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Cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston e presidente da USCC Cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston e presidente da USCC  (ANSA)

Bispos dos EUA: unidos ao Papa na luta contra os abusos

O cardeal Daniel DiNardo expressou novamente ao Papa, da parte de todos os bispos, "amor, obediência e lealdade", "nestes dias difíceis".

Sergio Centofanti, Silvonei José - Cidade do Vaticano

Concluiu-se nesta quarta-feira (14/11), em Baltimore, a sessão plenária da Conferência dos Bispos dos EUA (Usccb): ao centro dos trabalhos a questão dos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja. A assembléia encerrou-se com uma declaração de esperança do cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston e presidente da USCC.

Amor, lealdade e obediência dos bispos dos EUA ao Papa Francisco

"A minha esperança - disse - é antes de tudo fundada em Cristo, que deseja que a Igreja seja purificada e que nossos esforços dêem frutos". O cardeal expressou novamente ao Papa, da parte de todos os bispos, "amor, obediência e lealdade", "nestes dias difíceis". "Estou certo de que, sob a orientação do Papa Francisco, o encontro que a Igreja presente em todo o mundo terá em fevereiro nos ajudará a erradicar o mal do abuso sexual da nossa Igreja. Isso tornará nossos esforços locais mais globais e a perspectiva global nos ajudará nesse sentido ".

O encontro de fevereiro no Vaticano

Neste sentido, foi esclarecido o pedido da Santa Sé aos bispos dos Estados Unidos para adiarem a votação sobre os princípios de responsabilidade episcopal e sobre uma comissão especial para receber denúncias contra os bispos em relação a casos de abusos, justamente em vista da convocação feita pelo Papa aos presidentes das Conferências Episcopais de todos os continentes a se reunirem no Vaticano de 21 a 24 de fevereiro do próximo ano para afrontar a questão colegialmente.

"Estamos no caminho certo"

O cardeal DiNardo agradeceu aos numerosos sobreviventes dos abusos e aos especialistas que deram "bons conselhos e orientações" durante a sessão plenária, lembrando os três objetivos estabelecidos anteriormente: fazer todo o possível para chegar ao fundo do caso McCarrick; tornar mais fácil a denúncia de abusos e a má conduta por parte dos bispos; desenvolver maneiras de estabelecer a responsabilidade dos bispos, que sejam verdadeiramente independentes, devidamente autorizados e com um envolvimento substancial dos leigos. "Agora - sublinhou - estamos no caminho certo para alcançar esses objetivos. Esta é a direção que vocês e os sobreviventes dos abusos em todo o nosso país me deram para o encontro de fevereiro em Roma ".

Ações fortes o mais rápido possível

"Deixamos este lugar - afirmou - comprometidos em tomar as ações mais fortes possíveis o mais rápido possível. Faremos isso em comunhão com a Igreja em todo o mundo. Avançar em sintonia com a Igreja em todo o mundo tornará a Igreja nos Estados Unidos mais forte e fortalecerá toda a Igreja ”.

Verdadeira reforma é santidade

"Mas a nossa esperança de uma reforma verdadeira e profunda" - disse o cardeal - está, além da eficiência das estruturas, na "santidade: a profunda convicção das verdades do Evangelho e a disponibilidade a sermos transformados por essas verdades em todos os aspectos da vida". DiNardo citou as palavras pronunciadas na última segunda-feira pelo núncio apostólico nos Estados Unidos, Dom Christophe Pierre: "Se a Igreja deve reformar-se e deve reformar suas estruturas, então a reforma deve brotar de sua missão de tornar conhecido Cristo, o Filho do Deus vivo". "Nenhum sistema de governo ou vigilância, por mais excelente e necessário que seja – disse o presidente dos bispos dos EUA - é o suficiente sozinho para nos tornar, fracos como todos nós somos, capazes de viver a elevada vocação que recebemos em Cristo. Devemos renovar o compromisso à santidade e à missão da Igreja ".

Unidos ao Papa e a toda a Igreja

Então, o cardeal concluiu: "Estou confiante de que, em união com o Santo Padre e em diálogo com a Igreja presente no mundo inteiro em fevereiro, seguiremos em frente. Ainda há muito a ser feito, mas o que fizemos é um sinal de esperança".

 

15 novembro 2018, 14:42