Cerca

Vatican News
Terra Santa - Jerusalém Terra Santa - Jerusalém 

Peregrinos na Terra Santa ao lado dos cristãos de Israel

“Os cristãos em Israel: desafios e oportunidades” é o tema da tradicional peregrinação de início de ano na Terra Santa, que os bispos da Holy Land Coordination realizam representando as Conferências episcopais da Europa, da América do Norte e do Sul e a África. Entrevista com Dom Rodolfo Cetoloni, um dos participantes

Cidade do Vaticano

Em janeiro será realizada a edição 2019 da peregrinação à Terra Santa “Holy Land Coordination” formada por bispos provenientes da Europa da América do Norte e do Sul e da África. A peregrinação foi instituída há 20 anos a convite da Santa Sé e tem como objetivo apoiar as necessidades das comunidades cristãs da Terra Santa, renovando o conhecimento, a amizade e a solidariedade entre as Igrejas locais. O tema de trabalho da peregrinação deste ano são os cristãos que vivem em Israel, que segundo as últimas informações, publicadas em janeiro de 2019 pelo Departamento Central de Estatística, são cerca de 175 mil, com 70% localizados no norte do país, em um total de 2% da população.

Ouça e compartilhe

Encontro com líderes religiosos e políticos

Durante a viagem que será realizada entre 11 e 17 de janeiro, serão visitadas as cidades de Jerusalém e Haifa, alguns vilarejos da Cisjordânia e Israel, e Zababdeh, Jenin, Ikrit, Miikya. Na programação estão previstos vários encontros com fiéis católicos mas também com as comunidades judaicas e com expoentes religiosos muçulmanos, drusos, bahai e líderes políticos. Os bispos serão recebidos pelo administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa e Dom Leopoldo Girelli, delegado apostólico em Jerusalém e na Palestina.

Dom Rodolfo Cetoloni, bispo da cidade de Grosseto, é um dos bispos que participarão da peregrinação deste ano. Dom Rodolfo há uma estreita ligação com a Terra Santa onde foi ordenado sacerdote e já participou da peregrinação três anos atrás.

Dom Cetoloni: Volto para o lugar onde todos nós nascemos e onde está meu coração. A minha expectativa é de conhecer melhor pelo testemunho de várias comunidades e das pessoas que encontraremos, a situação atual tanto do ponto de vista religioso como do civil, do trabalho e também da esperança porque a situação há anos é muito difícil … Queremos compartilhar com eles três pontos: a peregrinação para favorecer as viagens à Terra Santa, o da oração entre nós bispos e as comunidades cristãs locais e o da “pressão” a ser feita através de encontros e contatos que os bispos possam ter em seus países para a afirmação dos direitos humanos, da liberdade religiosa. Queremos conhecer também as dificuldades e os problemas materiais desses cristãos e as minorias, para que possam ser ajudados. Um outro ponto que pode ser acrescentado este ano é o da presença, porque é o primeiro testemunho da ligação que a Igreja universal continua a ter com os cristãos da Terra Santa.

“ Devemos estar presentes seja porque nos reconhecemos como irmãos, seja pelas raízes comuns, mas também para não sejam apenas uma recordação, uma ligação afastada à qual faz-se contribuição… ”

O senhor disse “não temos um objetivo político nesta peregrinação”, porém, os encontros de fraternidade com autoridades locais e com comunidades judaicas certamente poderão dar frutos…

Dom Cetoloni: Esperemos! O encontro sempre dá frutos quando há uma recíproca escuta e quando também se apresentam situações de dificuldade que talvez tenham necessidade de “pontes”, como pode ser o nosso Holy land coordination: ou seja, mostrar estas realidades em um clima de diálogo mas também de clara defesa dos direitos humanos e sem uma tomada de posição política, mas humana, com o peso que pode ter o testemunho das comunidades cristãs, e das Conferências episcopais de todas as partes do mundo.

É um trabalho que agrada todas as partes e portanto espero que tenha algum fruto. Claro, os frutos são lentos porque o “peso” das escolhas políticas algumas vezes são muito fortes. Portanto se o trabalho do conhecimento, o estabelecimento de relações, da tomada de consciência, e também do pedido de defesa de algumas realidades frágeis, entra no coração de muitas pessoas, isso certamente dará frutos.

10 janeiro 2019, 13:58