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"Uma religião é julgada boa ou má, dependendo se atende às necessidades de seus seguidores. Se não der satisfação, é abandonada por outra ou é modificada", explicou Dom Dominique Banlene Guigbile, bispo de Dapaong. "Uma religião é julgada boa ou má, dependendo se atende às necessidades de seus seguidores. Se não der satisfação, é abandonada por outra ou é modificada", explicou Dom Dominique Banlene Guigbile, bispo de Dapaong.   (ANSA)

África continua a ser terra de evangelização e de missão

"Longe de ser uma terra já evangelizada, a África continua sendo terra de evangelização, terra de missão", afirma o teólogo africano padre Donald Zagore, ao falar do Mês Extraordinário Missionário de outubro de 2019, convocado pelo Papa Francisco.

Cidade do Vaticano

"A África frequentemente é representada de forma aproximada, como uma terra de missão já enraizada, pronta a exportar seu dinamismo de fé para as antigas Igrejas e entidades missionárias, como a enfraquecida Europa", avalia à Agência Fides padre Donald Zagore, teólogo africano, ao falar do Mês Extraordinário Missionário de outubro de 2019, convocado pelo Papa Francisco.

"De fato - continua ele - para muitos, o continente hoje pode e deve evangelizar também a Europa, assim como em 1800 fez a Europa com a África. Mas também é verdade que o cristianismo na África desfruta de uma força inigualável, graças à vitalidade de suas igrejas e de seus jovens, e é importante reconhecer que esse tipo de cristianismo tem limites consideráveis ​​que sugerem a necessidade de uma abordagem muito mais cautelosa. Por detrás das aparências se escondem verdades que às vezes o impelem para suas bases mais profundas", acrescenta o missionário.

"O ponto nevrálgico da questão da presença do cristianismo na África é a incompatibilidade entre fé professada e fé vivida. Nossas igrejas estão cheias, mas nossos países estão cada vez mais divididos. As injustiça, a falta de caridade, a falta de fraternidade fazem parte da existência africana e demostram que os valores cristãos celebrados em nossas igrejas estão distantes de serem vividos em nossas cidades. O homem africano parece estar aprisionado entre a vida dentro da igreja e a vida fora da igreja. A missão evangelizadora deve trabalhar para reconciliar essas duas “correntes”, de modo que os valores cristãos celebrados na Igreja também sejam vividos em casa, na família, na sociedade. A incompatibilidade entre fé professada e fé vivida é mais evidente a nível cultural. Cristo e seu Evangelho não substituem as crenças culturais, mas são acrescentados a eles. Há uma espécie de acúmulo de crenças, às vezes um sincretismo que é mais visível em momentos de grande sofrimento, como doença e morte. Muitas vezes a religião é percebida pelo homem africano apenas em uma dinâmica utilitária ".

"Uma religião é julgada boa ou má, dependendo se atende às necessidades de seus seguidores. Se não der satisfação, é abandonada por outra ou é modificada", explicou Dom Dominique Banlene Guigbile, bispo de Dapaong.

"Disto nasce a atitude popular dos africanos de aderir a uma nova religião sem renunciar às crenças anteriores. A verdade da fé cristã se baseia, porém, no fato de que a fé em Jesus Cristo não suporta acréscimos ou amálgamas. É uma escolha radical que, mesmo levando em consideração as sementes do Verbo presentes nas culturas dos povos, renuncia a compromissos com tudo o que é contrário à verdade evangélica", acrescenta Dom Guigbile, citado pelo Pe. Zagore.

"Essa escolha radical é o grande desafio da evangelização hoje", acrescenta pe. Donald. "Devemos permanecer humildes e entender que o cristianismo vivido na África está, às vezes, distante de sua realidade e verdades fundamentais e requer um trabalho muito mais profundo de evangelização. Longe de ser uma terra já evangelizada, a África continua sendo terra de evangelização, terra de missão", conclui. (Agência Fides)

 

27 setembro 2018, 14:08