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Menino sírio fugido na Província de Daraa Menino sírio fugido na Província de Daraa  (AFP or licensors)

Em Aleppo, jejum e oração pela sorte de Idlib

Os ataques aéreos contra os rebeldes anti-Assad em Idlib tiveram início na noite de terça-feira. Na sexta-feira, um encontro de cúpula em Teerã reúne mandatários da Rússia, Irã e Turquia, enquanto em Nova Iorque reúne-se o Conselho de Segurança da ONU. A Igreja em Aleppo reza e jejua para que a vida dos civis na Província de Idlib seja preservada.

Roberto Piermarini - Cidade do Vaticano

Após a advertência de Donald Trump, que ameaça tomar medidas se Damasco usar armas químicas contra o último reduto dos rebeldes anti-Assad em Idilb, manifesta-se também o Presidente turco Erdogan.

Em meio às negociações em curso entre a Rússia, Irã e Turquia e a dois dias do encontro trilateral a ser realizado em Teerã sobre a Síria, reunindo Putin e Rohani, o líder turco afirma que "se forem lançados mísseis na Província, haverá um massacre", alegando temer um êxodo maciço de civis sírios para seu território.

Ofensiva tem início pelo ar

 

Caças russos começaram a bombardear Idlib na noite de terça-feira juntamente com aviões militares do governo sírio. Nos ataques, que atingiram 24 locais, morreram nove civis, incluindo algumas crianças, mas o número pode aumentar, tendo em vista o grande número de feridos graves.

Em nível diplomático, a Alta Representante da União Europeia, Federica Mogherini, disse que "Idlib é a última área de escalada de violência na Síria e que os garantes de Astana estão comprometidos em salvaguardar. A UE pede a eles para manterem seus compromissos e protegerem os civis em vias prioritárias.

Os EUA, por sua vez, estão organizando para sexta-feira uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, no qual têm a presidência rotativa, sobre a situação em Idlib.

Papa: risco de catástrofe humanitária

 

Uma preocupação da comunidade internacional também compartilhada pela Santa Sé. No domingo, o Papa Francisco lançou um apelo pelo respeito do direito humanitário na Síria, instando as partes em conflito a promoverem os instrumentos do diálogo e da diplomacia, a fim de salvar as vidas de civis. Um apelo recebido com alegria pelos cristãos de Aleppo, cuja província faz fronteira com a de Idlib.

Por telefone, direto de Aleppo, o frei Ibrahim Alsabagh, sacerdote franciscano, pároco na cidade síria, explicou a Manuela Affejee, da redação francesa, que neste contexto repleto de incertezas, a sua comunidade paroquial escolheu as armas da oração e do jejum.

R. - Certamente acolhemos com entusiasmo e alegria as palavras do Santo Padre. Ele fez um pronunciamento muito equilibrado; não fez referências políticas: foi diretamente ao essencial, isto é, salvar as vidas de civis. Neste momento, compartilhamos a mesma preocupação - e é realmente muito, muito difícil - porque em alguns povoados há muitos cristãos. Ao mesmo tempo, também estamos preocupados com os fiéis muçulmanos que neste momento estão sob o controle de grupos armados. Sabemos que há confusão e desordem dentro dos grupos: não há leis, regras. Sabemos também que eles sequestraram muitos civis nestes dias, mesmo entre os cristãos. Existem muitas dificuldades, quer para sair como para entrar na cidade. Nas últimas semanas era possível passar pelos checkpoints, os postos de controle militar, para ir e voltar de Idlib. Neste momento tudo está fechado. A situação é realmente difícil e junto com a comunidade de Aleppo começamos a jejuar e rezar pela libertação de Idlib, porque a população não pode continuar a viver dessa maneira.

A situação em Idlib parece extremante complicada. Para nós, aqui na Euorpa, é difícil compreender o que está em jogo. O senhor poderia nos falar brevemente sobre a Província de Idlib, qual a sua importância e sobre as forças em ação na área?

R. - Agora temos a certeza de que a crise síria é uma crise internacional. Muitos exércitos governamentais estão presentes em solo sírio, em particular em Idlib. Mais de 65 mil soldados estão presentes no território sírio e controlam as diferentes áreas da cidade. Sabemos que esses grupos armados, em particular os fundamentalistas como al-Nusra, foram armados nos últimos tempos e estão prontos para defender a "propriedade". Também sabemos que existem países que estão com a Síria e outros contra ela. O governo sírio, junto com o russo, o iraniano e nestes últimos tempos, junto com o turco, estão tentando resolver o problema, mas por trás de toda esta situação há grandes interesses de muitos países. Portanto, há confusão e dificuldade em se reunir para realmente resolver a situação. Tudo isso torna a situação em Idlib tão difícil e delicada neste momento.

O senhor disse que ainda existem comunidades cristãs em Idlib e, entre elas, há uma comunidade de franciscanos. Apesar de tudo, se tem alguma notícia desta comunidade?

R. - Sim. Temos contatos, mesmo que se tratem de breves diálogos: não podemos falar de algumas coisas porque tudo é controlado, mas tentamos nos comunicar com eles todos os dias para saber como estão e se precisam de alguma coisa. Nós nos encontramos em uma situação difícil. Depois de anos de ocupação por grupos armados nos povoados, agora começaram a sequestrar cristãos e exigir resgates muito elevados que ninguém pode pagar neste momento, nem mesmo vendendo terrenos, casas e com muitas humilhações. A situação é muito difícil para os cristãos e todos os dias torna-se mais delicada e mais difícil também para a cidade. Estou em contato com pessoas que vivem lá e me dizem: "Nós realmente rezamos pela libertação, porque não podemos continuar assim".

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05 setembro 2018, 17:38