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Assassinado seminarista sequestrado em janeiro na Nigéria

O jovem Michael havia sido sequestrado por alguns bandidos em 8 de janeiro no Estado de Kaduna. Um dos seminaristas foi libertado no dia 19 e outros dois na última sexta-feira, 31.

Cidade do Vaticano

"Com o coração partido, desejo informá-los que nosso querido filho, Michael, foi assassinado pelos bandidos em uma data que não podemos confirmar", afirmou com profundo pesar Dom Matthew Hassan Kukah, bispo de Sokoto, na Nigéria, ao anunciar em 1° de fevereiro, a descoberta do corpo de Michael Nnadi, 18 anos,  o mais novo dos quatro seminaristas sequestrados  por homens armados no Seminário Maior do Bom Pastor de Kakau, no Estado de Kaduna, noroeste da Nigéria, na noite de 8 de janeiro.

Um dos quatro seminaristas havia sido libertado no sábado, 18 de janeiro, após ser deixado pelos sequestradores na rodovia Kaduna-Abuja.

Outros dois seminaristas foram libertados em 31 de janeiro, mas Michael Nnadi continuava desaparecido. Dom Kukah disse que o seminarista "e a esposa de um médico foram arbitrariamente separados do grupo de reféns e depois mortos".

Na noite de 8 de janeiro, homens com uniforme militar entraram no Seminário Maior do Bom Pastor, que acolhe 268 seminaristas. Durante a ação que durou cerca de 30 minutos, os bandidos, depois de roubarem laptops e telefones celulares, fugiram levando quatro seminaristas: Pius Kanwai, 19 anos; Peter Umenukor, 23 anos; Stephen Amos, 23 anos; e Michael Nnadi, 18.

A notícia do assassinato do jovem seminarista provocou forte comoção na Nigéria.

Em uma declaração enviada à Agência Fides, depois de expressar sua "profunda tristeza" pelo assassinato de Michael Nnadi, Dom Alfred Adewale Martins, arcebispo de Lagos, recordou que o de Nnadi "é apenas um dos numerosos casos de nigerianos inocentes assassinados diariamente por homens armados, enquanto nossos serviços de segurança e seus líderes continuam assistindo como se estivessem impotentes".

Dom Martins também recorda o recente assassinato de Lawan Andimi, líder local da Associação Cristã da Nigéria (CAN) no Estado de Adamawa, e os ataques cometidos por homens-bomba contra algumas mesquitas.

“Esta situação assustadora deve terminar. Não podemos simplesmente cruzar os braços e permitir que essas atividades monstruosas continuem a prosperar. Podemos imaginar as consequências dessas maldades na psique dos nigerianos. O governo federal deve agir agora, antes que as coisas saiam do controle", alerta o bispo de Lagos, pedindo a substituição dos chefes dos serviços de segurança.

Dom Augustine Akubeze, arcebispo da cidade de Benin e presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, havia lançado um apelo à fundação de direito pontifício na sexta-feira, 31, alertando para a forte insegurança existente "em todo o país", em uma situação de gravidade sem precedentes.

A violência do Boko Haram

 

Todos os seminários na Nigéria, havia explicado, têm muros de proteção, “porém não são suficientes para deter os ataques do Boko Haram", os extremistas islâmicos cuja violência, desde 2009 causou, segundo dados recentes da ONU, mais de 35 mil vítimas.

Nem todas as estruturas – especificou no entanto o prelado - têm câmeras de segurança. "Se todos os seminários, mosteiros e conventos que acolhem religiosos tivessem câmeras, seria útil ao menos para capturar alguns terroristas".

Infelizmente, os recursos da Igreja - observa a AIS - são limitados e as paróquias são obrigadas até mesmo a pagar pela proteção da polícia durante as Missas de domingo.

(Com Agência Fides e AIS)

02 fevereiro 2020, 11:12