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"O esporte nos conecta com as nossas raízes mais profundas, com a realidade do mundo criado, no qual existimos como criaturas livres" "O esporte nos conecta com as nossas raízes mais profundas, com a realidade do mundo criado, no qual existimos como criaturas livres"  (ANSA)

Mons Melchor Sánchez e o Seminário sobre Esporte e Desenvolvimento no Rio

Monsenhor Melchor Sánchez de Toca, Subsecretário do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano e responsável pelo Movimento Esporte a Serviço da Humanidade, fala sobre o Seminário sobre "Esporte como Ferramenta para o Desenvolvimento Humano, Econômico e Social".

Rio de Janeiro

Em entrevista exclusiva para o Vatican News, o Monsenhor Melchor Sánchez de Toca, Subsecretário do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano e responsável pelo Movimento Esporte a Serviço da Humanidade, que inspira todas as organizações e participantes do esporte a viver, pensar e agir de acordo com a Declaração de Princípios do “Esporte ao Serviço da Humanidade”, fala sobre o Seminário sobre "Esporte como Ferramenta para o Desenvolvimento Humano, Econômico e Social", onde teve a oportunidade de conhecer iniciativas esportivas da Arquidiocese do Rio de Janeiro, apresentadas pelo Pe. Omar Raposo, e proferir a palestra de abertura com o tema “Esporte e Fé”.

O evento, promovido pela Fundação Getulio Vargas, considerada melhor think-tank da América do Sul e alinhado com Programa Executivo FGV/FIFA/CIES de Aperfeiçoamento em Gestão do Esporte, oferecido em colaboração com o Centro Internacional de Estudos do Esporte (CIES) e a FIFA em 16 universidades na América, África, Europa e Oriente Médio, em países como Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Egito, Palestina, Peru, Polônia, Rússia, Senegal, África do Sul, Espanha, Trinidad e Tobago, Emirados Árabes Unidos e Venezuela, realizou-se no último dia 25 de agosto, no Rio de Janeiro, e está disponível no YouTube: https://is.gd/uRnyCC

Como foi participar do VIII Seminário FGV/CIES/FIFA Master Alumni, inspirado na Conferência organizada pelo Vaticano em 2016 sobre o Esporte a Serviço da Humanidade e como surgiu esse convite?

R. - A conferência Sport at the Service of Humanity no Vaticano constitui um marco muito importante na história das relações entre o esporte e a Igreja católica. Nela foi promulgada a declaração de princípios do esporte, e desde então as iniciativas que buscam promover o esporte como ferramenta de crescimento pessoal e social multiplicaram-se em todo o mundo. Há, certamente, muitas organizações que promovem a paz e uma major integração social através do esporte. No Seminário, organizado pelo Professor Pedro Trengrouse, pudemos conhecer um bom número de projetos sociais que trabalham pela educação dos jovens através do esporte. Mas é sempre bom recordar: o esporte não é apenas ferramenta para um fim. Ele é em si mesmo um bem, uma realidade que nos aproxima das nossas raízes como criaturas. Por isso, a ideia de começar o seminário com uma palestra sobre os fundamentos antropológicos e teológicos do esporte foi muito acertada.

 

Nos últimos 20 anos o Brasil foi um dos maiores protagonistas da cena esportiva global recebendo os jogos Pan-Americanos, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Eventos como esse seminário, transmitido ao vivo pelo YouTube, aproveitam esse protagonismo do Brasil no cenário mundial para reforçar a compreensão do esporte como instrumento para o desenvolvimento e para a paz?

R. - A Embaixadora Vera Cíntia dissertou muito bem na sua palestra sobre o soft power do esporte, o poder Brando, inclusive, parafraseando Vo Clausewitz, afirmou que o esporte é um prolongamento da política por outros meios. Os Jogos olímpicos da Coreia, onde tive a honra representar a Santa Sé, demonstraram mais uma vez a capacidade que o esporte tem para abrir vias de dialogo, principalmente onde negociações políticas fracassam. Neste sentido, o Brasil é uma grande potência mundial, sobretudo no futebol, mas também em outras disciplinas. E também o "caso Islândia" demostra como o investimento numa política esportiva de base, não apenas dirigida aos atletas de elite, mas a todos, principalmente jovens, é capaz de regenerar um tecido social gravemente degradado e também conseguir sucessos esportivos em eventos como a Copa do Mundo da FIFA.

Como foi recebida a mensagem enviada pelo Papa Francisco especialmente para o seminário?

R. - O Santo Padre fez questão de enviar uma mensagem oficial para o Professor Pedro Trengrouse, responsável pelo Seminário, através da Secretaria de Estado e da Nunciatura do Vaticano no Brasil. Desde seus tempos como Arcebispo de Buenos Aires, ele sempre tem dito que o esporte, junto com a escola e o trabalho, são os grandes caminhos para a educação dos jovens. É uma demonstração do valor educativo do esporte.

A Jornada Mundial da Juventude em 2013 atraiu mais gente ao Brasil que qualquer um dos eventos esportivos que o país organizou e esse seminário abriu sua programação com sua palestra sobre Esporte e Fé. Qual a importância de um seminário organizado pela principal think tank da America Latina tratar com tanto destaque o papel da Igreja no Esporte, inclusive ilustrando o tema com iniciativas da Arquidiocese do Rio de Janeiro relacionadas ao Esporte?

R. - Como disse na minha palestra, o esporte nos conecta com as nossas raízes mais profundas, com a realidade do mundo criado, no qual existimos como criaturas livres. Além disso, a aliança entre as comunidades religiosas e o esporte gera um grande benefício para toda a sociedade. A Igreja, nas suas Paróquias, nas escolas, nos centros de formação, pode apreender muito dos valores que o esporte comporta. E também o mundo das organizações esportivas poderia ter benefícios com uma maior relação com as comunidades religiosas. Para a Igreja e para outras religiões, o esporte pode ser um antídoto contra o fundamentalismo. E para as organizações esportivas, as comunidades religiosas podem ser um antídoto contra a corrupção e os fenômenos negativos que há em torno do esporte.

Além de abrir o seminário com a palestra Esporte e Fé, a organização do seminário fez questão de uma missa em ação de graças no Cristo Redentor, ícone do cristianismo brasileiro. Como foi celebrar essa missa?

R. -  O Cristo Redentor, no Corcovado, é o ícone do Rio e do Brasil. Acho que o Rio de Janeiro é a única cidade do mundo que tem Cristo como a sua imagem e como o símbolo que a identifica. Celebrar uma missa nas alturas do Corcovado, a convite do Padre Omar Raposo, na capela dentro do monumento, em meio a uma tempestade com direito a rajadas de vento, foi uma imagem muito bela: era como a fenda na pedra onde Moisés entrou quando Deus passava na montanha, um local de refúgio, onde pode-se dizer: Senhor meu Deus, em ti me refugio (Salmos 7:1).

 

05 setembro 2018, 18:03