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Criança indiana em oração após massacres contra cristãos em Orissa.  Criança indiana em oração após massacres contra cristãos em Orissa.   (©V.R.Murralinath - stock.adobe.com)

“Reconciliação e não-violência para combater o extremismo religioso", exorta cardeal Bo

"A não-violência e o perdão pertencem àqueles que são moral e espiritualmente fortes", porque estão cheios do Espírito de Deus, recordou o arcebispo de Yangon, Charles Maung Bo, ao propor a não-violência e a reconciliação como formas de combate ao "nacionalismo, terrorismo, extremismo religioso, exploração e manipulação da raiva coletiva", que ameaçam a vida das populações asiáticas.

Cidade do Vaticano

Na Ásia devemos pregar a paz, promover a reconciliação, praticar a não violência, para combater o extremismo religioso. É o que defende o cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon, em Mianmar, e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC),  dirigindo-se aos líderes das Igrejas asiáticas reunidos nos dias passados em Bangcoc, para o seminário "Bíblia e a evangelização na Ásia".

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O purpurado citou como fonte inspiradora o histórico líder da luta pela liberdade e a independência da Índia, Mahatma Gandhi, reverenciado como "o apóstolo da não-violência."

Recordando a expressão de Gandhi “olho por olho deixa todo mundo cego", o cardeal Bo mencionou o massacre de Páscoa no Sri Lanka, observando como "os cristãos tornaram-se bodes expiatórios" de tantas tensões e interesses políticos.

Não perder a esperança de um amanhã melhor

 

 "Eu venho de um país onde o extremismo religioso gerou violência e luto", disse o cardeal, recordando as palavras do Papa Francisco que, ao visitar Mianmar, havia exortado: "Não pague o ódio com o ódio. Sejam um instrumento de paz".

O arcebispo de Yangon convidou os católicos e seus líderes a tornarem-se "pessoas de esperança": "Não podemos ser tomados pelo medo e pela paralisia - disse ele. Estes são os momentos em que os pastores devem caminhar pela Via Sacra, sem nunca perder a esperança de um amanhã melhor, não somente para o nosso povo, mas também para aqueles que foram vítimas do mal".

Então recordou que "a violência é do fracos”, não dos fortes: "A não-violência e o perdão pertencem àqueles que são moral e espiritualmente fortes", porque estão cheios do Espírito de Deus.

Desenvolvimento social e promoção da paz

 

O cardeal Bo não hesitou em listar "nacionalismo, terrorismo, extremismo religioso, exploração e manipulação da raiva coletiva" como ameaças à vida das populações asiáticas.

E reiterou os compromissos que apresentou quando foi eleito presidente da FABC: maior atenção ao desenvolvimento social e ao cuidado pastoral dos fiéis; trabalhar, em harmonia com o apelo do Papa Francisco, para superar os obstáculos das injustiças econômicas e ambientais; a importância de caminhar ao lado dos povos indígenas e afirmar seus direitos aos recursos e a suas tradições.

Por fim,  ressaltou que "a reconciliação deve ser considerada prioritária como parte da nova evangelização na Ásia", especialmente nas áreas de conflito violento e crônico.

(Agência Fides)

 

03 junho 2019, 10:40