Busca

Vatican News

Repressão contra a Igreja na Nicarágua gera protesto de estudantes

Invasão da catedral em Manágua, igrejas cercadas em localidades do país, tudo diante da total indiferença das autoridades do país. Relatório da OEA denuncia prisões arbitrárias e outras violações na Nicarágua por parte do governo.

Cidade do Vaticano

"Não se toca na Igreja!” A frase se destaca em outdoors e cartazes gigantes espalhados pela capital Manágua, e também nos portões da Universidade Centro-Americana (UCA) em Manágua, onde cerca de cem estudantes se entrincheiravam - bloqueando a entrada e assim evitar o ingresso da polícia – em protesto contra a repressão do governo contra a Igreja Católica no país.

A paróquia de San Miguel, em Masaya, ainda está cercada por soldados que proíbem qualquer pessoa de se aproximar das mães de presos políticos que a ocuparam, para exigir a libertação de seus filhos. Também a paróquia de Catarina, cerca de 40 km ao sul de Manágua, que na noite de terça-feira havia organizado uma procissão religiosa para rezar pela comunidade Masaya, foi cercada pelos militares para dissuadir as pessoas de continuarem a oração. Tudo isso foi documentado em vídeos pelos fiéis que participavam da celebração.

Agressão a sacerdote

 

Até o episódio da agressão ao padre Rodolfo López, vigário da Catedral de Manágua, em 18 de novembro, viralizou no Twitter e em outras redes sociais. Sobre este caso, em particular, manifestaram-se as diferentes dioceses do país, que denunciaram a indiferença das autoridades diante da brutal agressão física sofrida pelo sacerdote por parte de "turbas orteguistas", que após terem entrado na catedral pela força, destruíram muitas coisas, agredindo também uma religiosa.

Denunciadas detenções arbitrárias

 

O Conselho Superior de Empresas Privadas (COSEP), importante organismo do comércio e da economia da Nicarágua, denunciou em comunicado enviado à Agência Fides a detenção de pessoas que foram expressar solidariedade com mães fechadas na igreja de Masaya, acusadas de terrorismo apenas por terem levado água potável ao grupo. "Condenamos a detenção arbitrária e as acusações infundadas contra os jovens que ajudaram humanitariamente as mães dos presos políticos. A Nicarágua merece respeito pelos direitos humanos de todos os cidadãos. Exigimos a libertação de todos os presos políticos!", lê-se na mensagem da COSEP.

Relatório da OEA denuncia violações

 

Na tarde de terça-feira foi apresentado o relatório da Comissão de Alto Nível da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a situação na Nicarágua. O primeiro ponto indica a existência de violações dos direitos humanos e uma alteração da ordem democrática. Assim, a OEA iniciará contatos diplomáticos com o governo nicaraguense para uma solução pacífica para a crise política e social, com o compromisso de fazer um balanço dessa ação dentro de 75 dias.

Ainda que os membros da primeira Comissão da OEA não tenham podido entrar na Nicarágua, eles puderam ouvir vários testemunhos sobre a situação no país. O relatório de 13 páginas, enviado à Agência Fides, indica que foram ouvidos representantes de várias instituições para a proteção dos cidadãos, inclusive membros da Conferência Episcopal da Nicarágua.

O relatório termina com uma lista de direitos violados pelos mecanismos de controle do atual governo, o que impede a vida democrática no país. Portanto, são urgentemente necessárias reformas para realizar eleições transparentes. "A grave e contínua violação dos direitos humanos, bem como o abuso de poder pelo governo nicaraguense viola a Constituição de 1987, que se traduz em alterações da ordem constitucional, influenciando com gravidade a ordem democrática na Nicarágua, como descrito no artigo 20 da Carta Democrática Interamericana", conclui o relatório da OEA.

(Agência Fides)

20 novembro 2019, 13:13