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"Sejam a voz dos sem voz, a voz de pessoas inocentes, massacradas desnecessariamente",  pede aos meios de comunicação o purpurado burquinense "Sejam a voz dos sem voz, a voz de pessoas inocentes, massacradas desnecessariamente", pede aos meios de comunicação o purpurado burquinense  (AFP or licensors)

Cardeal Ouedraogo: diálogo inter-religioso é vital na luta contra o terrorismo

"O diálogo inter-religioso está no centro de nosso trabalho pastoral. Procuramos trabalhar juntos para viver juntos, no respeito e na escuta recíproca", explicou o arcebispo de Ouagadougou, em Burkina Faso, no contexto do recrudescimento dos ataques terroristas na região do Sahel. O cardeal também diz que as armas vendidas por potências ocidentais permitem aos grupos jihadistas matarem a população inocente.

Cidade do Vaticano

Um instrumento vital para combater o terrorismo. Desta forma o cardeal Phillip Ouedraogo, arcebispo de Ouagadougou, em Burkina Faso, define o diálogo inter-religioso. Em entrevista divulgada em 5 de março, à margem da reunião do Comitê Permanente do SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar) e divulgada no site da Recowa-Cerao (Conferência Episcopal Regional da África Ocidental), o purpurado reitera que o debate pacífico entre religiões é uma opção vital para combater o extremismo.

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Aumento dos ataques terroristas no Sahel

 

Em particular, o cardeal Oueadraogo faz referência à crise vivida na região africana do Sahel, onde os ataques terroristas estão se intensificando em países como Burkina Faso, Mali, Níger e Chade. "O diálogo inter-religioso está no centro de nosso trabalho pastoral – afirma o purpurado. Procuramos trabalhar juntos para viver juntos, no respeito e na escuta recíproca."

Também central - nas palavras do arcebispo de Ouagadougou - a referência à "importância da solidariedade interna e externa, ou seja, em nível local e internacional" porque, "como diz um provérbio africano: 'Um dedo não colhe farinha'. É preciso muito mais. Para isso, é necessário unir as forças", quer dentro como fora de cada país.

 

Observando, depois, a situação específica de Burkina Faso, o purpurado comenta: “O país enfrenta o desafio dos ataques terroristas desde 2015. Em cinco anos, pessoas inocentes foram massacradas sem piedade. A Igreja Católica pagou um preço muito alto e muitos cristãos foram mortos. Nem os protestantes foram poupados dessa tragédia, que “provocou o deslocamento de mais de 600 mil pessoas devido à insegurança e à violência", e impediu que as crianças frequentassem a escola.

Comércio de armas

 

Nesse contexto, o presidente do SECAM pede às potências ocidentais para interromperem o comércio de armas com a África, porque "são essas armas que permitem que grupos jihadistas matem a população inocente".

O cardeal Oueadraogo também chama em causa os executivos locais, cúmplices na compra de armamentos, "governos corruptos que agem de forma deplorável às custas da paz e da segurança dos povos da África".

Oração, "kalashinokov" da paz

 

"A Igreja, por sua vez, permanece solidária e procura levar esperança a todas as pessoas em dificuldade, para que se ponha um fim aos atos terroristas". Neste sentido, o convite do arcebispo para invocar o Senhor, "príncipe da paz". A oração – explica o purpurado - "é a kalashinokov" da paz.

Ao mesmo tempo, o purpurado exorta a "desenvolver gestos concretos de solidariedade para ajudar as populações", fornecendo a elas apoio para moradia, alimentação, roupas e educação escolar para os menores.

Mídia: dar voz aos inocentes

 

Por fim, um último apelo é lançado aos meios de comunicação de massa, aos quais também têm responsabilidade ​​de ir à campo para combater o terrorismo. "Sejam a voz dos sem voz - diz o cardeal Oueadraogo - a voz de pessoas inocentes, massacradas desnecessariamente".

10 março 2020, 09:37