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Sustentabilidade e justiça são duas faces da mesma medalha Sustentabilidade e justiça são duas faces da mesma medalha  (© Vatican News)

Cop24. Apelo do CMI a líderes políticos: criação não está à venda

O Conselho Ecumênico de Igrejas, a Federação Luterana Mundial e Act Alliance, que representam mais de meio bilhão de cristãos no mundo inteiro, pedem aos líderes presentes na Cop24 uma renovada solidariedade global. “Como Igrejas devemos concentrar-nos sobre esta visão e comprometer-nos em ações concretas em favor da justiça climática”, afirmam.

Cidade do Vaticano

“Não podemos permitir-nos perder mais tempo. É chegado o momento de agir”: afirmou o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas – CMI (World Council of Churches – Wcc), Rev. Olav Fykse Tveit, lançando uma mensagem à Conferência das partes promovida pelas Nações Unidas sobre as mudanças climáticas (Cop24), em andamento em Katowice, na Polônia, até o dia 14 de dezembro.

Assegurar plena eficácia do Acordo de Paris

O destino do histórico Acordo de Paris depende deste encontro. Como se tem destacado, os três principais objetivos do encontro são adotar as medidas necessárias para assegurar a plena eficácia do Acordo de Paris; rever detalhadamente os planos nacionais de ação em favor do clima; e verificar os planos do país anfitrião, maior consumador de carvão na Europa, para abater as emissões nacionais de dióxido de carbono.

Solidariedade global

Tanto o Conselho Ecumênico de Igrejas quanto a Federação Luterana Mundial (FLM), bem como Act Alliance, que representam mais de meio bilhão de cristãos no mundo inteiro, pediram aos líderes presentes em Katowice uma renovada solidariedade global e uma intervenção imediata para apoiar aquelas comunidades que têm um notável impacto sobre as mudanças climáticas.

É preciso medidas urgentes

Segundo o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, agora são necessárias “medidas urgentes de adaptação, atenuação e transformação dos sistemas econômicos; profundas mudanças comportamentais, políticas de sustentação nacionais e globais, bem como de acordos institucionais para evitar consequências potencialmente catastróficas das mudanças climáticas.

Ao enfrentar esse desafio existencial a esperança está no dar-se conta de que sustentabilidade e justiça são duas faces da mesma medalha, disse o pastor luterano Tveit.

O contexto

O encontro sobre o clima em andamento na Polônia se dá na esteira de advertências claríssimas lançadas pelo Painel sobre Mudanças Climáticas, pela Organização meteorológica internacional e pelo Plano ambiental da Onu: se o aumento da temperatura continuar no ritmo atual, o aquecimento climático poderá superar o limiar de 1,5 grau entre 2030 e 2052; o que torna absolutamente urgente a diminuição das emissões de gases que provocam o chamado efeito estufa.

Limitar o aquecimento global

“Para limitar o contínuo aquecimento global – ressaltou o secretário geral da Federação Luterana Mundial, Rev. Martin  Junge – é preciso uma profunda transformação. Como pessoas de fé, bem sabemos como Deus quer que este mundo seja e aquilo que quer para os seres humanos.”

“Nossa mensagem às Igrejas e ao mundo – acrescentou – é que a criação não está à venda. Como Igrejas devemos concentrar-nos sobre esta visão e comprometer-nos em ações concretas em favor da justiça climática.”

“A Federação Luterana Mundial encontra-se envolvida também por uma questão de justiça entre gerações e a nossa delegação na Cop24 está composta por jovens líderes engajados ativamente e envolvidos nas temáticas da mudança climática”, recordou Junge.

O que prevê o Acordo de Paris

O secretário geral de Act Alliance (rede que reúne 145 Igrejas e organizações, Rudelmar Bueno de Faria, observou que a aplicação do Acordo de Paris depende em grande parte das regras e das linhas-mestras que serão ulteriormente desenvolvidas por ocasião desta Cop24. “É de fundamental importância que as regras permitam uma aplicação ambiciosa e justa do Acordo de Paris”, disse.

Nosso pedido de justiça climática e de ação em favor do clima é urgente. Estamos diante de uma crise sem precedentes. As comunidades e os países estão perdendo seus territórios no Pacífico devido à elevação do nível do mar.

Emergências humanitárias na Ásia e África

Inundações e secas estão causando emergências humanitárias na Ásia e na África, afirmou Bueno de Faria, referindo-se ao recente relatório do Painel intergovernamental sobre mudança climática.

“Estamos preocupados com o fato de as nações desenvolvidas não terem mantido a promessa de fornecer financiamentos adequados sobre a mudança climática para auxiliar a adaptação dos países em desenvolvimento.”

“Estamos também decepcionados com o fato de não existir, tanto a nível local quanto a nível global, fundos suficientes dedicados à mudança climática”, concluiu o secretário geral de Act Alliance.

(L’Osservatore Romano)

05 dezembro 2018, 13:42