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Estudantes japoneses na Audiência Geral de 19 de junho de 2019 Estudantes japoneses na Audiência Geral de 19 de junho de 2019  (AFP or licensors)

Bispos japoneses: ao lado de Francisco, Dez Dias de Oração pela Paz

Os bispos japoneses reiteram que "a paz e a estabilidade internacional não podem ser baseadas em uma falsa sensação de segurança, na ameaça de destruição recíproca ou de aniquilação total, ou simplesmente na manutenção de um equilíbrio de poder. A paz deve ser construída sobre a justiça, sobre o desenvolvimento humano integral, no respeito pelos direitos humanos fundamentais, na proteção da Criação".

Cidade do Vaticano

"Com o Papa Francisco, rezamos com todo o coração ao Deus da paz, para que possamos construir a paz participando plenamente do desenvolvimento integral de todos, pedindo a abolição das armas nucleares. Comecemos esta tarefa fazendo tudo o que for possível".

Este é o apelo lançado pelos bispos japoneses na mensagem assinada pelo arcebispo de Nagasaki e presidente da Conferência Episcopal do Japão, Dom Mitsuaki Takami.

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O texto, enviado à Agência Fides, recorda que "em 25 de fevereiro de 1981, o Papa João Paulo II fez um apelo surpreendente pela paz em Hiroshima. Em resposta a este apelo, a Igreja japonesa passou a celebrar anualmente os Dez dias de Oração pela Paz", de 6 a 15 de agosto, para refletir e rezar pela paz.

Papa no Japão em novembro

 

O documento dos bispos confirma que "o Papa Francisco visitará o Japão em novembro deste ano, 38 anos e 9 meses após o apelo pela paz de Hiroshima de João Paulo, e não vemos a hora que envie uma nova mensagem de paz ao mundo."

Durante a Audiência Geral de 20 de março, o Papa Francisco encontrou-se com Setsuko Thurlow, sobrevivente do ataque nuclear em Hiroshima, de 6 de agosto de 1945
Durante a Audiência Geral de 20 de março, o Papa Francisco encontrou-se com Setsuko Thurlow, sobrevivente do ataque nuclear em Hiroshima, de 6 de agosto de 1945

Os prelados japoneses reconhecem o esforço global do Pontífice em favor da paz e da reconciliação entre os povos: "Desde que ele se tornou o Sumo Pontífice, o Papa Francisco fez, de tempos em tempos, referências sobre a paz e a abolição das armas nucleares. Em 7 de julho de 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou um tratado histórico sobre a proibição de armas nucleares. No precedente 23 de março, o Papa havia entregue uma mensagem à Assembleia Geral da ONU", assinalando que questões como o terrorismo, os conflitos entre protagonistas com diferentes poderes militares, além de questões ambientais e a pobreza, "entrelaçam-se de maneira complexa, ameaçando a paz e a segurança do mundo moderno".

"Todavia – apontam os bispos japoneses - as ameaças nucleares não podem responder eficazmente a esses problemas. A estabilidade baseada no medo simplesmente aumenta o medo e compromete a confiança nas relações entre as nações. Em tal caso, devemos nos perguntar como a estabilidade pode ser mantida".

Paz deve estar baseada no desenvolvimento humano integral

 

Os prelados acrescentam que "a paz e a estabilidade internacional não podem ser baseadas em uma falsa sensação de segurança, na ameaça de destruição recíproca ou de aniquilação total, ou simplesmente na manutenção de um equilíbrio de poder. A paz deve ser construída sobre a justiça, sobre o desenvolvimento humano integral, no respeito pelos direitos humanos fundamentais, na proteção da Criação, na participação de todos na vida pública, na confiança entre os povos, no apoio às instituições pacíficas, no acesso à educação e à saúde, no diálogo e na solidariedade".

Os líderes da Igreja no Japão também recordam que a Santa Sé foi um dos três primeiros países a ratificar o Tratado sobre a proibição de armas nucleares e que patrocinou uma conferência sobre o desarmamento nuclear, e concluem a mensagem citando uma passagem da Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium", que afirma a fragilidade intrínseca de "uma paz que não é o resultado do desenvolvimento integral" (EG 219).

(Agência Fides)

19 julho 2019, 09:03