Christus

20 maio 2020, 10:44