Busca

Vatican News
As missas ainda ficam proibidas na fase de transição da quarentena na Itália As missas ainda ficam proibidas na fase de transição da quarentena na Itália  (ANSA)

Covid-19: prudência e sabedoria invocadas pelo Papa são decisivas

O subsecretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Pe. Ivan Maffeis, faz menção às palavras do Papa Francisco sobre a fase gradual de retorno às atividades diárias e à vida normal eclesial na Itália. A Fase 2 da quarentena no país, que começa em 4 de maio, permite a realização de cerimônias fúnebres, mas não de missas com a participação dos fiéis. “Não estamos fora da emergência”, o período exige responsabilidade para que não sejam ignorados tantos sacrifícios, sobretudo de vidas humanas.

Gabriela Ceraso, Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Nesta “fase de transição”, em que “a emergência pandemia não terminou”, “prudência e sabedoria invocadas pelo Papa são decisivas. Por isso, como Igreja, não podemos, de maneira alguma, justificar precipitações”, afirma, em síntese, o Pe. Ivan Maffeis, à agência de notícias Adn-Kronos. O subsecretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI) recorda, dessa forma, as palavras de Francisco na missa da Casa Santa Marta desta terça-feira (28).

Ouça a reportagem e compartilhe

Diálogo construtivo

A vontade dos bispos, explica Pe. Ivan, é de “seguir adiante com o diálogo construtivo” com o governo no momento em que se luta para que a pandemia não volte aos níveis que foram apenas superados. O subsecretário explica que “a palavra do Papa é importante, é a palavra de um padre, decisiva e oportuna”. “O chamado do Papa à prudência e à sabedoria é realmente a cifra que nos serve para ponderar duas exigências que não podem ser opostas”, acrescenta o porta-voz dos bispos italianos.

A saúde de todos não pode ser subestimada, dessa forma, reforça o subsecretário, não observar as disposições hoje significaria “ignorar as dificuldades e os sofrimentos do país”, significaria, “de fato, irresponsabilidade que nenhum cidadão pode se permitir, seria como ignorar os tantos mortos, médicos, enfermeiros, os próprios sacerdotes e todos que, de uma forma ou outra, ficaram expostos para cuidar dos doentes de coronavírus, comprometendo a própria saúde. Uma subestimação que seria uma irresponsabilidade sem desculpas”.

Por esse motivo, conclui o subsecretário da CEI, olhando para o período vivido e àquele que nos espera, “se nas semanas que ficaram para trás, cada um, com responsabilidade, aceitou as regras impostas, agora é preciso lembrar que não estamos fora da emergência. O percurso que temos pela frente deve, certamente, prever uma fase transitória para retomar gradualmente o trabalho, as atividades diárias e a vida eclesial”. Uma fase na qual, “prudência e sabedoria são decisivas. Por isso, como Igreja, não podemos, de maneira alguma, justificar precipitações”.

A Fase 2 da quarentena

O novo plano do governo que flexibiliza a quarentena obrigatória a partir de 4 de maio permite, entre outras medidas, a realização de cerimônias fúnebres, mas não de missas com a participação dos fiéis. A Conferência Episcopal da Itália (CEI), ainda no domingo (26), através de uma nota pública se posicionou contra a decisão ao afirmar: “não podemos aceitar ver comprometido o exercício da liberdade de culto”.

O ministro da Saúde, Roberto Speranza, afirmou ao jornal italiano “Corriere della Sera” nesta quarta-feira (29) que o decreto para a nova fase “foi assinado e tem prazo até 18 de maio”, e que o confronto para as novas medidas continuará sendo feito com os especialistas da área de saúde e com os próprios bispos italianos sobre a possibilidade de retomar as missas, voltando à vida comunitária e aos Sacramentos. Uma primeira possibilidade, como descrevem as agências de notícias e que estaria sendo estudada pelo governo, seria retomar com missas ao ar livre a partir de 11 de maio.

A única certeza, porém, parte do testemunho dos frades capuchinhos do convento de San Giovanni Rotondo, que hospeda as relíquias do santo italiano, o Padre Pio de Pietrelcina. Eles convidam “a esperar com esperança o momento em que poderão novamente se aproximar da mesa eucarística” e “a respeitar as medidas de prevenção para que se possa diminuir o tempo de espera”.

29 abril 2020, 16:29