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Os cristãos são 29 milhões entre 1,3 bilhão de indianos Os cristãos são 29 milhões entre os 1,3 bilhão de indianos  (AFP or licensors)

Aumento da violência contra cristãos na Índia: 158 casos somente em 2019

A violência contra os cristãos teve um aumento a partir de 2014 e frequentemente é obra de grupos extremistas hinduístas, fomentados por "discursos de ódio religioso" na internet e nas redes sociais.

Cidade do Vaticano

Nos primeiros seis meses de 2019 foram registrados 158 episódios de violência contra cristãos em 23 Estados da Índia, que resultaram em ferimentos em 110 mulheres e 89 crianças. Os dados foram enviados à Agência Fides pelo United Christian Forum (UCF), organização que ativou uma linha telefônica específica para denúncias e assistência em casos de violência.

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De acordo com a nota, entre os 158 incidentes registrados pelo "Helpline", 130 dizem respeito a ataques ou intimidações e ameaças por parte de grupos violentos que agrediram fiéis pacificamente reunidos em igrejas ou em encontros de oração.

"Isso significa que, praticar a própria fé está se tornando um motivo de insegurança em 90% do território indiano", denuncia a organização.

"A violência impune tornou-se uma norma no país, onde nenhum partido político assumiu uma posição forte contra tais atos de intimidação contra as minorias religiosas", lamenta a declaração do UCF.

Omissão da polícia

 

Outra tendência preocupante – acrescenta - é a recusa da polícia em registrar o "First Information Record" (FIR), que é a denúncia contra os autores de violência.

"Somente em 24 dos 158 incidentes foi possível efetivar uma denúncia contra os culpados", revela a nota, citando "inação da polícia" em 11 Estados governados por partidos leigos e em 12 Estados onde estão no governo partidos marcadamente hinduístas.

Entre os Estados que registram o maior número de violências contra os cristãos, está Uttar Pradesh com 32 incidentes de violência, seguido por Tamil Nadu, com 31 incidentes.

"O modus operandi seguido em todos estes episódios é sempre o mesmo: uma multidão acompanhada pela polícia irrompe em um momento de oração gritando slogans, agredindo os fiéis, inclusive mulheres e crianças. Então os pastores são presos ou detidos pela polícia com a falsa acusação de conversões fraudulentas", explica a nota.

"Tais casos são de tal forma corriqueiros, que ninguém tem tempo para condená-los, nem políticos, nem a sociedade civil ou líderes religiosos", constata o Fórum.

Violências aumentaram a partir de 2014

 

A mesma organização também observa um aumento constante na violência contra os cristãos, a partir de 2014.

"Em 2014 houve cerca de 150 incidentes, em 2015 e 2016 foram cerca de 200. Em 2017 e 2018 chegaram a 250 e 300 casos, respectivamente. Em 2019, há uma média de 26 incidentes a cada mês”.

"Ninguém deveria ser perseguido por causa de sua fé. É preocupante ver esses terríveis atos sectários continuarem, mesmo depois de uma série de indicações dadas ao governo pela Suprema Corte. A polícia e as administrações locais, responsáveis ​​pela lei e ordem, devem agir rapidamente e contra qualquer pessoa que promova violência em massa", afirma Tehmina Arora, diretora da unidade indiana da "Alliance Defending Freedom" (ADF), associação comprometida na defesa dos direitos cristãos.

Segundo relatos da mídia, esses atos anticristãos são frequentemente realizados por grupos extremistas hinduístas, fomentados por "discursos de ódio religioso"  na internet e nas redes sociais.

Segundo a ADF, sentimentos e atos anticristãos na Índia tiveram um aumento desde que o governo federal passou a ser liderado pelo partido nacionalista hinduísta do primeiro ministro Narendra Modi, que em 2019 iniciou seu segundo mandato.

Cristãos são 2,3% da população

 

Na Índia existem 966 milhões de cidadãos hinduístas, isto é, 80% da população indiana, que no total chega a 1,3 bilhão de pessoas. Os muçulmanos são 172 milhões (cerca de 14%), enquanto os cristãos são 29 milhões (2,3%). (Agência Fides)

08 agosto 2019, 10:09