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A Amazônia possui mais de um terço das florestas primárias do planeta A Amazônia possui mais de um terço das florestas primárias do planeta  (AFP or licensors)

Equador. Proteção da casa comum na Amazônia, sobrevivência do mundo inteiro

“A realidade específica da Amazônia interpela hoje a consciência de todo fiel e de toda pessoa de boa vontade, a fim de que sua identidade, sua harmonia vital seja preservada, com o compromisso de proteger a ‘casa comum’, como afirma o Papa na Laudato si’”, afirma o missionário comboniano, Pe. Vincenzo Balasso

Cidade do Vaticano

“A situação é crítica em toda a Amazônia, especialmente no Brasil e na Bolívia, onde os incêndios dos últimos dias alcançaram uma extensão impressionante, destruindo milhares de quilômetros de superfície florestal. É preciso apelar a toda a humanidade a fim de que tome consciência das graves consequências e ameaças que esta situação poderia comportar. É preciso comprometer-se no ‘cuidado da casa comum’, buscando caminhos concretos de ação pacífica e resolutiva. É interesse de todos.” Foi o que disse à agência missionária Fides o religioso comboniano, Pe. Vincenzo Balasso, missionário há trinta anos no Equador.

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Desde o início do ano na floresta pluvial foram registrados mais de 72 mil incêndios, com um aumento de 84% em relação aos de 2018. Como explicou o missionário, a região pan-amazônica se estende em nove países sul-americanos (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluído a Guiana Francesa como território além-mar).

Preservação da Amazônia: importância vital para o planeta

Os temas de caráter ambiental, na tutela daquele que é definido “o pulmão do mundo”, entrelaçam uma reflexão e uma análise das históricas dinâmicas de injustiça existentes nessa região: “A salvaguarda desta área é de importância vital porque diz respeito ao nosso planeta de modo integral”, ressaltou Pe. Vincenzo.

“A bacia amazônica representa uma das maiores reservas de biodiversidade presentes na Terra (de 30 a 50% da flora e fauna), de água doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta); além disso, possui mais de um terço das florestas primárias”, destacou o sacerdote comboniano.

Patrimônio natural ameaçado por interesses econômicos

“Hoje, esse enorme patrimônio se encontra ameaçado por grandes interesses econômicos que se concentram em vários pontos do território: o crescimento desmedido das atividades agrícolas, extrativistas e de desmatamento danificou não somente a riqueza ecológica da região, mas também empobreceu a realidade social e cultural”, prosseguiu.

“Acrescenta-se a isso o narcotráfico, que põe em risco a sobrevivência dos povos que dependem dos recursos animais e vegetais destes territórios”, observou.

Resquícios de um passado colonizador

Portanto, não está em jogo somente uma questão de caráter ambiental, mas também a proteção de 390 povos indígenas que ali vivem. “Os povos amazônicos jamais estiveram ameaçados como agora: ainda há resquícios de um passado colonizador que gerou representações de inferioridade e de demonização das culturas indígenas”.

“Cada uma delas representa uma identidade cultural e particular, um patrimônio histórico específico e um modo peculiar de olhar a realidade e aquilo que os circunda: essas populações têm uma visão que poderia enriquecer todos e fazer-nos redescobrir a essencialidade da vida”, disse ainda.

Laudato si’, compromisso de proteger a casa comum

“A realidade específica da Amazônia interpela hoje a consciência de todo fiel e de toda pessoa de boa vontade, a fim de que sua identidade, sua harmonia vital seja preservada, com o compromisso de proteger a ‘casa comum’, como afirma o Papa Francisco na Laudato si’”, concluiu o missionário comboniano.

(Fides)

02 setembro 2019, 12:00