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O território amazônico do Brasil tem contabilizado os piores números da pandemia O território amazônico do Brasil tem contabilizado os piores números da pandemia 

Mapa diário da Repam atualiza casos de Covid-19 na Região Pan-Amazônica

Os dados de casos testados positivos ao Covid-19 e o número de mortes devido à doença no território que compreende 9 países, entre eles o Brasil, são atualizados diariamente com números oficiais fornecidos pelas autoridades competentes. O mapa criado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica, a Repam, é para ajudar na busca de respostas adequadas aos desafios impostos pela pandemia principalmente no território amazônico do Brasil, o mais afetado atualmente.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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Até este domingo, 19 de abril, já são 6.712 pessoas infectadas pelo coronavírus e 355 as mortes devido ao vírus na Região Pan-Amazônica. A taxa média de mortalidade da doença na região é de 2,81%. O território amazônico do Brasil tem contabilizado os piores números: são 5.218 casos testados positivos pelo Covid-19 e 299 as pessoas falecidas, vítimas da pandemia. 

Mapa atualizado criado pela Repam

Os dados atualizados foram divulgados na noite deste domingo (19) pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e o que se repete diariamente às 21h (horário de Brasília). A criação do mapa foi idealizada há mais de um mês para compreender a realidade local, ou seja, dos nove países da Amazônia que compreendem: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela e Brasil.

O coordenador de Comunicação da Repam, Pe. Júlio Caldeira, direto do Equador, nos conta que a iniciativa tem o intuito de mobilizar todos os atores eclesiais sociais diante da pandemia do coronavírus: “tudo começou quando instituições e pessoas começaram a consultar sobre qual era a situação particular da Pan-Amazônia, diante do coronavírus. Em consequência disso, a gente começou a elaborar desde o dia 17 de março esse mapa, aproveitando todo o processo que fez a Repam, também, nos últimos três anos, de fazer um mapeamento amplo da Amazônia”.

Os dados apresentados diariamente são divididos por países e, a partir deles, as jurisdições eclesiásticas, ou seja, as arquidioceses, dioceses, prelazias e vicariatos que têm na Amazônia. Dessa forma, explica o Pe. Júlio, cada jurisdição consegue se manter informada sobre o contexto pan-amazônico diante da pandemia e através de números oficiais fornecidos pelas autoridades competentes.

“Para chegar aos casos confirmados de coronavírus na Pan-Amazônia, nossa equipe, seja do Mapeamento ou da Comunicação, busca as informações a partir das autoridades de saúde de cada país, mas, de uma maneira muito especial, de dentro também das secretarias dos estados e municípios, através dos boletins de cada dia para ter uma visão real de quantos casos têm durante cada uma das 24 horas de onde elaboramos, justamente, a informação.”

O secretário-executivo da Repam, Mauricio López, acredita que neste período de pandemia se pode "identificar fortes sinais que ameaçam a vida e o futuro da Amazônia, mas sobretudo dos mais pobres, de suas comunidades indígenas e povos específicos, que não possuem condições, atenção, às vezes nem acesso à informação adequada”, algo que, segundo ele, “preocupa profundamente ”. O Pe. Júlio conta que os dados disponibilizados diariamente pelo mapa já têm auxiliado na promoção de ações concretas diante dessas ”desigualdades estruturais que têm no território e que muitas vezes dificultam para chegarmos à plenitude da vida para os povos amazônicos”. E o coordenador de Comunicação da Repam acrescenta:

“Esses dados têm ajudado muitas instituições a tomarem iniciativas diante da gravidade do coronavírus e, ao mesmo tempo, ajuda a ver que muitas ações têm sido realizadas pela Igreja no território para ajudar as populações que estão sofrendo pela falta da comida necessária, a falta de possibilidades no ambiente da saúde. A Igreja tem atuado fortemente, e a gente pode ver a partir de tantas notícias que estão chegando das jurisdições eclesiásticas e, ao mesmo tempo, dessa grande campanha que se tem realizado em várias partes, de maneira especial, com apoio forte da Repam, a campanha “Fique em casa”, “Fique na aldeia”, no seu território. É importante também neste momento para se cuidar: devemos cuidar de nós, mas também cuidar dos outros. Por isso, essa grande necessidade e esse acompanhamento que estamos fazendo de uma maneira mais próxima também aos territórios.”

Os dados são atualizados diariamente, a partir das 21h (horário de Brasília), no site www.redamazonica.org, e são retransmitidos pela plataforma brasileira da Repam, no www.repam.org.br.

20 abril 2020, 14:33