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Cristãos na Índia no Domingo de Ramos, início da Semana Santa Cristãos na Índia no Domingo de Ramos, início da Semana Santa  (AFP or licensors)

Tribunal indiano ordena retomada do feriado da Sexta-feira Santa

Somente duas celebrações cristãs são reconhecidas na Índia como públicas, e celebradas também por fiéis de outras religiões: o Natal e a Sexta-feira Santa. O secretário geral dos bispos indianos, Dom Mascarenhas, ressalta que os não cristãos – neste caso hindus – foram os que mais apoiaram a petição dos católicos, oferecendo assistência legal e apoio moral

Cidade do Vaticano

O Tribunal Superior de Mumbai ordenou a dois Territórios da União indiana a retomada do feriado da Sexta-feira Santa, que este ano se celebra em 19 de abril. O fato de Dadra e Nagar Haveli (Dnh) e Daman e Diu, ambas ex-colônias portuguesas na costa ocidental da Índia, terem eliminado o feriado da Sexta-feira Santa causou profundo desalento não somente na comunidade católica local, mas em toda a Índia.

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A democracia indiana está viva

O bispo auxiliar de Ranchi e secretário geral da Conferência Episcopal Indiana (Cbci), Dom Theodore Mascarenhas, afirma com satisfação à agência AsiaNews: “Vencemos. Estamos contentes, sobretudo porque a democracia indiana está viva. Tivemos um apoio incrível também de muitos não cristãos. Essas são as coisas bonitas da Índia que devemos conservar”.

A sentença foi emitida esta segunda-feira (15/04), após alguma semanas de adiamento. Os dois juízes que se ocuparam do caso, entre os quais o presidente do Tribunal, Pradeep Nandrajog, acolheram a petição de Anthony Francisco Duarte, representando da Igreja indiana e a Arquidiocese de Goa e Daman. A defesa dos cristãos foi feita pelo advogado hindu Haresh Jagtiani.

Hindus foram os que mais apoiaram a petição católica

Somente duas celebrações cristãs são reconhecidas na Índia como públicas, e celebradas também por fiéis de outras religiões: o Natal e a Sexta-feira Santa. O bispo ressalta que os não cristãos – neste caso hindus – foram os que mais apoiaram a petição dos católicos, oferecendo assistência legal e apoio moral.

Com efeito, o advogado Jagtiani, que venceu a causa, é hindu. Além disso, trabalhou pro bono, ou seja, sem ser remunerado. Também os dois juízes do Tribunal Superior são hindus, acrescenta Dom Mascarenhas.

Imensamente gratos pelo apoio recebido

“Somos imensamente gratos a todas as pessoas que nos apoiaram. O senhor Duarte, que apresentou a petição, teve muita coragem. Nem todos estariam dispostos a fazer a mesma coisa. Também o advogado foi muito bravo. Foi difícil conseguir encontrar em pouco tempo um profissional com as competências adequadas para perorar a causa”, enfatiza.

Há semanas o bispo estava preocupado com a sentença e agora se diz aliviado com a decisão do Tribunal. A decisão de classificar a celebração de Tipo 1 para Tipo 2 estabelecendo que a partir de então, diferentemente do passado, escolas e repartições públicas permaneceriam abertas, obrigando assim os funcionários cristãos que quisessem ausentar-se a pedir férias tinha suscitado angústia e preocupação para os católicos indianos.

Disposição anterior poderia criar precedente judiciário

O que tinha sido estabelecido pelas administrações dos dois Territórios corria o risco de criar um perigoso precedente judiciário: efetivamente, outros Estados indianos poderiam seguir o exemplo e colocar a liberdade religiosa em sério risco no país.

“Foi reafirmado o direito de professar livremente a própria fé na Índia. Seria impensável o contrário, para um país fundado na laicidade do Estado”, conclui o secretário geral da Conferência Episcopal Indiana.

(AsiaNews)

16 abril 2019, 11:57