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Familiares de vítimas em Burkina Faso Familiares de vítimas em Burkina Faso  (SESAME PICTURES)

Burkina Faso. A fuga dos cristãos do país

“Não vamos ceder a esta dinâmica, ao caos étnico e religioso. Somos um povo, permaneceremos um povo”. São palavras do cardeal Philippe Nakellentuba Ouédraogo, bispo de Ouagadougou, em Burkina Faso apelando a todas as religiões cristãs presentes no país.

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Os últimos, em ordem cronológica, a manifestar viva preocupação pelas condições dos cristãos em Burkina Faso são os responsáveis pelo Conselho Mundial das Igrejas (WCC) e Act Alliance, a coalizão humanitária de mais de cem Igrejas protestantes, que denunciam a situação de insegurança de muitos batizados no país africano que há cinco anos é vítima da violência extremista.

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Ataques às Igrejas cristãs

Estes ataques – é recordado em uma carta endereçada ao presidente Roch Marc Christian Kaboré – “antes tinham como objetivo o exército e as instituições estatais, mas agora assumiram um caráter cada vez mais religioso e sectário, causando vítimas entre a população civil”. “Já morreram centenas de pessoas, ocorreram inúmeros sequestros e fechamento de igrejas e escolas, esta violência causou o deslocamento de grande parte da população” proveniente das regiões do Sahel, do norte, do centro-norte e do leste, sublinha o texto assinado por Olav Fykse Tveit, secretário-geral da WCC, e Rudelmar Bueno de Faria, secretário-geral da Act Alliance. Uma situação que ameaça toda a nação e deve ser enfrentada com “decisão e sabedoria” pelas autoridades políticas, “para preservar todos os burquinenses da violência e das divisões sectárias, impedir que piore a emergência humanitária que deriva destes ataques e responder às necessidades humanitárias urgentes de tantas pessoas atingidas”.

As condições de segurança em Burkina Faso são cada vez mais precárias por causa dos repetidos ataques terroristas que desde abril começaram agredir em particular várias comunidades cristãs na área setentrional do país, obrigadas a deixar suas casas para se refugiar nas grandes cidades, onde encontram acolhida nas igrejas ou amigos. O número de cristãos refugiados aumenta dia após dia, aumentando também suas necessidades: água, alimentos, cuidados médicos e vagas para dormir com segurança. No aspecto da vida eclesial os danos são imensos: as igrejas dos vilarejos atingidas fecharam e as liturgias foram interrompidas.

Ultimato dos terroristas

Uma das dioceses mais atingidas é a de Kaya, no centro-norte; Nossa Senhora da Assunção de Pissila. As aldeias nos arredores foram atacadas várias vezes causando vítimas e destruições materiais. Na região norte do país, já não há mais nenhum cristão na diocese de Ouahigouya depois do ultimato dos terroristas à população intimando-os a se convertirem ao islamismo ou abandonarem suas casas.

Pedido de ajuda internacional

Os grupos armados estão tentando dividir as comunidades e aumentar as tensões, com o assassínio de dirigentes comunitários e religiosos. Foi lançado um apelo às autoridades do país para “promover ativamente a tolerância para que as comunidades religiosas possam coexistir sem muitas tensões” e um convite à comunidade internacional para “intervir, considerada a gravidade da crise, com ajuda material para as populações que se deslocam de suas casas”.

Denúncias da Igreja

A dramática situação dos cristãos no Sahel já foi denunciada várias vezes pelas autoridades eclesiais locais. No início de agosto, o presidente da Conferência episcopal de Burkina Faso e Níger, Dom Laurent Birfuoré Dabiré, bispo de Dori condenou os massacres cristãos realizados pelos grupos jihadistas. “A insegurança continua a crescer e nos obriga a reduzir as nossas atividades pastorais”, escreveu o bispo.

Também o bispo de Ouagadougou, o cardeal Philippe Nakellentuba Ouédraogo, alertou contra o risco de desencadear lutas étnicas e religiosas: “Os fiéis de todas as confissões devem dizer não. Não vamos ceder a esta dinâmica, ao caos étnico e religioso. Somos um povo, permaneceremos um povo”.

08 novembro 2019, 11:55