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Marcas do terremoto que destruiu o Haiti ainda estão presentes em todo o país, situação agravada pela crise sócio-política Marcas do terremoto que destruiu o Haiti ainda estão presentes em todo o país, situação agravada pela crise sócio-política 

Deem uma chance ao país, pede núncio no Haiti

O encontro realizado na Nunciatura Apostólica em Porto Príncipe busca soluções capazes de superar a crise em que mergulhou o país e reúne lideranças políticas, sociedade civil e parceiros internacionais.

Cidade do Vaticano

“Como eu havia dito em 17 de dezembro passado na abertura do seminário aqui realizado, é por meio do diálogo entre os protagonistas que pode nascer uma solução satisfatória para sair da crise. Trata-se de uma questão de interesse geral que exige a superação de interesses de partes", enfatizou o núncio Apostólico no Haiti, Dom Eugene M. Nugent, na abertura dos trabalhos da Conferência de Diálogo para o Haiti.

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O núncio enfatizou a necessidade de "um verdadeiro compromisso, corajoso e saudável," para tornar o Haiti "uma nação politicamente estável", "uma condição sine qua non para o desenvolvimento sustentável, onde as reformas necessárias possam finalmente ser realizadas".

“Várias tentativas foram feitas para acabar com a crise e numerosas propostas foram apresentadas para sua resolução, o que indica a vontade de ambas as partes para superar esse longo período de instabilidade. É esta a abordagem que a Santa Sé encoraja, sem preconceitos, sem interesses de partes, mas guiada somente pela busca da paz, segundo sua vocação", acrescentou Dom Nugent.

Mercado Petionville, em Porto Príncipe
Mercado Petionville, em Porto Príncipe

“Espero, portanto - continuou o núncio - que esta conferência, que começa hoje [quarta-feira], não seja apenas outra de muitas mas, graças à vontade de todos os participantes, seja aquela que permitirá à nação esperar por dias melhores, em termos sócio-políticos. Este é um desejo e também uma oração. Em nome do Santo Padre, o Papa Francisco, vos peço, deem a este país uma chance, porque, como disse São João Paulo II durante sua visita ao Haiti: "Algo deve mudar" aqui. E vocês tem uma forte e nobre responsabilidade neste sentido”, exortou o núncio. "A comunidade internacional está ao seu lado para apoiar qualquer iniciativa inclusiva, concertada e consensual", concluiu Dom Nugent.

“Ao disponibilizar o local para os encontros - reiterou - a Nunciatura Apostólica no Haiti, em comunhão com a Conferência dos Bispos, é motivada unicamente pelo desejo de oferecer uma possibilidade de paz e estabilidade ao país”, reiterou o núncio. A primeira resposta de grupos e movimentos políticos à realização do encontro foi positiva.

O encontro é organizado pelo Comitê haitiano para a Iniciativa Patriótica (CHIP), com o apoio de parcerias internacionais, como as Nações Unidas (ONU), o Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH), a Organização para os Estados Americanos (OEA) e a Nunciatura Apostólica, que colocou a sua sede à disposição para a realização do encontro, mas “não participa das discussões políticas, não apoia nenhum partido político ou político da vida nacional”, frisou o núncio em nota enviada à Agência Fides no dia 29.

A crise política, institucional, social e econômica que o país do Caribe enfrenta há mais de um ano provocou reações populares com inúmeras manifestações de rua, muitas vezes violentas. A crise também causou o bloqueio das atividades de comunidades religiosas, dos missionários e das ONGs, com consequente impacto na população que carece de serviços essenciais.

Dom Eugene Martin Nugent é um prelado irlandês, núncio Apostólico no Haiti desde 2015. Ele trabalha no serviço diplomático da Santa Sé desde 1992 e passou dez desses anos em Hong Kong.

31 janeiro 2020, 13:36