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No Cantão de Ticino, religiosas cuidam filhos dos profissionais de saúde

"A oração e o cuidado das crianças são nossa tentativa de encontrar um novo ritmo na vida cotidiana conturbada", explica uma religiosa do Instituto das Filhas de Santa Maria de Leuca, que também procura ver os aspectos positivos da situação: "Algumas apesar da situação familiar precária, os pais redescobrem a alegria de passar mais tempo com os filhos e de conhecê-los melhor. As famílias finalmente têm a chance de se redescobrir."

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Solidariedade em tempos de coronavírus também pode ser sinônimo de ajudar aqueles que nos ajudam. Exemplo disso, são as irmãs do Instituto das Filhas de Santa Maria de Leuca, do Cantão suíço de Ticino, que se colocaram à disposição das famílias dos profissionais de saúde, comprometidos na linha de frente na luta contra o coronavírus. O país, cujo número de infectados nesta sexta-feira chegou a 26.73, com 1.281 mortos, acaba de anunciar uma reabertura parcial das atividades de produção a partir de 27 de abril.

Temos outro rei

 

"Esse vírus pode ter uma coroa, mas nunca reinará sobre nós, porque temos outro rei", diz a irmã Wanda à agência Cath, que neste período trabalha em Chiasso na creche "Casa do Sorriso".

A estrutura, que normalmente recebe crianças de 0 a 3 anos com problemas de saúde ou familiares, com o fechamento das escolas pelo período de quarentena, foi transformada para receber os filhos dos profissionais da saúde enquanto estão no trabalho.

"É uma missão estimulante e instrutiva - testemunha a religiosa - e um dos desafios é encontrar uma maneira de fazer essas crianças entenderem a atual situação de emergência e as longas ausências de seus pais que estão envolvidos na linha de frente".

"Estamos muito atentas em respeitar as regras de higiene mais rígidas", diz irmã Wanda, explicando que nunca são colocadas mais de cinco crianças na mesma sala, é feito uso constante de luvas e máscaras e a temperatura das crianças é medida constantemente, antes de entrarem na área comum. As religiosas também convidam os pais a não entrarem, mas a deixarem as crianças na porta na estrutura.

Oportunidade para famílias se redescobrirem

 

A comunidade de Chiasso tem cerca de vinte religiosas, mas apenas algumas cuidam das crianças; as outras se reúnem na capela adjacente para rezar: "A oração e o cuidado das crianças são nossa tentativa de encontrar um novo ritmo na vida cotidiana conturbada", acrescenta a irmã Wanda, que também procura ver os aspectos positivos da situação: "Algumas apesar da situação familiar precária, os pais redescobrem a alegria de passar mais tempo com os filhos e de conhecê-los melhor. As famílias finalmente têm a chance de se redescobrir."

No norte de Ticino, em Bellinzona, a Congregação também administra o "Berço São Marcos", uma estrutura que normalmente acolhe crianças necessitadas de proteção, cujos cuidados são confiados a assistentes sociais, mas que agora, devido à pandemia, está fechado há semanas. Irmã Trinidad, uma das religiosas responsáveis, tem esperança de que o local seja reaberto em breve, para que as crianças possam encontrar serenidade.

Ansiedade pela retomada das atividades

 

Diante da sucessão de dias muito idênticos um ao outro, há também um sentimento de cansaço nas palavras da irmã Marina, do Centro Infantil Arnaboldi em Lugano: "As pessoas estão começando a ficar impacientes pelo reinício das atividades. Mantemos contato com os pais todos os dias, também porque o centro está vazio, à exceção das duas crianças que vêm nos visitar algumas horas por dia devido à difícil situação em casa".

"Os pais nos chamam para perguntar quando reabriremos, quando a associação recomeçará as atividades e procuramos estar lá para tranquilizá-los. Mas essas decisões claramente não são de nossa responsabilidade", conclui a religiosa.

17 abril 2020, 07:40