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#Coronavírus. Bispos do Paraguai: "a fome é um grito atual"

A condição de vulnerabilidade e fragilidade que um amplo setor da população já sofre, se agravará nos próximos meses, e ainda não podemos medir seu alcance e gravidade. “A fome é um grito atual, que não podemos ignorar”, afirmam. Exortando a população a respeitar as disposições das autoridades, os bispos continuam rezando intensamente “a fim de que Deus nos assista e nos ajude a superar, na solidariedade, as consequências desta pandemia”, enfatizam

Cidade do Vaticano

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“A difusão do coronavírus em nosso país e no mundo inteiro tem graves e importantes repercussões na vida de cada pessoa, na vida social e em nosso modo de enfrentar as contingências da vida. Os esforços para abaixar a curva de difusão da doença alcançaram o resultado esperado, mas sabemos que o plano de contenção da pandemia continuará por vários meses. As tentativas de mitigar o impacto sobre a economia familiar e sobre a economia nacional requerem uma resposta ponderada, ordenada e sustentável. As perspectivas anunciadas pelos economistas preveem um horizonte de austeridade e recessão econômica, que já aflige a população.”

Com essa análise da realidade tem início a Exortação que o Conselho episcopal permanente da Conferência Episcopal do Paraguai (CEP) acaba de publicar com o título “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37), dirigindo-se ao país e às autoridades.

Dificuldades sofridas pela população devem agravar-se

“Sentimos a urgência de um acompanhamento de perto das famílias e dos grupos mais vulneráveis, não somente com víveres, mas também com a assistência por uma eficaz retomada econômica a breve, médio e longo prazos”, escrevem os bispos na mensagem, ressaltando que além de assegurar a eficiência do sistema de saúde para enfrentar a pandemia, “ao mesmo tempo devemos iniciar ações para aliviar e sanar a crise alimentar e econômica que acompanha o desenvolvimento das medidas de isolamento social”.

A condição de vulnerabilidade e fragilidade que um amplo setor da população já sofre, se agravará nos próximos meses, e ainda não podemos medir seu alcance e gravidade. “A fome é um grito atual, que não podemos ignorar”, prosseguem os bispos evidenciando a solidariedade dos cidadãos que em parte substituiu as iniciativas do governo nacional.

Por uma justa distribuição dos recursos alocados

“A Pastoral Social Nacional e as pastorais sociais de cada diocese estão trabalhando sem cessar com o apoio de voluntários e associações civis, para levar ajudas aos nossos irmãos. Todavia, temos a preocupação de que a segurança social possa ser colocada em perigo com o agravar-se das necessidades que não recebem atenção”.

Por conseguinte, os bispos pedem “uma efetiva comunicação entre os organismos internacionais, departamentais e distritais para assegurar uma gestão tempestiva” e garantir às autoridades “uma administração transparente e uma justa distribuição dos recursos econômicos alocados para a assistência social”, a fim de que “as famílias recebam urgentemente alimento em quantidade suficiente e de modo contínuo enquanto as medidas de restrição estiverem em vigor”.

Disponibilidade da Igreja a continuar colaborando

Por fim, a Exortação dos bispos reitera a plena disponibilidade da Igreja a continuar colaborando mediante suas estruturas pastorais, a fim de que as ajudas alimentares cheguem a cada família, encoraja os jovens e as comunidades a apoiar a organização de refeitórios populares em paróquias, bairros e capelas, “para cumprir, dentro dos nossos limites, ao mandamento do Senhor, que disse a seus discípulos: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mc 6,37)”.

Exortando a população a continuar respeitando as disposições das autoridades de saúde e do governo, os bispos continuam rezando intensamente “a fim de que Deus nos assista e nos ajude a superar, na solidariedade, as consequências desta pandemia”.

(Fides)

22 abril 2020, 12:57