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Luteranos: enfrentar pandemia e emergência climática com igual energia

“A pandemia está atingido todos, independentemente do status social, da idade ou do sexo”, diz Pranita Biswasi, do programa da Federação Luterana Mundial para os jovens, convencida de que “a crise climática deveria ser enfrentada do mesmo modo coletivo”. “Dependemos da ciência para conter o vírus – afirma –, não esqueçamos então o relatório do Grupo intergovernamental sobre as mudanças climáticas (Ipcc), que se baseia em resultados científicos”

Cidade do Vaticano

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Diante do enorme e pesado impacto que a pandemia do coronavírus está tendo em todos os cantos do planeta, a Federação Luterana Mundial (FLM) “convida os governos, a sociedade civil e as Igrejas a estar com as pessoas mais vulneráveis e as pessoas atingidas em grande medida por esta crise.”

Ao mesmo tempo, “é fundamental manter o passo e até mesmo aumentar a nossa ambição de enfrentar a crise climática”: é a advertência da responsável pelo programa da Federação Luterana Mundial para a justiça climática, Elena Cedillo, a qual observa que em muitas regiões a pandemia foi precedida de longos períodos de seca. “Não tendo água suficientemente, como poderão então superar essa nova crise?”, se interroga.

Pandemia atinge todos, indistintamente

“A pandemia está atingido todos, independentemente do status social, da idade ou do sexo”, reitera Pranita Biswasi, do programa da Federação Luterana Mundial para os jovens, convencida de que “a crise climática deveria ser enfrentada do mesmo modo coletivo”.

“Dependemos da ciência para conter o vírus – afirma –, não esqueçamos então o relatório do Grupo intergovernamental sobre as mudanças climáticas (Ipcc), que se baseia em resultados científicos”.

Adiada, por tempo indeterminado, a Cop26

“Quando os países se preparam para a retomada econômica, existe uma excelente oportunidade para incluir uma ação em favor do clima, e para buscar os fundos para os respectivos planos em prol do clima”, observa ainda Biswasi.

“Como é sabido, dias atrás as Nações Unidas anunciaram que por causa da pandemia do coronavírus a vigésima sexta Conferência sobre o clima (Cop26) foi adiada por tempo indeterminado. A conferência estava prevista para realizar-se em Glasgow, no Reino Unido, em novembro deste ano.”

Além disso, as reuniões dos órgãos subsidiários da Onu sobre as mudanças climáticas – as chamadas conversações de Bonn (Alemanha) – foram adiadas para 4 a 12 de outubro. As reuniões prévias à sessão se realizarão de 28 de setembro a 3 de outubro.

Energia limpa e uso da água na cadeia agroalimentar

Dois temas principais encontram-se à mesa dos especialistas: exame das soluções energéticas “off-grid”, ou seja, aqueles sistemas capazes de fornecer energia limpa na ausência de redes de abastecimento, e o uso da água na cadeia agroalimentar. Também o evento Jovens pelo clima promovido pelas Nações Unidas para realizar-se na Itália será reprogramado.

O adiamento da vigésima sexta Conferência da Onu sobre o clima “não deveria ser motivo para reduzir os compromissos ou os esforços para mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas”, afirma Cedillo.

Aquecimento global: impacto sobre os pobres e vulneráveis

Após o êxito da Cop25 em Madri, na Espanha, as expectativas para a Cop26 são elevadas, indica a Federação Luterana Mundial, recordando que os governos do mundo inteiro deveriam aumentar seus objetivos de redução das emissões para limitar o aquecimento global a 1,5º centígrados e conter o impacto sem precedentes que recai de modo desproporcional sobre os pobres e vulneráveis.

A reprogramação das conferências “busca garantir a plena inclusão e participação em todos os níveis, incluindo as novas gerações, e que nenhum problema seja deixado em aberto”, ressalta a Federação Luterana Mundial, recordando ter participado de eventos sobre o clima organizados pelas Nações Unidas, com delegações de jovens desde 2011, quando a Cop17 se realizou em Durban, na África do Sul.

(L’Osservatore Romano)

24 abril 2020, 11:16