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Comece espera atuação na recuperação econômica, proteção ambiental e conversão ecológica Comece espera atuação na recuperação econômica, proteção ambiental e conversão ecológica  (AFP or licensors)

Plano de Recuperação da economia pode ajudar a Europa a ser mais solidária

O poderoso plano econômico de 750 bilhões de euros anunciado nesta quarta-feira (27) pela Comissão Europeia, o chamado Plano de Recuperação para enfrentar a crise causada pela pandemia do coronavírus, recebe o aval positivo da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, a Comece. Em documento, a análise do organismo sobre as medidas que devem ser conduzidas pela justiça social e ecossustentável.

Giancarlo La vella, Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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Os bispos da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece) partem das palavras do Papa Francisco, pronunciadas na missa da Casa Santa Marta em 22 de abril deste ano, para comentar o lançamento do Plano de Recuperação para o bloco europeu. O Pontífice declarou:

“Neste momento, em que a unidade é muito necessária entre nós, entre as nações, rezemos hoje pela Europa para que consiga criar esta unidade fraterna sonhada pelos pais fundadores da União Europeia.”

Dessa forma, a Comissão também quis evidenciar como o Velho Continente, exatamente através das dificuldades atuais, deva mostrar coesão e solidariedade. O projeto europeu nasceu há muito tempo atrás, se lê no documento da Comece – como resposta à tragédia humana causada pela Segunda Guerra Mundial. Essa foi a inspiração que levou os pais fundadores a criar uma comunidade que, hoje, se tornou a União Europeia.

Solidariedade e partilha para vencer a pandemia

Hoje, diante da nova tragédia da pandemia da Covid-19, os bispos pedem à União Europeia para renovar o espírito de solidariedade e entrar em acordo para um plano de retomada que seja realizado com espírito de justiça. O coronavírus e as suas consequências, continua o documento, têm afetado a União Europeia de maneira inesperada e brutal, mostrando as nossas vulnerabilidades, a inadequação da saúde pública, além da fragilidade e das debilidades no agir com eficácia em tempos de crise.

Faltas, essas, que ofuscaram os princípios de solidariedade e às quais se procurou responder com fechamentos unilaterais das fronteiras e outros protecionismos, que têm causado a decepção de muitos cidadãos diante do projeto europeu originário.

Um Plano de Recuperação segundo valores europeus

Enquanto as consequências da pandemia revelaram a incapacidade da Europa de estar à altura dos seus valores em tempos de crise, o Plano de Recuperação, proposto pela Comissão Europeia, define uma clara prospectiva para uma União que prevê crescer unida. Trata-se de um sinal visível, afirmam os bispos, de como os Estados-membros se voltaram ao caminho da solidariedade.

Depois das iniciativas imediatas que a União Europeia adotou em resposta à crise, entre elas, o primeiro pacote de medidas, as reações igualmente imediatas do Banco Central Europeu e os roteiros conjuntos para a retomada e a abolição das medidas de contenção da Covid-19, o Plano de Recuperação de 750 bilhões de euros para os Estados-membros mais necessitados através de subvenções a fundo perdido para 500 bilhões de euros e empréstimos para 250 bilhões, respondem, de algum modo, ao apelo da Mensagem de Páscoa do Papa Francisco que pedia “uma maior prova de solidariedade, inclusive através de soluções inovadoras”.

Justiça econômica, justiça social e justiça ecológica

Um outro desafio que o documento da Comece mostra é aquele da realização de uma justiça ecológica além daquela econômica. A pandemia revelou seja a nossa dependência seja o nosso impacto desastroso sobre um ecossistema muito frágil. Um vírus que causa uma doença pulmonar nos fez entender que não podemos viver saudáveis num planeta doente e poluído.

Ao mesmo tempo, a pandemia nos demonstrou que não é muito tarde para agir: as imagens das fontes de água menos poluídas em todas as cidades europeias e as descobertas científicas sobre a diminuição da poluição são a prova dos efeitos negativos das atividades industriais incontroladas sobre a humanidade. Essa última, deveria nos encorajar a seguir além das nossas atuais ambições sobre o cuidado da nossa Casa Comum.

A pandemia da Covid-19, afirmam os bispos, é ligada à maior crise socio-ecológica já vista através da mudança climática, o desaparecimento das biodiversidades e as suas consequências devastadoras sobre os grupos mais vulneráveis. Um mundo frágil, confiado por Deus aos cuidados do homem, nos desafia – segue o documento – a pensar em modos inteligentes para dirigir, desenvolver e limitar o nosso poder.

A Covid-19, uma oportunidade para mudar modelos de vida

Depois dessa pandemia não podemos, então, repropor os nossos velhos modelos e reestabelecer os mesmos hábitos, mas deveríamos abraçar este momento – exortam os bispos – como uma oportunidade para trabalhar pela mudança radical e reforçar os nossos esforços em direção ao desenvolvimento integral e o pensamento inovador pelo futuro.

O plano de retomada, assim conclui a nota da Comece, deve necessariamente agir em mais níveis: a recuperação econômica, a proteção ambiental e a conversão ecológica; objetivos para serem realizados com urgência. É necessária também uma forte promoção da justiça social: ou seja, o respeito às exigências dos mais vulneráveis a fim de garantir uma coesão social plena na Europa.

28 maio 2020, 17:14