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Em Jerusalém, tradicional Procissão de Ramos substituída por oração na Dominus Flevit

A celebração teve início às 16 horas, horário local, no Monte das Oliveiras, onde, na presença de um pequeno grupo de franciscanos e seminaristas, o administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, arcebispo Pierbattista Pizzaballa, fez uma breve homilia.

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Uma oração na Igreja Dominus Flevit e uma bênção com a relíquia da Cruz de Cristo. Dois momentos simples mas repletos de significado que marcaram o Domingo de Ramos em Jerusalém, na Terra Santa.

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Em meio à emergência provocada pelo coronavírus, foi cancelada a tradicional procissão que todos os anos à tarde vê a participação de cerca de 20 mil pessoas, partindo de Betfage até chegar à Basílica de Santa Ana, dentro dos muros da cidade antiga de Jerusalém.

A celebração teve início às 16 horas, horário local, no Monte das Oliveiras, onde, na presença de um pequeno grupo de franciscanos e seminaristas, o administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, arcebispo Pierbattista Pizzaballa, fez uma breve homilia, divulgada no site do Patriarcado Latino de Jerusalém. No rito da celebração, a liturgia da Palavra, com a recitação de uma oração especial pelo fim da pandemia.

Jesus vai a Jerusalém não para sentar em um trono como Davi, mas para ser morto

 

“Hoje não celebramos a entrada solene e belíssima de Jesus na cidade de Jerusalém como todos os anos, com fiéis vindos de todas as paróquias da diocese e com peregrinos de todo o mundo, disse o arcebispo Pizzaballa no início de sua mensagem. Não erguemos nossas palmas e oliveiras para gritar "Hosana" ao nosso rei, Jesus Cristo. As ruas, que nestes dias deveriam estar repletas de gente e de cânticos, hinos e o sons de gaitas de foles neste dia, estão vazias e silenciosas. O que o Senhor está nos dizendo? Por que tudo isso? O que podemos fazer nesses momentos assim dramáticos para a vida do mundo e para a nossa?”, perguntou o vigário apostólico ao ler a mensagem do Domingo de Ramos”.

Ele recorda que “o povo de Jerusalém acolheu Jesus com entusiasmo, reconhecendo-o como rei, como o Messias esperado, como aquele que finalmente ouviria suas orações”, mas o Evangelho nos conta que Ele veio a Jerusalém “não para sentar em um trono como Davi, mas para ser morto”. Em outras palavras, o significado que Jesus atribui à sua “entrada triunfal” em Jerusalém “é diferente do significado que a população de Jerusalém havia visto nela”.

A lição de Jesus para nós

 

Esta é a lição que Jesus quer nos dar hoje – sublinha o arcebispo. “Nos dirigimos a Deus quando há algo que nos faz mal. Quando estamos em dificuldade, repentinamente, todos sentimos surgir em nós os maiores questionamentos aos quais são mais difíceis de responder:

“Em outras palavras, queremos que Jesus se torne o tipo de rei e messias que resolva nossos problemas: a paz, o trabalho, a vida de filhos ou dos pais, que nos ajude, em suma, na difícil situação em que nos encontramos. Queremos que nos salve do coronavírus, que tudo volte como antes”

Jesus responde a nós  "a seu modo"

 

Naturalmente, Jesus responde às nossas orações, ressaltou Dom Pizzaballa. Ele veio buscar e salvar o que estava perdido, mas responde “a seu modo”. “Justamente porque diz “sim” aos nossos desejos mais profundos, deverá dizer “não” aos nossos desejos mais imediatos.

“A história da grande entrada de Jerusalém, é uma lição sobre a discrepância entre nossas expectativas e a resposta de Deus”, pois o povo de Jerusalém queria um profeta, mas esse profeta lhes diria que a cidade estava sob o julgamento iminente de Deus. “Eles queriam ser salvos do mal e da opressão, mas Jesus os salvaria do mal em toda a sua profundidade, não apenas do mal da ocupação e exploração romana, pelos ricos”

Assim, a multidão fica desapontada, porque Jesus não respondeu às suas expectativas de salvação imediata.

Entrada de Jesus em Jerusalém, momento em que está nascendo a salvação

 

Mas na verdade, a entrada de Jesus em Jerusalém é realmente o momento em que a salvação está nascendo. Os "Hosana" eram justificados, mesmo que não pelas razões que os jerusaljmitas haviam suposto. “Aprender esta lição, é dar um grande passo em direção à verdadeira fé cristã”:

“Talvez também nós estejamos desapontados, porque nossas orações não são ouvidas, nossas expectativas permanecem sem uma resposta aparente. Parece que Deus não está nos ouvindo. Reconheçamos isso: ainda estamos distantes daquela fé simples e pura, a fé dos pobres. Gostaríamos, queremos que nossa vida mude, aqui e agora, não em um futuro genérico ou na vida após a morte. Queremos um Deus todo-poderoso e forte, queremos ter fé em um Deus que nos dê certezas e segurança. Que nos tranquilize neste mar de medos e incertezas em que nos encontramos agora.”

O Evangelho, no entanto, nos diz que a fé cristã é fundada na esperança e no amor, não na certeza. Ele não resolverá todos os nossos problemas, não nos dará todas as certezas de que nossa natureza humana tem necessidade, mas não nos deixará sozinhos. Sabemos que nos ama.

Pedir a Jesus a força de carregar a própria Cruz

 

Na sua passagem, as multidões estenderam seus mantos aos pés de Jesus e o receberam com os poucos galhos de oliveira e palma que conseguiram encontrar. Não obstante nossa dificuldade em entender, coloquemos também nós diante do Messias o pouco que temos, nossas orações, nossas necessidades, nossa necessidade de ajuda, nossas lágrimas, nossa sede d’Ele e de sua palavra de consolo. Sabemos que precisamos purificar nossas intenções e também lhe pedimos essa graça: entender o que realmente precisamos. E aqui, hoje, não obstante tudo, às portas de Sua e nossa cidade, declaramos que realmente queremos acolhê-lo como nosso Rei e Messias, e segui-lo em Seu caminho para o Seu trono, a Cruz. Mas também peçamos a Ele que nos dê a força necessária para carregar a nossa com o Seu próprio amor fecundo.

Ao final, Dom Pierbattista Pizzaballa abençoou Jerusalém e o mundo inteiro com uma relíquia da Verdadeira Cruz.

Foi possível acompanhar a celebração ao vivo pelo site do Christian Media Center.

06 abril 2020, 07:26