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Sínodo Caldeu: dos bispos o convite à unidade e maior presença dos leigos na Igreja

Dos expoentes da Igreja iraquiana, a esperança de um retorno das famílias deslocadas pelo ISIS e um fortalecimento do processo de reconstrução. A justa "representação " dos cristãos nas instituições e o objetivo de uma "cidadania plena". Ademais, o anúncio da conferência de jovens caldeus em 2020 e uma dedicada aos leigos em 2022.

Relançar a meta da "unidade" entre os cristãos, por meio do "diálogo e da comunicação" e a tarefa de "ponte"  entre as diversas etnias e grupos, "para promover a coexistência" e promover "o desenvolvimento da nação e seus cidadãos".

Este é o convite lançado pelo cardeal Louis Raphael I Sako e pelos bispos caldeus, na conclusão do Sínodo da Igreja caldeia realizado de 3 a 10 de agosto em Ankawa, um distrito cristão de Erbil, no Curdistão iraquiano. No comunicado final, relatado pela AsiaNews, são traçadas as diretrizes da missão, em uma fase crucial da vida da Igreja iraquiana.

Garantir o retorno dos deslocados

 

O primaz caldeu exorta os fiéis "dentro e fora" do país a unirem-se e a fortalecer sua identidade caldeia, segundo os princípios da fé, da ética cristã e da pertença à própria Igreja, à pátria e à sua língua.

 

A isto, soma-se a tarefa primordial de garantir "o retorno de famílias" deslocadas pelo Estado Islâmico (SI, anteriormente Isis), muitas das quais ainda estão em condições de sérias dificuldades.

Deste ponto de vista, torna-se essencial "apoiar o processo de reconstrução" de Mosul e das cidades da Planície de Nínive, devastada pelos jihadistas. Os  expoentes da Igreja Caldeia encorajam as famílias de cristãos deslocados internos a "retornarem e a não venderem suas casas e propriedades", pois pertencem "ao seu patrimônio histórico e cultural".

Defender os direitos dos cristãos

 

A Igreja iraquiana renova o convite para que sejam defendidos com veemência  os direitos dos cristãos, a partir de sua "justa representação" dentro das instituições governamentais. A isto soma-se o percurso que tem por objetivo o nascimento de um Estado "civil" que reconheça a "plena cidadania" para todos os seus membros, baseada na "igualdade, justiça, lei" e contra a ideologia sectária.

A importância dos processos eleitorais

 

No concernente aos processos eleitorais, a nota reitera a importância de que sejam os próprios cristãos a escolherem seus representantes no Parlamento e nos conselhos provinciais, em particular para as "quotas" atribuídas às minorias, sem a intervenção dos "grandes partidos" que manipulam votos e consensos.

 

Além disso, existe a intenção de se criar um fundo conjunto dentro do Patriarcado, "para apoiar projetos direcionados" e "as necessidades das dioceses"; a isto soma-se um "estudo econômico" para "determinar as condições com base nas quais contribuir para o fundo".

Pela primeira vez, a participação dos leigos no Sínodo

 

O Sínodo caldeu há pouco concluído - durante o qual os participantes revisaram os textos da liturgia – será recordado também pela participação, pela primeira vez,  dos leigos, que uniram-se aos bispos  em dois dias dos trabalhos, 6 e 7 de agosto.

Os encontros contaram com a participação de 16 leigos, incluindo três mulheres, que promoveram seis sessões dedicadas a diferentes temas, incluindo o estudo de como favorecer  a participação dos leigos na vida da Igreja local.

Conferência dos jovens caldeus em 2020 e encontro dos leigos em 2022

 

Ao final dos trabalhos, os participantes sublinharam algumas diretrizes para o futuro próximo: do fortalecimento da identidade caldeia na língua e na liturgia, à organização de uma Conferência de leigos caldeus a ser realizada em 2022, e antecipada por um encontro de jovens leigos caldeus para a primavera do próximo ano.

 

No centro dos trabalhos, a fé, a abertura aos outros, o Sacramento do Matrimônio e o discernimento vocacional.

Esperanças pela visita do Papa

 

O Sínodo contou com a participação de bispos do Iraque, Irã, Síria, Líbano, Estados Unidos, Canadá e Austrália, que no contexto dos trabalhos enviaram uma carta ao Papa Francisco, na qual reafirmaram o amor e a gratidão ao Pontífice.

A carta concluía com os votos de que o Pontífice possa visitar o país em 2020, como por ele mesmo manifestado  em 10 de junho passado, no encontro com a Roaco (Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais).

“Um pensamento insistente me acompanha pensando no Iraque, onde tenho o desejo de ir no próximo ano - disse o Pontífice naquela ocasião - para que possa olhar adiante através da participação pacífica e partilhada na construção do bem comum de todos as componentes religiosas da sociedade, e não caia novamente em tensões que vêm dos conflitos intermináveis de potências regionais”.

12 agosto 2019, 15:09