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Índios: esquecidos e atacados

A evangelização e o bem-estar dos povos indígenas, "aquela porção do Povo de Deus muitas vezes esquecida e sem a perspectiva de um futuro sereno", estará no centro das reflexões e propostas do próximo Sínodo Amazônico, marcado para outubro de 2019, no Vaticano.

Cristiane Murray - Cidade do Vaticano

Entre os dias 5 e 12 de novembro, comissários e comissárias da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) voltaram ao Brasil, depois de 23 anos, para uma visita a aldeias em Altamira (PA), Santarém (PA) e Dourados (MS). A delegação esteve em quilombos, periferias de grandes centros urbanos, locais de acolhimento a migrantes e pessoas em situação de rua e outros locais de vulnerabilidade ou conflito social.

Após a visita, a Comissão, que é ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), elaborou e divulgou um relatório preliminar em que são ressaltadas a frequente violência contra indígenas e a negligência do Estado na demarcação de suas terras tradicionais.

“O relatório chama atenção para o “assédio, ameaças e ataques a defensores, líderes e comunidades indígenas que defendem seu território”

A situação vivenciada pelos indígenas no estado de Mato Grosso do Sul, especialmente a dos povos Guarani e Kaiowá, foi destacada no relatório como uma “grave situação humanitária”. Para a CIDH, o confinamento destes povos em pequenas reservas superlotadas e os conflitos resultantes dessa política “privam o Guarani e Kaiowá de uma vida decente”.

Intolerância e violência têm aumentado nos últimos tempos

Na terça-feira (06/11), o líder indígena Reinaldo Silva Pataxó, de 40 anos, foi assassinado a tiros na aldeia Catarina Caramuru Paraguassú, em Pau Brasil (BA) e o indígena Ava-Guarani Donecildo Agueiro, de 21 anos, do Tekoha Tatury, sofreu atentado a tiros após sair de reunião da Coordenação Técnica Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre demarcação de terras indígenas na região de Guaíra, (PR).

Ouça a reportagem

No Mato Grosso do Sul, outros três ataques foram registrados ainda naquele dia. Em Dourados, 15 indígenas foram feridos em um ataque de balas de borracha a um acampamento ao lado de uma aldeia Bororo. Outros dois casos de ameaça foram reportados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) no estado. Cerca de 40 caminhonetes fizeram uma carreata a uma retomada indígena em Caarapó, enquanto em Miranda, no Pantanal sul-mato-grossense, fazendeiros soltaram fogos de artifício e realizaram disparos de armas de fogo em direção a um assentamento.

Foi este acirramento dos conflitos envolvendo os povos indígenas no Mato Grosso do Sul a incentivar a visita da delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) à região sul do estado.

O testemunho de quem os defende, em nome da Igreja

Joana Aparecida Ortiz, franciscana de N. S. Aparecida em Campo Grande (MS), integra a coordenação do Regional do CIMI.

O Conselho apoia a questão indígena, principalmente os povos afetados gravemente pelo agronegócio e cujas terras estão atualmente “nas mãos de outros”, como ela afirma neste testemunho concedido ao Padre Luís Miguel Modino.

Nós como missionários e missionárias do CIMI apoiamos estes povos em suas decisões. Escutamos as suas demandas; nossa missão é fazer com que cheguem às autoridades, inclusive fora do país, para que suas terras sejam demarcadas. Um grande desafio no Mato Grosso do Sul é a demarcação das terras indígenas”.

Situação dos povos indígenas será foco do próximo Sínodo

Como anunciado pelo Papa Francisco, o bem-estar e a evangelização dos povos indígenas, "aquela porção do Povo de Deus muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno", estarão no centro das reflexões e propostas do próximo Sínodo Amazônico, marcado para outubro de 2019, no Vaticano. 

Confira o chamado do Papa Francisco


 

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14 novembro 2018, 14:29