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O Conselho Mundial de Igrejas foi fundado em 1948 na Holanda. Na foto, o presidente Rev. Tveit O Conselho Mundial de Igrejas foi fundado em 1948 na Holanda. Na foto, o presidente Rev. Tveit  (AFP or licensors)

EUA. Contribuição do ecumenismo para desenvolvimento econômico

Realizado em Nova York, o seminário foi aberto com uma reflexão sobre a situação econômica dos EUA, em particular sobre as consequências das políticas neoliberais em relação ao regime tributário, que agudizou as diferenças na sociedade estadunidense que deve lidar com um estado social demasiadamente fraco, pouco atento às necessidades dos mais pobres

Cidade do Vaticano

Como construir uma economia capaz de promover equidade no respeito pela criação? Essa foi a pergunta principal que norteou o Seminário de estudo “Tributação e reparações – instrumentos para promover a equidade, a justiça climática e uma economia da vida”, realizado dias atrás em Nova York, EUA, à margem do fórum anual organizado pelas Nações Unidas sobre a relação entre sustentabilidade e desenvolvimento em economia, que este ano abordou o tema “Capacitar as pessoas e garantir a inclusão e a igualdade”.

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Favorecer a equidade social

O seminário foi promovido pelo Conselho Mundial de Igrejas, pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e pelo Conselho para Missão Mundial, que quiseram, também nessa ocasião, oferecer uma contribuição a um tema tão central no debate presente sobre o futuro do desenvolvimento ecumênico.

O encontro foi pensado para relançar uma ação com a qual reafirmar os princípios que se foram definindo nestes últimos anos a fim de sustentar uma economia capaz de favorecer equidade social com um uso dos recursos naturais, acabando assim com a violência e discriminação.

Denunciar injustiças e condenar a exploração arbitrária

No caminho ecumênico se tem afirmado, com uma profunda sintonia entre Igrejas e organismos ecumênicos, em vários níveis, a ideia de que se devem promover projetos que considerem as desigualdades, que muitas vezes são radicadas em episódios históricos, sobre os quais é necessário se chegar a uma reconciliação das memórias, para abrir novas perspectivas com as quais superar pobreza, conflitos e desintegração social graças a uma economia inspirada nos valores cristãos.

Trata-se, portanto, de denunciar injustiças, passadas e presentes, e de condenar a exploração arbitrária dos recursos naturais, como se não houvesse um manhã, mostrando que é possível um desenvolvimento econômico capaz de distribuir as riquezas de forma nova propriamente a partir da leitura das Sagradas Escrituras e da tradição viva da Igreja.

Situação econômica dos EUA

O seminário foi aberto com uma reflexão sobre a situação econômica dos EUA, em particular sobre as consequências das políticas neoliberais em relação ao regime tributário, que agudizou as diferenças na sociedade estadunidense que deve lidar com um estado social demasiadamente fraco, pouco atento às necessidades de todos, a partir dos mais pobres. A primeira parte foi dedicada a uma reflexão, também a partir de uma série de experiências concretas, sobre como um sistema tributário eficaz possa promover a equidade global.

A figura de Zaqueu

Foi feita uma forte evocação ao fato que se deve recorrer a uma política que saiba enfrentar a questão sobre como os países mais ricos devem intervir em auxílio aos países mais pobres. Trata-se de ativar projetos de “reparação” ao que foi feito pelas multinacionais que provocaram desigualdades sociais e problemas ambientais.

Na segunda parte refletiu-se, a partir da figura de Zaqueu e da sua tradição exegética cristã, sobre como a redistribuição das riquezas deve guiar a ação dos cristãos para favorecer um desenvolvimento capaz de acabar com pobrezas e desigualdades, inclusive no seio dos Estados mais ricos.

A Palavra, elemento fundante para a justiça e a paz

O encontro concluiu-se com uma oração ecumênica com a qual os participantes quiseram reafirmar a prioridade que a leitura e escuta da Palavra de Deus devem ter para construir um mundo fundado na justiça e na paz em condições de produzir um desenvolvimento econômico que gere equidade social.

(L’Osservatore Romano)

15 julho 2019, 13:40