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Reflexão para o Primeiro Domingo de Advento Reflexão para o Primeiro Domingo de Advento  (©eyetronic - stock.adobe.com)

Meditação de Advento, por Pe. Rafhael Silva Maciel

A celebração do Advento "é o renovar da esperança cristã de que o Senhor, que veio uma primeira vez na carne humana virá um dia, novamente, em sua glória (Prefácio do Advento I). Aquele dia será grande e glorioso. Mas, atenção! Será grande e glorioso para quem esperou nEle, para quem foi vigilante, como nos exorta a liturgia da Palavra desse I Domingo", alertou o presbítero da Arquidiocese de Fortaleza.

Pe. Rafhael Silva Maciel

Com a celebração deste I Domingo do Advento iniciamos um novo ano litúrgico na Igreja, que todos os anos nos recorda a espera ansiosa pela vinda do Senhor. Desta feira, somos chamados a nos preparar bem para acolher o Senhor que vem; a Igreja se reveste de roxo porque, na verdade, essa cor significa vigilância, expectativa. “Enquanto os nossos corações se preparam para a celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar para a meta definitiva: o encontro com o Senhor que há de vir no esplendor da glória” (Bento XVI, homilia, 27.11.2010)

Esse tempo litúrgico não nos prepara somente para a grande solenidade do Natal do Senhor; por isso é dividido em “duas etapas”: uma primeira, que começamos hoje e vai até 16 de dezembro, recorda-nos que o Senhor voltará um dia, pela segunda vez, e para isso devemos estar preparados. A segunda etapa do Advento é aquela que nos prepara imediatamente para o Natal, na semana de 17 a 24 de dezembro.

A celebração do Advento é o renovar da esperança cristã de que o Senhor, que veio uma primeira vez na carne humana virá um dia, novamente, em sua glória (Prefácio do Advento I). Aquele dia será grande e glorioso. Mas, atenção! Será grande e glorioso para quem esperou nEle, para quem foi vigilante, como nos exorta a liturgia da Palavra desse I Domingo.

A Palavra nos questiona e nos põe em confronto pessoal ao questionar nosso comodismo, ao questionar nossas atitudes muitas vezes levadas pela mentalidade mundana na busca do prazer e dos interesses pessoais, acima da Vontade de Deus e de seu projeto de salvação. Foi o que aconteceu aos homens no tempo de Noé. A cena que nos mostra a I leitura apresenta Noé como quem sempre esteve atento à vontade de Deus, por isso foi encontrado justo diante do Senhor. Mas, apresenta também o dilúvio que veio sem aviso sobre o restante dos homens. As pessoas vivam por sua própria conta, faziam o que bem entendiam “comia-se, bebia-se e se celebravam bodas”, sem se dar contas de que o dia do Senhor viria sobre eles – viviam da terra (de suas paixões) e não faziam contas de que a vida é mais do que nossas “necessidades terrenas”, de que há um porvir, em Deus.

Nesse tempo especial com que iniciamos mais um Ano Litúrgico na Igreja, somos exortados a reconhecer que Deus vem ao encontro, vem ao encontro de nossos desejos e necessidades mais profundos; porém a Palavra também nos convida à vigilância, a que nos preparemos para acolher o Dom que tanto esperamos – Jesus Cristo, nosso Senhor. E por que vigiar? Porque desconhecemos o dia e a hora em que o Senhor virá pela segunda vez (Prefácio do Advento IA).

Mas, como ser vigilante? Como viver a prontidão discipular? Certamente, a primeira atitude do fiel que espera seu Senhor é aquela da oração – “orai se cessar” (I Ts 5,17). A oração é o óleo que não deve faltar nunca nas lâmpadas dos que esperam (Mt 25,1-13). Depois, na vida sacramental, na qual já antevemos a vinda de Cristo, que vem ao nosso encontro na Palavra e na Eucaristia e nos alimenta; no Sacramento da Reconciliação nos oferecendo da sua misericórdia. Mais ainda, quando sabendo-nos filhos de Deus lhe oferecemos nossa vida inteira, a partir das pequenas atitudes e gestos de amor e caridade para com o próximo, na simplicidade da vida do dia a dia, na nossa entrega.

Nas atividades corriqueiras o cristão aprende a se santificar e a estar vigilante na espera do Senhor que “de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim” (Credo Niceno-Constantinopolitano). Estamos acostumados a multidões e esperamos sempre de Deus o “show”. Mas, Deus age de modo simples, veio de modo simples a esse mundo, e espera que na simplicidade da vida diária lhe sejamos fiéis e em vigília – em estado permanente de espera: “anunciamos, Senhor a vossa morte, e proclamamos a vossa Ressurreição. Vinde. Senhor Jesus!”, assim, “a liturgia não se cansa de nos encorajar e animar, pondo nos nossos lábios, nos dias de Advento, o clamor com o qual se encerra toda a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: ‘Vinde, Senhor Jesus!’ (22, 20)” (Bento XVI, homilia, 27.11.2010).

O Advento, portanto, é tempo de uma alegre e feliz expectativa. Não queiramos “aparecer” com ações extraordinárias, vivamos o amor sincero, gratuito e desapegado a Deus e aos irmãos. Por isso, o Senhor Jesus espera encontrar a cada um de nós vigilantes, espertos, quando ele chegar. Sejamos atentos, afastemos de nosso modo de viver o comodismo, o egoísmo, como nos disse S. Paulo, “despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”, para que o Senhor nos encontre prontos! Assim, irmãos: “vinde, caminhemos à luz do Senhor”.

Pe. Rafhael Silva Maciel, Presbítero da Arquidiocese de Fortaleza e Mestrando em Sagrada Liturgia

01 dezembro 2019, 17:46